Translate

domingo, 1 de maio de 2016

Um Diálogo Entre Cristãos e Muçulmanos

Assalamu Aleikum.


    Aqui uma série de posts do Livro "Um Diálogo Entre Cristãos E Muçulmanos", infelizmente não sei o autor, mas assim que souber vou dar-lhe os devidos méritos. Allah sabe mais.
O livro é muito bom, então resolvi colocar aqui.



    Com bilhões de seguidores, o Islam e o Cristianismo são as principais religiões que
influenciam o pensamento e valores de mais de 40% da população mundial.
Embora existam diferenças teológicas, algumas das quais podem ser significativas, há,
no entanto, outras áreas importantes da crença que são partilhadas por ambas as
comunidades: crença em Deus; crença na revelação, nos profetas, nos Livros
Sagrados de Deus; na vida após a morte e num código moral divinamente inspirado,
que organiza e regula a vida humana durante nossa passagem pela terra em direção à
eternidade.

    Para o muçulmano, um diálogo construtivo não só é permitido como, também, é
recomendável. No Alcorão lemos:

"Dize-lhes: Ó adeptos do Livro (um termo que particularmente se refere a judeus
e cristãos), vinde, para chegarmos a um termo comum, entre nós e vós:
Comprometamo-nos, formalmente, a não adorar senão a Deus, a não Lhe atribuir
parceiros e a não nos tomarmos uns aos outros por senhores, em vez de Deus.
Porém, caso se recusem, dize-lhes: Testemunhai que somos muçulmanos."
(Alcorão Sagrado, surata Al Imran 3:64)

A metodologia desse diálogo também está explicada no Alcorão: 

"Convoca (os humanos) à senda do teu Senhor com sabedoria e uma bela
exortação; dialoga com eles de maneira benevolente." (Alcorão Sagrado, surata An
Nahl 16:125).

    Um requisito indispensável para um diálogo construtivo, é que ambas as comunidades
não se conheçam através de fontes que sejam parciais, críticas ou até hostis; pelo contrário, elas devem formular uma idéia honesta de como a outra fé é vista em suas
próprias escrituras, e como é praticada por aqueles que verdadeiramente estão
comprometidos com ela.

    Esta necessidade é até mais importante no caso do diálogo Muçulmano x Cristão, o
cristão comum ouviu ou leu sobre o Islam, principalmente através de escritores que
tinham motivos coloniais ou missionários que podem ter conferido uma certa
parcialidade em sua interpretação do Islam na mente ocidental.

    Conquanto eu admita que minha própria prática do Islam está longe de ser perfeita,
pelo menos eu falo como alguém que quer pensar por si mesmo, com um muçulmano
praticante e comprometido.

    Agora, gostaria de partilhar com vocês cinco áreas básicas, que são fundamentais para
qualquer entendimento entre cristãos e muçulmanos: o significado do termo "Islam", o
significado do termo "Deus"; a natureza do ser humano; a relação entre o ser humano e
Deus; a questão do acerto de contas, e, finalmente, algumas conclusões pertinentes à
construção da ponte entre muçulmanos e cristãos.



O Significado Do Islam


    Importante assinalar que o termo "Islam" não é derivado de qualquer nome de
pessoa, raça ou localidade em particular. Um muçulmano considera o termo usado por
alguns escritores, "maometismo" ,com sendo uma violação ofensiva do verdadeiro
espírito dos ensinamentos islâmicos.

    O Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre ele), não é
adorado, ou respeitado, por ser o fundador do Islam, ou o autor do Livro Sagrado, o
Alcorão. O termo "Islam" aparece em mais de um lugar no próprio Alcorão. Ele é
derivado da raiz árabe (salam), que tem a conotação de "paz" ou "submissão".

    Na verdade, o próprio significado de "Islam" é a realização da paz, tanto a interna como
a externa, pela submissão de alguém à vontade de Deus. E quando nos submetemos,
estamos falando de consciência, amor e submissão verdadeira à vontade de Allah, de
aceitação de Sua graça e de seguir Seu caminho.

    Neste sentido, o muçulmano respeita o termo Islam, não como uma inovação que
chegou no século VII da era cristã, com o advento do Profeta Muhammad (que a Paz
e a Bênção de Deus esteja sobre ele), mas como a missão básica de todos os profetas
através da história. Aquela missão universal finalmente culminou e se aperfeiçoou no
último desses Profetas, o Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus esteja
sobre ele).



Monoteísmo Islâmico


    O próximo conceito que necessita de ser esclarecido é o termo "Allah", qual o seu
significado? Primeiramente, deve ser enfatizado que o termo "Allah" , em absoluto,
significa um deus tribal, ou árabe, ou até mesmo um deus muçulmano.
O termo "Allah" em árabe quer dizer o Deus Universal Único e Verdadeiro de todos.
Achar que Allah é diferente de Deus, com letra maiúscula, seria o mesmo que dizer,
por exemplo, que a adoração a Deus dos cristãos franceses é diferente porque eles O
chamam de "Dieu".

    Quais são os atributos básicos de Deus? O Alcorão menciona os "mais belos nomes"
(ou atributos) de Deus. Ao invés de enumerá-los todos, vamos examinar uns poucos.
Alguns atributos salientam a transcendência de Deus. O Alcorão, repetidamente, torna
claro que Deus está além de nossa percepção limitada.
"Nada se assemelha a Ele" (Alcorão Sagrado, surata Ach Chura 42:11)
"Os olhares não podem percebê-Lo, não obstante Ele Se aperceber de todos os
olhares."

    Um muçulmano jamais pensa em Deus como possuindo uma imagem em particular,
seja física, humana, material ou qualquer outra. Tais atributos como, "O Perfeitamente
Conhecedor", "O Eterno", "O Onipotente", "O Onipresente", "O Justo" e "O Soberano"
também realçam essa transcendência.

    Mas, isto não quer dizer que, para o muçulmano, Deus seja um simples conceito
filosófico ou uma divindade afastada. Na verdade, juntamente com esta ênfase sobre a
transcendência de Deus, o Alcorão também fala sobre Deus como sendo um Deus
"pessoal", que está perto, facilmente acessível, Amoroso, Perdoador e Misericordioso.
As muitas passagens no Alcorão, e repetidas inúmeras vezes são o "Em nome de
Deus, o Clemente, o Misericordioso ! " O Alcorão nos diz que quando Deus criou o
primeiro ser humano:

"então, alentou-o com o Seu Espírito," (Alcorão Sagrado, surata As-Sajda 32:9)

E que:
"Deus está mais próximo do homem do que sua veia jugular."

Em outra bela e comovente passagem, Deus nos diz :
"Quando meus servos te perguntarem de Mim, dize-lhes que estou próximo e
ouvirei suas preces quando a Mim se dirigirem. Que eles respondam ao Meu
chamado e obedeçam às Minhas ordens e eles serão encaminhados
acertadamente."

    Para o muçulmano, o monoteísmo não significa somente a unidade de Deus, pelo
simples fato de que pode haver muitas pessoas diferentes em uma unidade. O
Monoteísmo no Islam é a Unidade e a Unicidade Absolutas de Deus, o que torna
impossível a noção de outras pessoas partilhando a divindade.

    O oposto ao monoteísmo no Islam é chamado em árabe de "shirk", que significa
associação de Deus com outros. Esta noção inclui, não somente o politeísmo mas,
também, o dualismo (crença na existência de um deus para o bem e a luz, e de outro
para o mau ou a escuridão).

    O conceito de "shirk" também inclui o panteísmo, a idéia de que Deus está em tudo.
Todas as formas de filosofias sobre um deus encarnado estão excluídas do
monoteísmo islâmico, tais como obediência cega a ditadores, a clérigos ou aos
caprichos e desejos de quem quer que seja.

    Todas são consideradas como formas de "associação" com Deus (shirk), seja pela
crença de que tais criaturas de Deus possuem divindade, seja pela crença de que elas
partilham os Atributos Divinos de Deus.

    Deve-se acrescentar que, para o muçulmano, o monoteísmo não é simplesmente um
dogma. O monoteísmo puro e estrito do Islam é muito mais do um pensamento ou uma
crença; é alguma coisa que influencia profundamente toda a perspectiva de vida do

muçulmano.


O Versículo do Trono, Alcorão 2:255

Assalamu Aleikum.



ÁRABE

   



TRANSLITERAÇÃO:

Bissmilláhir-Rahmánir-Rahim

 Alláhu Lá Iláha Illá Hu
  Al Haiyul Qaiyum
  Lá Ta’khuzúhu Sinatun Wa Lá Naum
   Lahú Má Fis-Samáwáti Wa Má Fil Ardh
   Manzal-lazi Yashfa’u Indahú Illá Bi Iznih
   Yá’lamu Má Baina Aidihim Wa Má Khalfahum
   Wa Lá Yuhituna Bishai Im-min Ilmihi
Illá Bi Má Shá’
 Wa Si’a Kurssiy-yuhus Samáwáti Wal Ardh
  Wa Lá Ya’u Duhu Hifzuhuma
   Wa Huwal Aliyul Azim



TRADUÇÃO: 

Em nome de ALLAH, Rico em Clemência,
Abundante em Misericórdia
 ALLAH, não existe outra divindade senão Ele.
 O Vivo, o Firme.
 Nem a sonolência nem o sono O tomam.
 A Ele pertence tudo quanto existe nos Céus e
na Terra.
Quem pode interceder perante Ele, a favor de
alguém, sem a Sua permissão?
Ele sabe o que está na frente deles e o que está
atrás deles.
 Ninguém pode atingir os Seus conhecimentos,
senão o que Ele permitir.
 O Seu Trono engloba os Céus e a Terra.
 E preservar estas duas coisas (os Céus e a
Terra) nunca O fatiga.
 Ele é o Sublime, o Glorioso.

A Ablução

Assalamu Aleikum.


   
    Li a um tempo atras um livros muito bom sobre oração do SHEIKH TALEB HUSSEIN AL-KHAZRAJI, e é exatamente este livro que eu pretendo usar aqui.



A ABLUÇÃO


Recomendações:


É importante que a ablução seja feita nesta seqüência:
1. É recomendável antes da ablução dizer “Bessmelláh Irrahmán Irrahím”,
que significa Em Nome de Deus Clemente e Misericordioso.
2. Lavar as mãos, três vezes de preferência.
3. Faze bochecho.

4. Lavar as narinas.

Recomendações da Ablução: 

Ao olhar a água dizemos:
Bismillah, Wa Billah, Wa Al-Hamdo Lillah Allazi Jaala Al-Maa Tahuran Wa Lam
Yaj-Al-Hu Najisa.
Em nome de Deus, e com Deus e graças a Deus, que fez a água ser pura e não impura
.
No momento de lavar as mãos antes da Ablução dizemos:
Bissmillah, Wa Billah, Allahuma Ej-Al-Ni Minal Ta-Ua-Bin Waj-Al-Ni Minal Motataherin.
Em nome de Deus, e com Deus, oh Deus nosso faça-me dos arrependidos e faça-me do purificados.

No momento do bochecho dizemos:
Allahuma Lakkini Hujjati Yauma Alkak Wat Lik Lisani Bizikrek.
Oh Deus nosso, me ensine como me desculpar no dia que vou te encontrar e deixe a minha
lingua estar sempre em sua recordação.

No momento de aspirar a água pelas narinas:
Allahuma La Tuharem Allaia Rihal Janna Waj-Alni Memman Yaxxummu Rihuha
Wa Rauhaha Wa Tibuha.
Oh Deus nosso, não negue para mim o cheiro do paraiso e deixe-me ser daqueles que sentirão
o seu cheiro e a sua tranqüilidade.

No momento de lavar o rosto:
Allahuma Baied Wajhi Yauma Taswaddu Fihe Al Wojuh Wa La Taswedda Wajhi
Yauma Tabyaddo Fihel Wojuh.
Oh Deus nosso, ilumine o meu rosto no dia que ficarão escuros os rostos, e não deixe escuro o
meu rosto no dia que os rostos ficarão iluminados.

No momento de lavar o braço direito:
Allahuma E’tini Kitabi Fi Yamini Wal-Khol-Do Fil Jinani Bi Yasari Wa Hasebni
Hisaban Yasira.
Oh Deus nosso, dê-me o meu livro com a mão direita e minha permanência eterna no paraíso

e facilita o meu julgamento.

No momento de lavar o braço esquerdo:
Allahuma La Tu’tini Kitabi Bixamali Wa La Min Warae’dahri Wa La Taj-Al-Ha
Maghlulatan Ila Ónoki Wa Auzo Bika Min Mukatta-Atil Niran.
Oh Deus nosso, não me dê o meu livro com a mão esquerda e nem por trás de minhas costas
e não deixe meu braço preso no meu pescoço e me refugio em ti do inferno.

No momento do passar a mão na cabeça:
Allahuma Ghaxxini Birahmatica Wa Barakatika Wa Afwik.
Oh Deus nosso, me cobre com a sua clemência, sua benção e o seu perdão.

No momento de passar a mão nos pés:
Allahuma Sabbitni Alassirat Yauma Tazilo Fihel Akdam Waj-Al Sa’yi Fi Ma Yurdika
Anni, Ya Zal Jalali Wal Ikram.
Oh Deus nosso, deixe-me firme na senda reta, pois chegará o dia em que os pés deslizarão, e
tudo que fizer que seja do seu agrado, oh senhor da majestade e da generosidade.



Itens necessários para fazer a ablução:
1. Que a água da ablução seja pura e limpa.
2. Que seja água corrente.
3. Que a água não seja usurpada.
4. Todas as partes do corpo, onde é feita a ablução, têm que estarem puras
e não ter vestígios na pele, tais como maquiagem, tinta, esmalte, cola etc.
5. Que a água não prejudique.


Tudo o que invalida a Ablução:
1. Urina
2. Fezes
3. Gases
4. Dormir
5. As coisas que fazem perder a consciência, tais como loucura, epilepsia,
desmaio, embriaguez etc.
Se a pessoa já fez a ablução e em seguida ocorrer algum desses itens
acima mencionados, deverá fazer a ablução novamente.





Ablução

Não há necessidade de ditarmos sobre a intenção (Niyeh) na ablução, porém,
devemos estar cientes de que estamos realizando-a com fé e sinceridade.


Como se abluir:



Lavar o rosto de cima para baixo com a mão direita. Começar pelo alto da testa desde a raiz do cabelo até o queixo.
Se a água não for suficiente para lavar todo o rosto, pode pegar novamente,
até que molhe por completo. Entre o polegar e o meio dedo.
Vide as ilustrações 1 e 2.

  



-------------------------------------------------------------------------------------------------- 

Lavar o antebraço e a mão direita com a mão esquerda, de cima para
baixo. É importante que a água molhe todo o antebraço e a mão, principalmente
entre os dedos.
Vide Ilustração 3.


------------------------------------------------------------------------------------------------- 

Lavar o antebraço e a mão esquerda com a mão direita, também de
cima para baixo. Verificar também se a água molhou o antebraço, a mão e
entre os dedos.
Vide ilustração 4.


----------------------------------------------------------------------------------------------------

Com a mesma água da ablução, passa-se a mão direita em cima da
cabeça, até onde termina o cabelo, de trás para frente.
É importante quando passar a mão na cabeça, que o cabelo esteja seco.
Vide ilustração 5.



-------------------------------------------------------------------------------------------
Com a mesma água da ablução, passa-se a mão direita sobre o pé direito,
começando pela ponta dos dedos até o início do tornozelo.
É importante que o pé esteja seco.
Vide ilustração 6.


--------------------------------------------------------------------------------------------
Com a mesma água da ablução, passa-se a mão esquerda sobre o pé
esquerdo, começando pela ponta dos dedos até o início do tornozelo.
É importante que o pé esteja seco.
Vide ilustração 7.







Tutorial de Oração



Assalamu Aleikum.

Aqui uns videos do canal IslamBoy, muito bons que ensinam como praticar as orações da forma correta.


2 Rakkas





3 Rakkas




4 Rakkas




Um Epílogo sobre o livro "A mulher No Islam - Mito E Realidade" Por: Sherif Abdel Azim


    A questão que se apresenta àqueles não-mulçumanos, que leram uma
versão inicial do presente estudo é: As mulheres muçulmanas no mundo de
hoje recebem este nobre tratamento tal como descrito aqui? A resposta,
infelizmente, é: Não. Uma vez que a questão é inevitável em qualquer discussão
referente à condição das mulheres no Islam, temos que elaborar uma resposta
a fim de fornecer aos leitores um quadro completo.
    Devemos esclarecer, primeiro, que as enormes diferenças entre as
sociedades muçulmanas acabam por gerar generalizações muito simplistas.
Há um vasto espectro de posturas em relação à mulher no mundo muçulmano
atual. Estas posturas diferem de uma sociedade para outra e dentro de cada
sociedade individual. Contudo, podemos discernir certos traços gerais. Quase
todas as sociedades muçulmanas, em maior ou menor grau, se desviaram dos
ideais do lslam, com respeito à condição das mulheres. Estes desvios, na maior
parte, direcionaram-se para uma ou duas direções. A primeira é mais
conservadora, restritiva e orientada pelas tradições, enquanto que a segunda é
mais liberal, orientada pelos costumes ocidentais.
    As sociedades que se encaminharam para a primeira direção tratam as
mulheres de acordo com os costumes e tradições herdados de seus ascendentes.
Estas tradições, comummente, privam as mulheres de muitos direitos que lhes
são garantidos pelo Islam. Além disso, as mulheres são tratadas de acordo
com padrões diferentes daqueles aplicados aos homens. Esta discriminação
penetra a vida de qualquer mulher: ela é recebida com menos alegria ao nascer
do que um menino; ela é menos incentivada a ir para a escola; ela pode ser
privada de qualquer participação na herança da sua família; ela está sob contínua
vigilância em relação à sua modéstia, enquanto que os atos de imodéstia dos
seus irmãos são tolerados; ela pode até ser morta por cometer o que os membros
masculinos da sua família comumente se vangloriam de praticar; ela tem pouca
atuação nos assuntos familiares ou nos interesses comunitários; ela pode não
ter o completo controle sobre as suas posses e os seus presentes de casamento;
e, finalmente, como mãe, ela preferiria gerar filhos homens a fim de alcançar
uma elevada posição na sua comunidade.
    Por outro lado, há sociedades muçulmanas (ou certas classes dentro de
algumas sociedades) que foram varridas pela cultura e modo de vida do
Ocidente. Estas sociedades, muitas vezes, imitam, de forma inimaginável, tudo o que receberam do Ocidente e, finalmente, acabam por adotar os piores frutos
da civilização ocidental. Nestas sociedades, a prioridade máxima na vida de
uma típica mulher "moderna" é realçar a sua beleza física. Portanto, o seu
esforço é mais para realizar a sua feminilidade do que preencher sua
humanidade.
    Porque é que as sociedades muçulmanas se desviaram dos ideais do
Islam? Não há uma resposta fácil. Uma explicação penetrante das razões pelas
quais muçulmanos não aderiram aos preceitos alcorânicos em relação às
mulheres está além do objetivo deste estudo. Contudo, deve ser esclarecido
que as sociedades muçulmanas também se desviaram, há muito tempo, dos
preceitos islâmicos concernentes a muitos aspectos das suas vidas. Há uma
grande diferença entre o que os muçulmanos supõem acreditar e o que eles
realmente praticam. Esta diferença não é um fenômeno recente. Tem sido assim
durante séculos e continuará aumentando dia após dia. Esta diferença sempre
crescente tem tido consequências desastrosas no mundo muçulmano e
manifestam-se em quase todos os aspectos da vida: tirania e fragmentação
política, economia, injustiça social, falência científica, estagnação intelectual,
etc. O status não islâmico das mulheres no mundo muçulmano atual é
simplesmente um sintoma de doença mais profunda. Qualquer reforma no
atual status das mulheres muçulmanas não terá sucesso se não for acompanhada
de reformas mais amplas em todo o modo de vida das sociedades islâmicas. O
mundo muçulmano necessita de um renascimento que o aproxime dos ideais
do Islam e não que o afaste deles. Para resumir, a noção, hoje em dia, de que
há um pobre status das mulheres muçulmanas deve-se a uma total
incompreensão. Os problemas dos muçulmanos em geral não são devidos ao
fato destes estarem muito presos ao Islam. Na verdade, eles se originam
exatamente por um longo e profundo afastamento do Islam.
    Deve-se também enfatizar que a proposta deste estudo comparativo não
é, em qualquer hipótese, difamar o judaísmo ou o cristianismo. A posição das
mulheres nas tradições judaico-cristãs pode parecer retrógrada, se comparada
com nossos padrões de final de século XX, contudo, deve ser encarada dentro
do seu próprio contexto histórico. Por outras palavras, qualquer avaliação da
posição das mulheres na tradição judaico-cristã tem que ter em conta as
circunstâncias históricas nas quais essas tradições se desenvolveram. Não pode
haver dúvida de que as opiniões dos rabinos e pastores da Igreja, em relação às
mulheres, foram influenciadas por posturas prevalecentes nas suas respectivas
sociedades.
    A própria Bíblia foi escrita por diversos autores em diversas épocas.
Estes autores não podiam ser imparciais aos valores e modo de vida das pessoas
à volta deles. As leis do adultério no Velho Testamento, por exemplo, eram tão
desfavoráveis às mulheres que elas desafiam qualquer explicação racional por
parte da nossa mentalidade. Contudo, se nós considerarmos o fato de que as
primeiras tribos judias eram obcecadas pela sua homogeneidade genética e
extremamente desejosas de se distinguirem das outras tribos, e que somente a
má conduta sexual das mulheres casadas podia ameaçar essas caras aspirações,
nós podemos entender, mas não necessariamente simpatizarmos com elas, as
razões de tal obcessão. Também, as ranzinzices dos padres da Igreja contra as
mulheres devem ser encaradas dentro do contexto da misoginia da cultura
greco-romana, na qual eles viviam. Não seria correto avaliar o legado judaicocristão,
sem levar em consideração o relevante contexto histórico.
    De fato, a compreensão adequada do contexto histórico também é crucial
para o entendimento do significado das contribuições do Islam para a
história mundial e a civilização humana. A tradição judaico-cristão foi
influenciada e moldada pelo meio ambiente, condições e culturas existentes
na época. No século VII, esta influência distorceu a mensagem divina revelada
a Moisés e Jesus, muito além do reconhecimento. O pobre status das mulheres
no mundo judaico-cristão no séc. VII é apenas um caso em questão. Em razão
disso, havia uma grande necessidade de uma nova mensagem, que levasse a
humanidade de volta para o caminho reto. O Alcorão descreveu a missão do
novo Mensageiro como uma libertação para judeus e cristãos do peso que
havia sobre eles:



"São aqueles que seguem o Mensageiro, o Profeta iletrado, o qual
encontram mencionado em sua Tora e seu Evangelho, o qual lhes
recomenda o bem e lhes proíbe o ilícito, prescreve-lhes todo o bem e vedalhes
o imundo, alivia-os dos seus fardos e livra-os dos grilhões que os
deprimem." (7:157)


    Portanto, o Islam não deve ser visto como uma tradição rival para o
judaísmo e cristianismo. Ele deve ser encarado como uma consumação,
complementação e aperfeiçoamento das mensagens divinas que foram reveladas
anteriormente.
     No final deste estudo, gostaria de oferecer o seguinte conselho à
comunidade muçulmana global. Nega-se a muitas mulheres muçulmanas os
direitos islâmicos básicos. Os erros do passado devem ser corrigidos. Fazer
isto não é um favor, mas sim uma obrigação para todos os muçulmanos. A
comunidade muçulmana mundial deve elaborar um quadro com as instruções
do Alcorão e os ensinamentos do Profeta do Islam. Este quadro deve garantirlhes
todos os direitos doados pelo Criador. Então, todos os meios necessários
têm de ser desenvolvidos, a fim de assegurar a implementação adequada deste
quadro, o qual se faz necessário há muito tempo. Mas, é melhor tarde do que
nunca. Se o mundo muçulmano não garantir os direitos islâmicos plenos às
suas mães, esposas, irmãs, filhas, quem o fará?
    Temos que ter a coragem de confrontar o nosso passado e rejeitar
completamente as tradições e costumes dos nossos ascendentes, sempre que
essas tradições e costumes se contraponham aos preceitos do Islam. O Alcorão
não criticou severamente os árabes pagãos por seguirem cegamente as tradições
dos seus ancestrais? Por outro lado, temos que desenvolver uma atitude crítica
em relação a tudo que recebemos do ocidente ou de qualquer outra cultura. A
interação com e o que se aprende de, são experiências válidas. O Alcorão
sucintamente considerou esta interação como uma das propostas da criação:


"Ó humanos, em verdade, Nós vos criamos de macho e fêmea e vos
dividimos em povos e tribos, para reconhecerdes uns aos outros." (49.13).


    Pode-se dizer, contudo, que a imitação cega dos outros é um sinal certo
de uma completa falta de auto-estima. Estas palavras finais são dedicadas aos
leitores não muçulmanos, judeus, cristãos, ou quaisquer outros. É desorientador
o fato de uma religião, que revolucionou a condição da mulher, estar a ser
taxada e difamada como sendo uma religião que reprime a mulher. Esta
percepção sobre o Islam é um dos mitos mais difundidos no nosso mundo de
hoje. Este mito está sendo perpetuado por uma enxurrada de livros sensacionalistas, 
artigos e imagens na mídia, e filmes de Hollywood. O resultado
inevitável dessas incessantes imagens errôneas tem sido a incompreensão e o
medo de tudo o que se refere ao Islam. Este retrato negativo do Islam na mídia
mundial tem que acabar se quisermos viver num mundo livre de todos os
traços de discriminação, preconceito e equívoco.
    Os não muçulmanos devem perceber a existência de uma imensa
diferença entre a crença e a prática muçulmanas e o simples fato de que as
ações dos muçulmanos não representam necessariamente o Islam. Rotular a
condição da mulher no mundo muçulmano de hoje como "islâmica" está tão
longe da verdade quanto rotular a posição da mulher de hoje, no Ocidente,
como "judaico-cristã". Com isto em mente, muçulmanos e não-muçulmanos
devem começar o processo de comunicação e diálogo, a fim de remover todos
os preconceitos, suspeitas e medos. Um futuro pacífico para a família humana
necessita de tal diálogo.
    O Islam deve ser visto como uma religião que melhorou
consideravelmente a condição da mulher e lhe garantiu muitos direitos que o
mundo moderno só veio a reconhecer neste século. O Islam ainda tem muito a
oferecer à mulher de hoje, dignidade, respeito e proteção em todos os aspectos
e estágios da sua vida, desde o nascimento até à morte, além do reconhecimento,
equilíbrio e meios para a satisfação de todas as suas necessidades espirituais,
intelectuais, físicas e emocionais. Não espanta que muitos daqueles que
escolhem ser muçulmanos em países como a Inglaterra sejam mulheres. Nos
EUA, as mulheres convertem-se ao Islam, numa proporção de 4 para cada
homem (85).
    O Islam tem muito a oferecer ao mundo de hoje, que está em grande
necessidade de um guia e uma liderança moral. O embaixador Herman Eilts,
testemunhando frente ao comitê de Negócios Estrangeiros do Congresso
americano, em junho de 1985, disse que "a comunidade muçulmana de hoje
está perto de um bilhão. Este é um número expressivo. Mas, para mim, é
igualmente expressivo que o Islam hoje seja a religião monoteísta que mais
cresce no mundo. Devemos ter isto em conta. Alguma coisa está certa acerca
do lslam. Ele está atraíndo uma boa quantidade de pessoas". Sim, alguma
coisa está certa acerca do lslam, e está na hora de encontrá-la. Espero que este
estudo seja um passo nesta direção.



85. The Times, 18 de novembro de 1993.

sábado, 30 de abril de 2016

A Mulher no Islam - Parte 15 - HIJAB (VÉU)

Por: Sherif Abdel Azim




    Finalmente, vamos esclarecer o que é considerado no Ocidente como o
maior símbolo de opressão e servidão da mulher, o véu, ou a cabeça coberta. É
verdade que não existe algo como o véu na tradição judaico-cristã? Façamos o
registro correto. De acordo com o Rabino Dr. Menachem M. Brayer (Professor
de Literatura Bíblica na Universidade de Yeshiva) no seu livro, "A Mulher
Judia na Literatura Rabínica", era um costume judeu a mulher ir aos lugares
públicos com a cabeça coberta, e, em alguns casos, com todo o rosto coberto,
deixando apenas um olho de fora (76). Ele cita alguns famosos ditos rabínicos
antigos: "Não é bom para as filhas de Israel andarem na rua com suas cabeças
descobertas” e "Amaldiçoado seja o homem que permite que o cabelo de sua
esposa seja visto... uma mulher que expõe os seus cabelos como adorno traz a
pobreza". A lei rabínica proibe a recitação de bênçãos e orações na presença
de mulheres casadas com a cabeça descoberta, uma vez que o cabelo é
considerado "nudez"(77). O Dr. Brayer também menciona que "Durante o período
Tannaitic a mulher judia com a sua cabeça descoberta era considerada uma
afronta à sua modéstia. Quando a sua cabeça estava descoberta ela podia ser
multada em 400 zuzim por esta ofensa". O Dr. Brayer também explica que o
véu da mulher judia nem sempre era considerado como um sinal de modéstia.
Algumas vezes, o véu simbolizava mais um estado de distinção e de luxúria
do que modéstia. O véu personificava a dignidade e superioridade das mulheres
nobres. Também podia representar a inacessibilidade da mulher como posse
santificada de seu marido (78).
    O véu significava o auto-respeito de uma mulher e um status social. As
mulheres das classes mais baixas vestiam o véu para dar a impressão de uma
posição mais elevada. O fato de o véu significar sinal de nobreza foi a razão de
não se permitir às prostitutas cobrirem seus cabelos, na antiga sociedade judaica.
Contudo, as prostitutas muitas vezes usavam um lenço especial, a fim de
parecerem respeitáveis (79).
As mulheres judias na Europa continuaram a usar o véu até o século XIX,
 quando as suas vidas se tornaram interrelacionadas com
o meio cultural. As pressões externas da vida européia no século XIX, obrigaram
as mulheres a saírem com as cabeças descobertas. Algumas judias achavam
mais conveniente substituir o tradicional véu por peruca, como uma outra forma
de cobrir a cabeça. Atualmente, muitas mulheres judias piedosas não cobrem
as suas cabeças, exceto quando se encontram nas sinagogas (80). Algumas delas,
tais como as da citada Hasidic, ainda usam peruca (81).
  
    O que dizer a respeito da tradição cristã? É sabido que as freiras católicas
usaram as suas cabeças cobertas por centenas de anos, mas isto não é tudo.
São Paulo, no Novo Testamento, fez algumas declarações muito interessantes
a respeito do véu: "Agora eu quero que vocês percebam que a cabeça de cada
homem é o Cristo e a cabeça da mulher é o homem e a cabeça do Cristo é
Deus. Cada homem que reza ou vaticina com a cabeça coberta desonra a sua
cabeça. Cada mulher que ora ou vaticina com a cabeça descoberta desonra sua
cabeça - é como se a sua cabeça estivesse raspada. Se a mulher não cobrir a
sua cabeça, ela deve ter os seus cabelos cortados: e para não cair na desgraça
de ter os cabelos cortados ou raspados ela deve cobri-los. Um homem não
deve cobrir sua cabeça uma vez que ele é a imagem e glória de Deus; mas a
mulher é oriunda do homem; o homem não foi criado da mulher, mas a mulher
foi criada do homem. Por esta razão, e por causa dos anjos, a mulher deve ter
um símbolo da autoridade sobre a sua cabeça" (I Coríntios 11:3/10).

    As razões apresentadas por São Paulo, para que a mulher se cubra, é que
o véu significa um sinal de autoridade do homem, o qual é a imagem e glória
de Deus sobre a mulher, que foi criada dele e para ele. São Tertuliano, no seu
famoso tratado "Sobre o véu das virgens", escreveu "jovens mulheres, vocês
cobrem-se quando nas ruas, assim, vocês devem cobrir-se quando na igreja,
vocês cobrem-se quando estão entre pessoas estranhas, portanto vocês devem
cobrir-se quando estiverem entre os vossos irmãos..." Entre as leis canônicas
da Igreja Católica de hoje, há uma lei que exige que as mulheres cubram as
suas cabeças quando estiverem na igreja (82). Algumas denominações cristãs,
tais como os Amish e os Menonitas, por exemplo, mantêm as suas mulheres
cobertas até hoje. A razão para o véu, conforme explicado pelos líderes da Igreja, é que "a cabeça coberta é um símbolo da sujeição feminina ao homem
e a Deus", o que, no final, significa a mesma lógica apresentada por São Paulo
no Novo Testamento(83).
    De todas as evidências acima, é óbvio que o Islam não inventou a cabeça
coberta. Contudo, o Islam endossa a tese. O Alcorão obriga homens e mulheres
a recatarem os seus olhares e a guardarem as suas modéstias e, com relação às
mulheres, determina que as suas cabeças sejam cobertas, e que esta cobertura
se estenda ao pescoço e colo:

"Dize às crentes que recatem os seus olhares, conservem os seus
pudores e não mostrem os seus atrativos, além dos que (normalmente)
aparecem; que cubram o colo..." (24:31)

O Alcorão é bem claro no que se refere ao véu como essencial para a
modéstia. Mas porque é a modéstia importante? O Alcorão é ainda mais claro:

"Ó Profeta, dize às tuas esposas, tuas filhas e às mulheres dos crentes
que (quando saírem) se cubram com as suas mantas; isso é mais
conveniente, para que se distingam das demais e não sejam molestadas"
(33:59).

    Esta é a questão principal, a modéstia é prescrita para proteger as mulheres
de serem molestadas, isto é, a modéstia é proteção.
Assim, a única proposta do véu no Islam é a proteção. O véu islâmico,
diferentemente do véu na tradição cristã, não é sinal da autoridade do homem
sobre a mulher, nem é um sinal de sua sujeição ao homem. O véu islâmico, diferentemente da tradição judaica, não é um sinal de luxúria ou de distinção
de algumas mulheres casadas nobres. O véu islâmico é simplesmente um sinal
de modéstia, com a proposta de proteger as mulheres, todas as mulheres. A
filosofia islâmica é a de que é sempre melhor prevenir do que remediar.
    Realmente, o Alcorão é tão preocupado com a proteção dos corpos das mulheres
e com a sua reputação, que um homem que se atrever a acusar falsamente uma
mulher de não ser casta, será severamente punido:

 "E àqueles que difamarem as mulheres castas, sem apresentarem
quatro testemunhas, infligi-lhes oitenta chicotadas e nunca mais aceiteis
os seus testemunhos, porque são depravados." (24:4)

    Para os casos de estupro: Se um homem encontra uma virgem, que
está na condição de casar e a estupra e eles são descobertos, ele deve pagar ao
pais da moça 50 shekels de prata. Ele deve casar-se com a moça por que ele a
violou. Ele não poderá nunca divorciar-se dela enquanto viver (Deuteronômio
22:38/30). Podemos simplesmente perguntar: Quem é punido realmente? O
homem que somente pagou uma multa pelo estupro ou a moça que se viu
forçada a casar-se com o homem que a violentou e a ficar com ele até que ele
morra? Outra questão que se apresenta é: quem protege mais as mulheres, o
Alcorão com sua postura rigorosa, ou a Bíblia com sua posição mais branda?
Algumas pessoas, sobretudo no Ocidente, têm uma tendência a
ridicularizar a argumentação da modéstia para proteção. Elas dizem que a
melhor proteção é divulgar a educação, o comportamento civilizado e o autocontrole.
     E nós dizemos: ótimo, mas insuficiente. Se o processo de civilização
fosse suficiente, então porque é que as mulheres nos EUA não se atrevem a
andar sozinhas em ruas escuras, ou mesmo a cruzar um parque vazio? Se a
educação fosse a solução, então porque é que uma respeitada universidade
como a de Queen tem um 'serviço de acompanhamento a casa' principalmente
para as estudantes no campus? Se o auto-controle fosse a resposta, então porque
é que tantos casos de assédio sexual acontecem em locais de trabalho, como os relatados nos jornais a cada dia? Em uma amostra sobre os molestadores,
nos últimos anos, encontramos: marinheiros, diretores, professores
universitários, senadores, juízes da Suprema Corte e até o Presidente dos Estdos
Unidos. Eu não posso acreditar nos meus olhos, quando leio sobre as seguintes
estatísticas, elaboradas pelo escritório das mulheres decanas da Universidade
de Queens:

* No Canadá, uma mulher é atacada sexualmente a cada seis minutos;
* Uma, em cada três mulheres no Canada, será sexualmente assaltada
nalguma época das suas vidas;
* 1 em 4 mulheres corre o risco de ser estuprada alguma vez;
* 1 em 8 mulheres será atacada sexualmente enquanto estiver no colégio
ou universidade; e
* Um estudo concluiu que 60% dos estudantes universitários canadenses
cometeriam algum tipo de violência sexual se eles estivessem seguros de não
serem descobertos.

    Alguma coisa está fundamentalmente errada na sociedade em que
vivemos. Uma mudança radical no modo de vida e na cultura da sociedade
torna-se absolutamente necessária. Uma cultura de modéstia é necessária,
modéstia no vestir, no falar e nos modos, tanto dos homens como das mulheres.
    Caso contrário, as terríveis estatísticas continuarão a crescer e, infelizmente,
as mulheres, sozinhas, pagarão o preço. Realmente, nós todos sofremos, mas
como Khalil Gibran disse "... para a pessoa que recebe os golpes não é o mesmo
que para a pessoa que os conta"(84). Logo, uma sociedade como a francesa, que
expulsa uma jovem da sua escola por causa das suas roupas, acaba, no final,
por, simplesmente, se ferir a si mesma.
    Uma das maiores ironias do nosso mundo atual é que, o mesmo véu que
é reverenciado como sinal de "santidade", quando usado pelas freiras católicas
como forma, de exibir a autoridade do homem, é mostrado como forma de
"opressão" quando vestido com o objetivo de proteger a mulher muçulmana.




76. Menachem M. Brayer, The Jewish Woman in Rabbinic Literature: A Psychosocial Perspective
(Hoboken, N.J: Ktav Publishing House, 1986) pág. 239.
77. Ibid., págs. 316-317. Ver também Swidler, op. cit., págs. 121-123.
78. Ibid., pág. 139.
79. Susan W. Schneider, Jewish and Female (Nova York: Simon & Schuster, 1984) pág. 237.
80. Ibid., págs. 238-239.
81. Alexandra Wright, "Judaism", em Holm e Bowker, ed., op. cit., págs. 128-129.
82. Clara M. Henning, "Cannon Law and the Battle of the Sexes" em Rosemary R. Ruether,
ed., Religion and Sexism: Images of Woman in the Jewish and Christian Traditions (Nova
York: Simon e Schuster, 1974) pág. 272.
83. Donald B. Kraybill, The riddle of the Amish Culture (Baltimore: Johns Hopkins University
Press, 1989), pág. 56.
84. Khalil Gibran, Thoughts and Meditations (Nova York: Bantam Books, 1960) pág. 28.

A Mulher no Islam - Parte 14 - POLIGAMIA

 Por: Sherif Abdel Azim



    Passemos agora para a importante questão que é a poligamia. A poligamia
é uma prática muito antiga, encontrada em muitas sociedades humanas. A Bíblia
não condenou a poligamia. Pelo contrário, o Velho Testamento e os escritos
rabínicos frequentemente atestam a legalidade da poligamia. Dizem que o Rei
Salomão teve 700 esposas e 300 concubinas (Reis 11:3). Também o Rei David
teve muitas esposas e concubinas (2 Samuel 5:13). O Velho Testamento tem
algumas injunções em como distribuir a propriedade de um homem entre os
seus filhos de diferentes mulheres (Deuteronômio 22:7). A única restrição com
relação à poligamia é a proibição de tomar uma irmã da esposa como uma
esposa rival (Levítico 18:18). O Talmud aconselha a um máximo de 4
esposas(51). Os judeus europeus continuaram a praticar a poligamia até o século
XVI.
    Os judeus orientais praticavam a poligamia regularmente até à chegada
a Israel, onde ela foi proibida por lei. Contudo, na lei religiosa, que sobrepuja
a lei civil em tais casos, a poligamia é permitida(52).
    E com relação ao Novo Testamento? De acordo com o padre Eugene
Hilman, no seu penetrante livro, a poligamia é reconsiderada, "Em parte alguma
do Novo Testamento há uma orientação expressa de que o casamento deve ser
monogâmico ou qualquer orientação que proíba a poligamia"(53). Além disso,
Jesus não falou contra a poligamia, embora ela fosse praticada pelos judeus de
sua época. O padre Hillman chama a atenção para o fato de que a Igreja de
Roma proibiu a poligamia, a fim de se adequar à cultura Greco-romana (que
prescrevia somente uma esposa legal, enquanto que tolerava o concubinato e a
prostituição). Ele citou Santo Agostinho, "Agora, no nosso tempo, e de acordo
com o costume romano, não é mais permitido tomar uma outra esposa"(54).
As igrejas africanas e os cristãos africanos muitas vezes lembram aos seus irmãos
europeus que a proibição da poligamia é mais uma tradição cultural do que
uma autêntica injunção cristã.
O Alcorão também permitiu a poligamia, mas não sem algumas restrições:

"Se temerdes ser injustos no trato com os órfãos, podeis desposar
duas, três ou quatro das que vos aprouver entre as mulheres. Mas. se
temerdes não poder ser equitativos para com elas, casai, então, com uma
só." (4:3).

    O Alcorão, ao contrário da Bíblia, limitou o número de esposas a 4, sob
a estrita condição de que as esposas sejam tratadas igualmente. Isto não deve
ser entendido como uma exortação a que os crentes pratiquem a poligamia, ou
que a poligamia seja considerada como um ideal. Em outras palavras, o Alcorão
"tolera" ou "permite" a poligamia, e não mais, mas porquê? Porque é a poligamia
permitida? A resposta é simples: há lugares e épocas em que razões morais e
sociais compelem para a poligamia. Como os versículos do Alcorão acima
indicam, a questão da poligamia no Islam não pode ser entendida separadamente
das obrigações da comunidade em relação aos órfãos e viúvas. O Islam, como
uma religião universal, aplicável para todos os lugares e tempos, não poderia
ignorar essas pressões.
    Em muitas sociedades humanas, as mulheres superam os homens em
quantidade. Em um país como a Guiné, há 122 mulheres para cada 100 homens.
Na Tanzânia, há 95,1 homens para 100 mulheres(55). O que uma sociedade
deve fazer para resolver esse desequilíbrio? Existem várias soluções, e alguns
podem sugerir o celibato, outros preferem o infanticídio feminino (que ainda
acontece no mundo de hoje em alguns lugares). Outros, ainda, podem achar
que a única saída é a sociedade tolerar todas as formas de permissividade
sexual: prostituição, sexo fora do casamento, homossexualismo, etc. Para outras
sociedades, como a maior parte das sociedades africanas de hoje, a saída mais
honrosa é permitir o casamento poligâmico, como uma instituição culturalmente
aceite e socialmente respeitada. A questão, que é muitas vezes incompreendida no Ocidente,
 é a de que muitas mulheres de outras culturas necessariamente
não veem a poligamia como um sinal de degradação da mulher. Por exemplo,
muitas jovens noivas africanas, sejam cristãs ou muçulmanas, prefeririam casarse
com um homem casado, que tenha provado ser um marido responsável.
     Muitas esposas africanas persuadem os seus maridos a tomar uma
segunda esposa e assim eles não se sentem sozinhos (56). Uma pesquisa realizada
na segunda maior cidade da Nigéria com 600 mulheres, com idades entre 15 e
59 anos, mostrou que 60% dessas mulheres não se importariam que os seus
maridos tivessem uma outra esposa. Somente 23% expressaram raiva ante a
idéia de dividirem os seus maridos com outras mulheres. 76% das mulheres
que se manifestaram numa pesquisa realizada no Quênia, viram a poligamia
positivamente. Em outra pesquisa realizada no campo, 25 de 27 mulheres
consideraram a poligamia melhor do que a monogamia.
    Estas mulheres sentiram que a poligamia pode ser uma experiência feliz
e benéfica se as co-esposas cooperarem umas com as outras (57). A poligamia,
na maior parte das sociedades africanas é uma instituição tão respeitada que
algumas igrejas protestantes começaram a tolerá-la, "Embora a monogamia
possa ser ideal para a expressão do amor entre o marido e a esposa, a igreja
deve considerar que em certas culturas a poligamia é socialmente aceitável e
que a crença de que a poligamia é contrária ao cristianismo não se sustenta por
muito tempo" (58).
    Depois de um cuidadoso estudo sobre a poligamia africana, o Reverendo
David Gitari, da Igreja Anglicana, concluiu que a poligamia, como idealmente
praticada, é mais cristã do que o divórcio e o novo casamento, porque há uma
preocupação com as esposas e crianças abandonadas (59). Eu pessoalmente
conheço algumas esposas africanas, finamente educadas, que apesar de terem
vivido no Ocidente por muitos anos, não fazem qualquer objeção à poligamia.
Uma delas, que mora nos USA, solenemente estimula o seu marido a tomar
uma segunda esposa para ajudá-la na criação das crianças.
    O problema do desequilíbrio entre os sexos começa na verdade nos
problemáticos tempos de guerra. Os índios nativos americanos costumavam sofrer
com essa desigualdade de número entre homens e mulheres,
principalmente após as perdas dos tempos de guerra. As mulheres dessas tribos,
que na verdade desfrutavam de uma alta posição, aceitavam a poligamia como
a melhor proteção contra a tolerância de atividades indecentes. Os colonos
europeus, sem oferecerem qualquer outra alternativa, condenavam a poligamia
indiana considerando-a "incivilizada" (60).
    Após a Segunda Guerra Mundial havia na Alemanha 7.300.000 mais
mulheres do que homens (3.3 milhões delas eram viúvas). Havia 100 homens
na idade de 20 a 30 anos para cada 167 mulheres naquele mesmo grupo de
idade (61). Muitas dessas mulheres necessitavam de um homem, não apenas
como uma companhia mas, também, como um sustentador para a casa, num
tempo de miséria e injustiça sem precedentes. Os soldados do exército aliado
vitorioso exploravam a vulnerabilidade dessas mulheres. Muitas jovens e viúvas
tinham ligações com membros das forças de ocupação. Muitos soldados
americanos e britânicos pagavam pelos seus prazeres com cigarros, chocolates
e pães. As crianças ficavam felizes com os presentes que os estrangeiros
traziam. Um menino de 10 anos, vendo esses presentes noutras crianças,
desejava ardentemente um "inglês" para a sua mãe e assim, ela não precisaria
passar fome por tanto tempo (62).
    Devemos perguntar à nossa consciência esta questão: O que dignifica
mais uma mulher? Uma segunda esposa, aceite e respeitada, ou uma prostituta
virtual, como no caso da abordagem "civilizada" das forças aliadas na
Alemanha? Em outras palavras, o que dignifica mais uma mulher, a prescrição
alcorânica ou a teologia baseada na cultura do império romano?
    É interessante notar que, numa conferência da juventude internacional,
realizada em Munique, em 1948, o problema alemão do desequilíbrio no
número de homens e mulheres foi discutido. Quando ficou claro que não havia
solução consensual, alguns participantes sugeriram a poligamia. A reação inicial
da reunião foi uma mistura de choque e repugnância. Contudo, após um estudo
cuidadoso da proposta, os participantes concordaram que a poligamia era a única solução possível. Consequentemente, a poligamia estava incluída entre
as recomendações finais da conferência (63).
    Atualmente, o mundo possui mais armas de destruição em massa do que
jamais houve em qualquer tempo e as igrejas europeias podem, mais cedo ou
mais tarde, ver-se obrigadas a aceitar a poligamia como o único caminho. O
Padre Hillman, após muito pensar, admitiu este fato: "É quase concebível que
aquelas técnicas genocidas (nuclear, biológica, química...) podem produzir
um desequilíbrio tão drástico entre os sexos que o casamento plural poderia
ser um meio necessário de sobrevivência... Em tal situação, os teólogos e os
líderes das igrejas deveriam rapidamente produzir razões importantes e textos
bíblicos que justifiquem um novo conceito de casamento."(64)

    Nos dias atuais, a poligamia continua a ser a solução viável para alguns
males das sociedades modernas. As obrigações comunitárias a que o Alcorão
se refere, juntamente com a permissão da poligamia, são mais perceptíveis
atualmente nas sociedades ocidentais do que na África. Por exemplo, nos USA
de hoje, há uma séria crise na comunidade negra. Um em cada 20 jovens negros
podem morrer antes de atingir a idade de 21 anos. Para aqueles que estão entre
os 20 e 35 anos, o homicídio lidera a causa da morte (65).
    Além disso, muitos rapazes negros estão desempregados, na prisão ou
são viciados (66). Como consequência, uma em quatro mulheres negras, na idade
de 40 anos, nunca se casou, enquanto que este número é de um para dez
mulheres brancas (67).
    Além do mais, muitas jovens negras tornam-se mães solteiras antes dos
20 anos e encontram-se na situação de serem mantidas. O resultado final dessas
trágicas circunstâncias é que há um aumento no número de mulheres negras
comprometidas com "homem-partilhado" (68).
    Isto é, muitas dessas infelizes mulheres negras solteiras estão envolvidas
em casos com homens casados. As esposas muitas vezes não têm consciência
do fato de que outras mulheres estão dividindo os seus maridos consigo. Alguns
observadores da crise do "homem-partilhado" na comunidade africana na América têm
recomendado a poligamia consensual, como uma resposta
temporária para a diminuição do número de homens negros, até que reformas
mais abrangentes na sociedade americana sejam tomadas(69). Esses observadores
entendem a poligamia consensual como a poligamia sancionada pela
comunidade e na qual todas as partes envolvidas concordam, em oposição ao
segredo dos casos com homens casados, os quais sempre prejudicam tanto a
esposa como a comunidade em geral.
    O problema do "homem-partilhado" na comunidade africana da América
foi ponto de discussão num painel realizado na Universidade de Temple, na
Filadélfia, em 27.01.93 (70). Alguns dos palestrantes recomendaram a poligamia
como um remédio potencial para a crise. Eles também sugeriram que a
poligamia não podia ser banida por lei, particularmente numa sociedade que
tolera a prostituição e o concubinato. O comentário de uma das mulheres
participantes, de que os negros americanos precisavam aprender com a África,
onde a poligamia era praticada responsavelmente, conseguiu entusiásticos
aplausos.

    Philip Kilbride, um antropólogo americano, de tradição católica romana,
no seu livro provocante: "Casamento Plural para o Nosso Tempo", propõe a
poligamia como solução para alguns dos males da sociedade americana. Ele
argumenta que o casamento plural pode servir como uma alternativa potencial
para o divórcio em muitos casos, a fim de eliminar o impacto danoso do divórcio
sobre as crianças. Ele afirma que muitos divórcios foram causados pelo
excessivo número de casos extraconjugais ocorridos na sociedade americana.
    De acordo com Kilbride, transformar um caso extraconjugal num casamento
poligâmico, ao invés do divórcio, é melhor para as crianças. Além disso, ele
sugere que outros grupos também se beneficiarão do casamento plural, tais
como: mulheres mais velhas, que enfrentam uma crônica diminuição de homens
e os negros americanos, que estão envolvidos com o "homem-partilhado"(71).
    Em 1987, uma votação conduzida por um estudante de jornalismo da
Universidade de Berkeley, perguntava aos estudantes se eles concordavam
que os homens poderiam ser autorizados, por lei, a terem mais do que uma
esposa, tendo em vista a visível diminuição do número de candidatos
masculinos para o casamento na Califórnia. Quase todos os votantes aprovaram a ideia.
 Uma estudante chegou a declarar que o casamento poligâmico
preencheria as suas necessidades físicas e emocionais, porque lhe daria maior
liberdade do que uma união monogâmica (72). Na verdade, o mesmo argumento
foi usado por alguns poucos remanescentes das mulheres fundamentalistas
Mormom, que ainda praticam a poligamia nos USA.
Elas acreditam que a poligamia é um caminho ideal para a mulher ter,
tanto profissão como crianças, uma vez que as esposas se ajudam umas às
outras no cuidado com os filhos (73).
    Deve-se acrescentar que a poligamia no Islam é questão de consenso
mútuo. Ninguém pode forçar a mulher a casar-se com um homem casado.
Além disso, a esposa tem o direito de estipular que o seu marido não deve se
casar com outra mulher (74). A Bíblia, por outro lado, algumas vezes vale-se da
poligamia forçada. Uma viúva sem filhos deve casar-se com o seu cunhado,
mesmo que ele já seja casado (ver a seção "A condição das Viúvas") e
independentemente de seu consentimento (Gênesis 38:8-10).
    Deve notar-se que, em muitas sociedades muçulmanas de hoje, a prática
da poligamia é rara, uma vez que a diferença entre os sexos não é grande. Pode
dizer-se que o número de casamentos poligâmicos no mundo muçulmano é
muito menor do que o de casos extraconjugais no Ocidente. Em outras palavras,
os homens no mundo muçulmano são muito mais monogâmicos do que os
homens no mundo ocidental.

    Billy Grahan, o eminente evangélico cristão, reconheceu este fato: "O
cristianismo não pode comprometer-se com a questão da poligamia. Se hoje o
cristianismo não pode fazer isso, é em seu próprio detrimento. O Islam permitiu
a poligamia como uma solução para os males sociais e reconheceu um certo
grau de latitude da natureza humana, mas, somente dentro da estrutura
estritamente definida na lei.
    Os países cristãos fazem um estardalhaço sobre a monogamia, mas, na
verdade, eles praticam a poligamia. Ninguém ignora a existência das amantes
na sociedade ocidental. A esse respeito, o Islam é fundamentalmente uma
religião honesta, que permite a um muçulmano casar-se uma segunda vez se ele precisar, mas proíbe rigorosamente todas as associações clandestinas, a
fim de salvaguardar a probidade moral da comunidade."(75)
    Releva notar que muitos países no mundo de hoje, muçulmanos ou não,
proibiram a poligamia. Tomar uma segunda esposa, ainda que com o livre
consentimento da primeira, é uma violação da lei. Por outro lado, trair a esposa,
com ou sem o seu conhecimento e/ou consentimento, é perfeitamente legítimo.
Qual é a sabedoria legal por detrás de tal contradição? A lei foi feita para
premiar a decepção e punir a honestidade? Este é um dos paradoxos fantásticos
do nosso mundo "civilizado".






51. Swidler, op. cit., págs. 144-148.
52. Hazleton, op. cit., págs 44-45.
53. Eugene Hillman, Polygamy Reconsidered: African Plural Marriage and the Christian
Churches (Nova York: Orbis Books, 1975), pág. 140.
54. Ibid., pág. 17.
55. Ibid., págs. 88-93.
56. Ibid., págs. 92-97.
57. Philip L. Kilbride, Plural Marriage For Our Times (Westport. Conn.: Bergin & Garvey,
1994) págs. 108-109.
58. The Weekly Review, 1º de agosto de 1987.
59. Kilbride, op. cit., pág. 126.
60. John D'Emilioe Estelle B. Freedman, Intimate Matters: A History of Sexuality in America
(Nova York: Harper & Row Publishers, 1988) pág. 87.
61. Ute Frevert, Women in German History: Horn Bourgeois, Emancipation to Sexual Liberation
(Nova York: Berg Publishers. 1988) págs. 263-264.
62. Ibid., págs. 257-258.
63. Sabiq, op. cit., pág. 191.
64. Hillman, op. cit., pág. 12.
65. Nathan Hare e Julie Hare, ed., Crisis in Black Sexual Politics (San Francisco: Black Think
Tank, 1989) pág. 25.
66. Ibid., pág. 26.
67. Kilbride, op. cit., pág. 94.
68. Ibid., pág. 95.
69. Ibid.
70. Ibid., pág. 95-99.
71. Ibid., pág. 118.
72. Lang, op. cit., pág. 172.
73. Kilbride, op. cit., pág. 72-73.
74. Sabiq, op. cit., pág. 187-188.
75. Abdul Rahman Doi, Woman in Shari'ah (London: Ta-Ha Publishers, 1994)