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sexta-feira, 9 de março de 2018

Contrato de casamento - parte 3

     Salam aleikum (a paz seja com você), hoje terminando o tema "Contrato de casamento", espero ter ajudado em algumas dúvidas.
Que Allah (Deus) nos dê sabedoria e discernimento para aprender, fazer o bem e sair do caminho de ignorância e desrespeito.

Agradeço aos que lêem o blog, o layout não anda muito bom pois uso o APP do blogger que é limitado, porém me possibilita escrever em qualquer lugar.

O Mahr (dote)

     O próximo elemento do contrato matrimonial é um presente de casamento obrigatório dado pelo marido à sua esposa. Em árabe, este dote é chamado de mahr ou sadaaq.

     Deus Altíssimo, disse: “E concedei às mulheres, no casamento, sua sadaaq como dádiva.” Suratu An’Nisaa 04:04

     O Mahr é único da mulher e ninguém pode tomar nada disso sem sua permissão – nem mesmo seus pais. O dote pode ser na forma de dinheiro, jóias, roupas ou outras coisas materiais. Também pode ser um dom não material. A shariah islâmica não especificou qualquer quantidade, mas deve estar em conformidade com a capacidade financeira do marido e com o que é razoável para a noiva em seu estatuto social.

         Normalmente é determinada por acordo entre o marido e a a esposa ou seu Wali. Uma mulher veio ao Profeta (saws) e ofereceu-se para ele e ele recusou, então um homem que estava presente com ele disse: “Ó Mensageiro de Deus!Case-a para mim? “O Profeta lhe perguntou. ”Você tem algo para dar a ela? “Ele disse: “Não.” O Profeta (saws) disse: “Dê a ela pelo menos um anel de ferro. Mas ele ainda não podia pagá-lo. O Profeta (saws) perguntou-lhe então: Você memorizou qualquer parte do Alcorão? Ele respondeu: Tenho memorizados alguns capítulos, tais e tais. O Profeta(saws) disse então:“…Eu caso-a para você pela parte do Alcorão que você memorizou.

     Isto significa que ele deverá ensinar-lhe algumas das coisas que ele memorizou, e tratá-la gentilmente com base nessa memorização.
Tudo isso seria muito mais benéfico para a noiva que muitos dos presentes materiais. A saber, o melhor do dote é aquele que é leve e fácil sobre seu marido.
Este é realmente um sinal de bênção para a noiva, como o Mensageiro de Deus (saws) disse: Na verdade, um sinal de benção para uma mulher é o seu noivado, o dote e o dar à luz, sejam facilitados” Ahmad, al-Haakim, e outros, a sua corrente de hadith é de acordo com Hasan al-Albani.

     Ibn Omar al-Khataab (r) uma vez fez um sermão no qual disse: Não seja excessivo em relação ao dote da mulher”.
Recomenda-se dar o dote da noiva imediatamente após a execução do contrato matrimonial. No entanto, é uma prática muito comum, dividir o dote em duas partes, uma parte no ato e outra adiada. Porém, o adiamento do Mahr é em geral, um costume inovado e inconveniente, longe da prática normal encontrada na Sunnah. Sendo que é para ser um presente antes de ter qualquer intimidade com a noiva.

Condições

     No momento da realização do contrato de casamento, as duas partes podem estabelecer condições cuja violação pode invalidar o contrato matrimonial. Isto é aceitável desde que as condições não violem quaisquer princípios islâmicos.

     O Profeta Muhammad (saws) disse: Toda condição em desacordo como livro de Allah é nula,mesmo que seja de uma única sentença ou condição”. Sahih Bukhari e Muslim

     Um exemplo de uma condição, é que a mulher estabeleça que ela permaneça numa terra especial durante seu casamento. As condições são normalmente fixadas ao lado da esposa, porque o marido pode terminar o casamento proferindo o divórcio.

Execução do contrato

     É recomendado que se realize o Haajah Ul-Khutbata cerimônia de casamento” para começar, como foi relatado por Ibn Masoud e Jabirem Tabaraani Bukhari e no A-Taareekh.

     Os principais pilares do contrato matrimonial são a oferta e a aceitação, conhecidos como Ijaab e qabool. Eles significam o acordo e a aceitação mútua entre as duas partes a aderir a este vínculo matrimonial. O Ijaab e o qabool devem ser indicados de forma clara,  as palavras devem ser bem definidas em um único e mesmo encontro, e na presença das testemunhas. A pessoa que conduz a cerimônia pode ajudar as duas partes a fazerem a oferta e aceitação através das palavras.

     Documentar o contrato de matrimônio não é um requisito para validar o contrato. No entanto, é importante documentar para uma referência futura, e para preservar os direitos do marido e da esposa. Uma vez que o contrato de matrimônio é executado, todos os direitos e responsabilidades para as duas partes se tornam imediatamente exigíveis.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Contrato de casamento - parte 2

Elegibilidade dos noivos

     A primeira dessas condições é que a noiva e o noivo devem cumprir certos requisitos. O noivo deve ser muçulmano casto que tenha atingido a idade da puberdade (no minimo). Ele não deve estar relacionado com a noiva por qualquer um dos casos que o proíbe permanentemente. Como ser sangue do mesmo sangue, ter amamentado no mesmo seio, das relações conjugais, como sendo suas irmãs,tias paternas e maternas, filhas,netas e outros. Ele não é proibido de se casar coma noiva de qualquer uma das razões temporárias previstas no Alcorão e na Sunnah.

     Portanto, se um homem tem quatro esposas, todas as outras mulheres ficam temporariamente proibidas a ele. Outro exemplo de um motivo temporário é que, enquanto um homem esta casado com uma mulher em particular, todas as irmãs, (irmãs de sua mulher) ficam temporariamente proibidas para ele, é que ele não pode se casar com nenhuma delas amenos que divorcie ou enviúve da primeira. Outros exemplos incluem: mulheres casadas com outros homens,ao mesmo tempo, casar com suas tias e sobrinhas, com adúlteras e prostitutas que não se arrependeram sinceramente, inclusive outras e que a Shariah islâmica possa ter listado.

     Das exigências de uma noiva, é que ela deve ser muçulmana casta, uma cristã ou judia. Ela não deve ser casada com outro homem, não deve estar relacionada com um noivado, e por qualquer dos elementos que a proíbe permanentemente, como sangue do mesmo sangue, amamentar da mesma pessoa, etc..

Permissão da noiva

     O próximo elemento necessário do contrato de casamento é a permissão da noiva. Sem sua permissão, o contrato é nulo, se torna sem efeito, ou pôde ser anulado pelas autoridades islâmicas, a pedido da noiva.

     A permissão mínima necessária pode ser feita quer manifestando sua aprovação ou através de uma expressão passiva, como permanecer em silêncio quando questionada sobre certo marido, e simplesmente balançando a cabeça, ou fazendo qualquer outra moção, para indicar que ela não se opõe ao casamento.

     O Profeta (saws) disse: “Uma mulher viúva ou divorciada, não pode se casar sem suas instruções, e uma virgem não pode se casar sem sua permissão, e seu silêncio indica o seu consentimento”. Sahih Bukhari e Muslim.

Wali (responsável) da Mulher.

      O próximo requisito para um contrato ser válido, é a aprovação do guardião da mulher, conhecido como Wali.

     O Mensageiro de Deus (saws) disse: Um casamento (contrato)não é válido sem wali“. AbuDawud, At-Tirmidhi, e outros–Verificado como autêntico por al-Albani.

     Normalmente, o wali de uma mulher é seu pai. Se, por qualquer razão, seu paí é incapaz de ser seu Wali, seu wali seria então sua relação de sangue mais próximo: O avô, o tio, o irmão, o filho e assim por diante. Não é admissível que uma mulher tenha outra mulher como Wali.

      O Profeta (saws) disse: “Uma mulher não pode oferecer outra em casamento, nem pode oferecer uma mulher (independente) em casamento.” Ibn Majah, al-Bayhaqi e outros–verificado como autêntico por al-Albani.

     Se a noiva não tem um parente de sangue muçulmano como wali, a autoridade islâmica representada pelo governante ou juiz ira nomear um wali para ela. Nas comunidades não muçulmanas o Imam local é o único a ser indicado como o wali de um a mulher que não tem Wali.

     O Mensageiro de Deus (saws) disse: Um casa mento (contrato) não ey válido sem um Wali. E a autoridade é o wali de quem não tem um wali“.Ahmad e Abu Daud–verificadocomoautênticopor al-Albani

     A presença do wali ou de um representante nomeado é um elemento integrante do contrato, caso contrário o contrato é considerado inválido.

As testemunhas

     Outra condição para a validade de um contrato de casamento éa presença de pelo menos duas testemunhas confiáveis, muçulmanos do sexo masculino.

     O Mensageiro de Deus (saws) disse: “Um casamento não é válido sem wali e duas testemunhas confiáveis”.Ahmad, Ibn Hibbaan e outros–Hadith Autêntico de acordo com al-Albani.

Contrato de casamento - parte 1

O Contrato de Casamento

Seu elemento Básico

     Todos os louvores são devidos à Allah (swt), o criador do mundo e as leis que a regem. E a Paz e as bênçãos de Deus estejam sobre Seu servo e último dos mensageiros, Muhammad (saws), que foi enviado, para orientar as pessoas no caminho reto, tirando-os do caminho das trevas e do shirk (politeísmo), para o caminho da luz e do Tawhid (monoteísmo). Saiba querido leitor que Allah (swt) criou as coisas em pares.

     Os pares devem ficar juntos de certa maneira, para que ocorra a reprodução. O caminho para a reprodução se ocorrer entre os seres humanos “homens e mulheres”,e isso se faz através do casamento, conhecido em árabe como nikaah.
O islam ordena aos muçulmanos que se casem, e proíbe as relações pré matrimoniais.
Allah, O Altíssimo diz no alcorão sagrado:“E Cásai os solteiros entre vos,e os íntegros…”SuratuNa-Nur-24:32

     Alem disso, o Mensageiro de Deus(saws) num hadith encontrado em Sahih Bukhari e Muslim, ordenou que os jovens se casassem, e informou que alguns devessem jejuar como um meio de controlar seus desejos sexuais.
     A partir de uma perspectiva islâmica,o casamento não é visto apenas como um meio de satisfazer os desejos e paixões naturais. Seus objetivos são muito mais profundos do que apenas a obtenção do sexo legal. Allah (swt) aponta um dos principais objetivos por trás só,dizendo:“E entre seus sinais está que Ele criou,para vós,companheiras de entre vós ,e colocou entre voz afeição e misericórdia. Por certo,há nisso sinais para um povo que reflete." SuratuAr-Room–30:21
     Por isso, o fenômeno do celibato ou o celibato são práticas não islâmicas que resultam na devastação, afetando a comunidade, e que representam uma ameaça ao mundo. Quer saber o que é a devastação? E como isso ameaça o mundo?As respostas a estas perguntas são encontradas em comunidades não muçulmanas.

      Todos os dias ouvimos e observamos com nossos próprios olhos, as formas pervertidas e pecaminosas dos Kuffar (incrédulos).
Essas formas que eles consideram aceitável em suas sociedades têm levado a muitos tipos de doenças como AIDS, sífilis entre outras, como resultado de sua escolha em seguir o caminho natural de abstenção do casamento.

     O matrimônio, ou contrato de casamento, é um vínculo formal que torna dois indivíduos de estranhos para marido e mulher. É o contrato mais importante que a maioria das pessoas executam durante suas vidas. Isso porque o contrato de casamento tem um grande significado, e o Islam impõe uma série de diretrizes que devem serem cumpridas.

    
      Muitos muçulmanos que estão envolvidos em relações pré matrimoniais, deixam de realizar o contrato devido à sua ignorância sobre os elementos que o envolvem. Assim, continuam a viver uma vida pecaminosa, devido às influências culturais que os levam a pensar que o processo é burocrático e muito exigente.

      Antes de nos aprofundar no assunto que diz respeito aos elementos básicos do casamento, vale à pena mencionar aqui que o casamento é um assunto sério e deve ser tratado com seriedade. Não é permitido a um homem casar-se e em seguida, afirmar que ele realmente não queria ter feito aquilo, ou que ele estava apenas brincando.

    
      O Mensageiro de Deus (saws) disse: “Há três questões nas quais não e permitida a piada: no casamento, no divórcio e na emancipação (de escravos).
Sunan At-Tirmidhi–sua cadeia foi verificada por Hasan al-Albani.
O contrato de casamento islâmico tem condições, requisitos, princípios e elementos opcionais. Um contrato deve cumprir as seguintes condições e princípios, a fim de ser válido:
*Elegibilidade dos noivos,
*Permissão da noiva,
*Dote,
*Wali,
*Testemunhas,
*Condições,
*Execução do contrato.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Grupos Sobre O Islam - Em Português

Salam.



Estou com 2 grupos de estudos do Islam no whatsapp. Por enquanto apenas em português.
Como anunciado anteriormente meu objetivo é falar sobre o islam para as pessoas, assim, pessoas de outras religiões que desejarem participar serão sim bem vindas.
Basta me mandar uma mensagem, meu número está na página de contato.




Grupo apenas feminino.








Grupo misto.




sábado, 30 de abril de 2016

A Mulher no Islam - Parte 14 - POLIGAMIA

 Por: Sherif Abdel Azim



    Passemos agora para a importante questão que é a poligamia. A poligamia
é uma prática muito antiga, encontrada em muitas sociedades humanas. A Bíblia
não condenou a poligamia. Pelo contrário, o Velho Testamento e os escritos
rabínicos frequentemente atestam a legalidade da poligamia. Dizem que o Rei
Salomão teve 700 esposas e 300 concubinas (Reis 11:3). Também o Rei David
teve muitas esposas e concubinas (2 Samuel 5:13). O Velho Testamento tem
algumas injunções em como distribuir a propriedade de um homem entre os
seus filhos de diferentes mulheres (Deuteronômio 22:7). A única restrição com
relação à poligamia é a proibição de tomar uma irmã da esposa como uma
esposa rival (Levítico 18:18). O Talmud aconselha a um máximo de 4
esposas(51). Os judeus europeus continuaram a praticar a poligamia até o século
XVI.
    Os judeus orientais praticavam a poligamia regularmente até à chegada
a Israel, onde ela foi proibida por lei. Contudo, na lei religiosa, que sobrepuja
a lei civil em tais casos, a poligamia é permitida(52).
    E com relação ao Novo Testamento? De acordo com o padre Eugene
Hilman, no seu penetrante livro, a poligamia é reconsiderada, "Em parte alguma
do Novo Testamento há uma orientação expressa de que o casamento deve ser
monogâmico ou qualquer orientação que proíba a poligamia"(53). Além disso,
Jesus não falou contra a poligamia, embora ela fosse praticada pelos judeus de
sua época. O padre Hillman chama a atenção para o fato de que a Igreja de
Roma proibiu a poligamia, a fim de se adequar à cultura Greco-romana (que
prescrevia somente uma esposa legal, enquanto que tolerava o concubinato e a
prostituição). Ele citou Santo Agostinho, "Agora, no nosso tempo, e de acordo
com o costume romano, não é mais permitido tomar uma outra esposa"(54).
As igrejas africanas e os cristãos africanos muitas vezes lembram aos seus irmãos
europeus que a proibição da poligamia é mais uma tradição cultural do que
uma autêntica injunção cristã.
O Alcorão também permitiu a poligamia, mas não sem algumas restrições:

"Se temerdes ser injustos no trato com os órfãos, podeis desposar
duas, três ou quatro das que vos aprouver entre as mulheres. Mas. se
temerdes não poder ser equitativos para com elas, casai, então, com uma
só." (4:3).

    O Alcorão, ao contrário da Bíblia, limitou o número de esposas a 4, sob
a estrita condição de que as esposas sejam tratadas igualmente. Isto não deve
ser entendido como uma exortação a que os crentes pratiquem a poligamia, ou
que a poligamia seja considerada como um ideal. Em outras palavras, o Alcorão
"tolera" ou "permite" a poligamia, e não mais, mas porquê? Porque é a poligamia
permitida? A resposta é simples: há lugares e épocas em que razões morais e
sociais compelem para a poligamia. Como os versículos do Alcorão acima
indicam, a questão da poligamia no Islam não pode ser entendida separadamente
das obrigações da comunidade em relação aos órfãos e viúvas. O Islam, como
uma religião universal, aplicável para todos os lugares e tempos, não poderia
ignorar essas pressões.
    Em muitas sociedades humanas, as mulheres superam os homens em
quantidade. Em um país como a Guiné, há 122 mulheres para cada 100 homens.
Na Tanzânia, há 95,1 homens para 100 mulheres(55). O que uma sociedade
deve fazer para resolver esse desequilíbrio? Existem várias soluções, e alguns
podem sugerir o celibato, outros preferem o infanticídio feminino (que ainda
acontece no mundo de hoje em alguns lugares). Outros, ainda, podem achar
que a única saída é a sociedade tolerar todas as formas de permissividade
sexual: prostituição, sexo fora do casamento, homossexualismo, etc. Para outras
sociedades, como a maior parte das sociedades africanas de hoje, a saída mais
honrosa é permitir o casamento poligâmico, como uma instituição culturalmente
aceite e socialmente respeitada. A questão, que é muitas vezes incompreendida no Ocidente,
 é a de que muitas mulheres de outras culturas necessariamente
não veem a poligamia como um sinal de degradação da mulher. Por exemplo,
muitas jovens noivas africanas, sejam cristãs ou muçulmanas, prefeririam casarse
com um homem casado, que tenha provado ser um marido responsável.
     Muitas esposas africanas persuadem os seus maridos a tomar uma
segunda esposa e assim eles não se sentem sozinhos (56). Uma pesquisa realizada
na segunda maior cidade da Nigéria com 600 mulheres, com idades entre 15 e
59 anos, mostrou que 60% dessas mulheres não se importariam que os seus
maridos tivessem uma outra esposa. Somente 23% expressaram raiva ante a
idéia de dividirem os seus maridos com outras mulheres. 76% das mulheres
que se manifestaram numa pesquisa realizada no Quênia, viram a poligamia
positivamente. Em outra pesquisa realizada no campo, 25 de 27 mulheres
consideraram a poligamia melhor do que a monogamia.
    Estas mulheres sentiram que a poligamia pode ser uma experiência feliz
e benéfica se as co-esposas cooperarem umas com as outras (57). A poligamia,
na maior parte das sociedades africanas é uma instituição tão respeitada que
algumas igrejas protestantes começaram a tolerá-la, "Embora a monogamia
possa ser ideal para a expressão do amor entre o marido e a esposa, a igreja
deve considerar que em certas culturas a poligamia é socialmente aceitável e
que a crença de que a poligamia é contrária ao cristianismo não se sustenta por
muito tempo" (58).
    Depois de um cuidadoso estudo sobre a poligamia africana, o Reverendo
David Gitari, da Igreja Anglicana, concluiu que a poligamia, como idealmente
praticada, é mais cristã do que o divórcio e o novo casamento, porque há uma
preocupação com as esposas e crianças abandonadas (59). Eu pessoalmente
conheço algumas esposas africanas, finamente educadas, que apesar de terem
vivido no Ocidente por muitos anos, não fazem qualquer objeção à poligamia.
Uma delas, que mora nos USA, solenemente estimula o seu marido a tomar
uma segunda esposa para ajudá-la na criação das crianças.
    O problema do desequilíbrio entre os sexos começa na verdade nos
problemáticos tempos de guerra. Os índios nativos americanos costumavam sofrer
com essa desigualdade de número entre homens e mulheres,
principalmente após as perdas dos tempos de guerra. As mulheres dessas tribos,
que na verdade desfrutavam de uma alta posição, aceitavam a poligamia como
a melhor proteção contra a tolerância de atividades indecentes. Os colonos
europeus, sem oferecerem qualquer outra alternativa, condenavam a poligamia
indiana considerando-a "incivilizada" (60).
    Após a Segunda Guerra Mundial havia na Alemanha 7.300.000 mais
mulheres do que homens (3.3 milhões delas eram viúvas). Havia 100 homens
na idade de 20 a 30 anos para cada 167 mulheres naquele mesmo grupo de
idade (61). Muitas dessas mulheres necessitavam de um homem, não apenas
como uma companhia mas, também, como um sustentador para a casa, num
tempo de miséria e injustiça sem precedentes. Os soldados do exército aliado
vitorioso exploravam a vulnerabilidade dessas mulheres. Muitas jovens e viúvas
tinham ligações com membros das forças de ocupação. Muitos soldados
americanos e britânicos pagavam pelos seus prazeres com cigarros, chocolates
e pães. As crianças ficavam felizes com os presentes que os estrangeiros
traziam. Um menino de 10 anos, vendo esses presentes noutras crianças,
desejava ardentemente um "inglês" para a sua mãe e assim, ela não precisaria
passar fome por tanto tempo (62).
    Devemos perguntar à nossa consciência esta questão: O que dignifica
mais uma mulher? Uma segunda esposa, aceite e respeitada, ou uma prostituta
virtual, como no caso da abordagem "civilizada" das forças aliadas na
Alemanha? Em outras palavras, o que dignifica mais uma mulher, a prescrição
alcorânica ou a teologia baseada na cultura do império romano?
    É interessante notar que, numa conferência da juventude internacional,
realizada em Munique, em 1948, o problema alemão do desequilíbrio no
número de homens e mulheres foi discutido. Quando ficou claro que não havia
solução consensual, alguns participantes sugeriram a poligamia. A reação inicial
da reunião foi uma mistura de choque e repugnância. Contudo, após um estudo
cuidadoso da proposta, os participantes concordaram que a poligamia era a única solução possível. Consequentemente, a poligamia estava incluída entre
as recomendações finais da conferência (63).
    Atualmente, o mundo possui mais armas de destruição em massa do que
jamais houve em qualquer tempo e as igrejas europeias podem, mais cedo ou
mais tarde, ver-se obrigadas a aceitar a poligamia como o único caminho. O
Padre Hillman, após muito pensar, admitiu este fato: "É quase concebível que
aquelas técnicas genocidas (nuclear, biológica, química...) podem produzir
um desequilíbrio tão drástico entre os sexos que o casamento plural poderia
ser um meio necessário de sobrevivência... Em tal situação, os teólogos e os
líderes das igrejas deveriam rapidamente produzir razões importantes e textos
bíblicos que justifiquem um novo conceito de casamento."(64)

    Nos dias atuais, a poligamia continua a ser a solução viável para alguns
males das sociedades modernas. As obrigações comunitárias a que o Alcorão
se refere, juntamente com a permissão da poligamia, são mais perceptíveis
atualmente nas sociedades ocidentais do que na África. Por exemplo, nos USA
de hoje, há uma séria crise na comunidade negra. Um em cada 20 jovens negros
podem morrer antes de atingir a idade de 21 anos. Para aqueles que estão entre
os 20 e 35 anos, o homicídio lidera a causa da morte (65).
    Além disso, muitos rapazes negros estão desempregados, na prisão ou
são viciados (66). Como consequência, uma em quatro mulheres negras, na idade
de 40 anos, nunca se casou, enquanto que este número é de um para dez
mulheres brancas (67).
    Além do mais, muitas jovens negras tornam-se mães solteiras antes dos
20 anos e encontram-se na situação de serem mantidas. O resultado final dessas
trágicas circunstâncias é que há um aumento no número de mulheres negras
comprometidas com "homem-partilhado" (68).
    Isto é, muitas dessas infelizes mulheres negras solteiras estão envolvidas
em casos com homens casados. As esposas muitas vezes não têm consciência
do fato de que outras mulheres estão dividindo os seus maridos consigo. Alguns
observadores da crise do "homem-partilhado" na comunidade africana na América têm
recomendado a poligamia consensual, como uma resposta
temporária para a diminuição do número de homens negros, até que reformas
mais abrangentes na sociedade americana sejam tomadas(69). Esses observadores
entendem a poligamia consensual como a poligamia sancionada pela
comunidade e na qual todas as partes envolvidas concordam, em oposição ao
segredo dos casos com homens casados, os quais sempre prejudicam tanto a
esposa como a comunidade em geral.
    O problema do "homem-partilhado" na comunidade africana da América
foi ponto de discussão num painel realizado na Universidade de Temple, na
Filadélfia, em 27.01.93 (70). Alguns dos palestrantes recomendaram a poligamia
como um remédio potencial para a crise. Eles também sugeriram que a
poligamia não podia ser banida por lei, particularmente numa sociedade que
tolera a prostituição e o concubinato. O comentário de uma das mulheres
participantes, de que os negros americanos precisavam aprender com a África,
onde a poligamia era praticada responsavelmente, conseguiu entusiásticos
aplausos.

    Philip Kilbride, um antropólogo americano, de tradição católica romana,
no seu livro provocante: "Casamento Plural para o Nosso Tempo", propõe a
poligamia como solução para alguns dos males da sociedade americana. Ele
argumenta que o casamento plural pode servir como uma alternativa potencial
para o divórcio em muitos casos, a fim de eliminar o impacto danoso do divórcio
sobre as crianças. Ele afirma que muitos divórcios foram causados pelo
excessivo número de casos extraconjugais ocorridos na sociedade americana.
    De acordo com Kilbride, transformar um caso extraconjugal num casamento
poligâmico, ao invés do divórcio, é melhor para as crianças. Além disso, ele
sugere que outros grupos também se beneficiarão do casamento plural, tais
como: mulheres mais velhas, que enfrentam uma crônica diminuição de homens
e os negros americanos, que estão envolvidos com o "homem-partilhado"(71).
    Em 1987, uma votação conduzida por um estudante de jornalismo da
Universidade de Berkeley, perguntava aos estudantes se eles concordavam
que os homens poderiam ser autorizados, por lei, a terem mais do que uma
esposa, tendo em vista a visível diminuição do número de candidatos
masculinos para o casamento na Califórnia. Quase todos os votantes aprovaram a ideia.
 Uma estudante chegou a declarar que o casamento poligâmico
preencheria as suas necessidades físicas e emocionais, porque lhe daria maior
liberdade do que uma união monogâmica (72). Na verdade, o mesmo argumento
foi usado por alguns poucos remanescentes das mulheres fundamentalistas
Mormom, que ainda praticam a poligamia nos USA.
Elas acreditam que a poligamia é um caminho ideal para a mulher ter,
tanto profissão como crianças, uma vez que as esposas se ajudam umas às
outras no cuidado com os filhos (73).
    Deve-se acrescentar que a poligamia no Islam é questão de consenso
mútuo. Ninguém pode forçar a mulher a casar-se com um homem casado.
Além disso, a esposa tem o direito de estipular que o seu marido não deve se
casar com outra mulher (74). A Bíblia, por outro lado, algumas vezes vale-se da
poligamia forçada. Uma viúva sem filhos deve casar-se com o seu cunhado,
mesmo que ele já seja casado (ver a seção "A condição das Viúvas") e
independentemente de seu consentimento (Gênesis 38:8-10).
    Deve notar-se que, em muitas sociedades muçulmanas de hoje, a prática
da poligamia é rara, uma vez que a diferença entre os sexos não é grande. Pode
dizer-se que o número de casamentos poligâmicos no mundo muçulmano é
muito menor do que o de casos extraconjugais no Ocidente. Em outras palavras,
os homens no mundo muçulmano são muito mais monogâmicos do que os
homens no mundo ocidental.

    Billy Grahan, o eminente evangélico cristão, reconheceu este fato: "O
cristianismo não pode comprometer-se com a questão da poligamia. Se hoje o
cristianismo não pode fazer isso, é em seu próprio detrimento. O Islam permitiu
a poligamia como uma solução para os males sociais e reconheceu um certo
grau de latitude da natureza humana, mas, somente dentro da estrutura
estritamente definida na lei.
    Os países cristãos fazem um estardalhaço sobre a monogamia, mas, na
verdade, eles praticam a poligamia. Ninguém ignora a existência das amantes
na sociedade ocidental. A esse respeito, o Islam é fundamentalmente uma
religião honesta, que permite a um muçulmano casar-se uma segunda vez se ele precisar, mas proíbe rigorosamente todas as associações clandestinas, a
fim de salvaguardar a probidade moral da comunidade."(75)
    Releva notar que muitos países no mundo de hoje, muçulmanos ou não,
proibiram a poligamia. Tomar uma segunda esposa, ainda que com o livre
consentimento da primeira, é uma violação da lei. Por outro lado, trair a esposa,
com ou sem o seu conhecimento e/ou consentimento, é perfeitamente legítimo.
Qual é a sabedoria legal por detrás de tal contradição? A lei foi feita para
premiar a decepção e punir a honestidade? Este é um dos paradoxos fantásticos
do nosso mundo "civilizado".






51. Swidler, op. cit., págs. 144-148.
52. Hazleton, op. cit., págs 44-45.
53. Eugene Hillman, Polygamy Reconsidered: African Plural Marriage and the Christian
Churches (Nova York: Orbis Books, 1975), pág. 140.
54. Ibid., pág. 17.
55. Ibid., págs. 88-93.
56. Ibid., págs. 92-97.
57. Philip L. Kilbride, Plural Marriage For Our Times (Westport. Conn.: Bergin & Garvey,
1994) págs. 108-109.
58. The Weekly Review, 1º de agosto de 1987.
59. Kilbride, op. cit., pág. 126.
60. John D'Emilioe Estelle B. Freedman, Intimate Matters: A History of Sexuality in America
(Nova York: Harper & Row Publishers, 1988) pág. 87.
61. Ute Frevert, Women in German History: Horn Bourgeois, Emancipation to Sexual Liberation
(Nova York: Berg Publishers. 1988) págs. 263-264.
62. Ibid., págs. 257-258.
63. Sabiq, op. cit., pág. 191.
64. Hillman, op. cit., pág. 12.
65. Nathan Hare e Julie Hare, ed., Crisis in Black Sexual Politics (San Francisco: Black Think
Tank, 1989) pág. 25.
66. Ibid., pág. 26.
67. Kilbride, op. cit., pág. 94.
68. Ibid., pág. 95.
69. Ibid.
70. Ibid., pág. 95-99.
71. Ibid., pág. 118.
72. Lang, op. cit., pág. 172.
73. Kilbride, op. cit., pág. 72-73.
74. Sabiq, op. cit., pág. 187-188.
75. Abdul Rahman Doi, Woman in Shari'ah (London: Ta-Ha Publishers, 1994)

A Mulher no Islam - Parte 13 - A CONDIÇÃO DAS VIÚVAS

Por: Sherif Abdel Azim


    O Velho Testamento não lhes reconhecia o direito de herança, e por isso
as viúvas eram as mais vulneráveis entre a população judaica. Os parentes
masculinos, que herdavam todo o patrimônio do marido morto, sustentavam a
mulher com a administração desse patrimônio. Contudo, as viúvas não tinham
meios de se assegurarem de que esta provisão estava sendo cumprida e, por
isso, viviam pela misericórdia dos outros. Assim, as viúvas estavam situadas
entre as classes mais baixas da antiga Israel e a viuvez era considerada um
símbolo de grande degradação (Isaías 54:4). Mas, a condição da viúva na
tradição bíblica ia mesmo além da sua exclusão na propriedade do marido.

    De acordo com o Gênesis 38, as viúvas sem filhos deviam casar-se com
o irmão dos seus maridos, mesmo que ele já fosse casado, pois, dessa maneira,
ele podia providenciar uma descendência para o seu irmão morto e, assim,
assegurar que o nome do irmão não morresse. Judá disse a Onan, "Deita-te
com a esposa do teu irmão e cumpre com o teu dever para com ela como um
cunhado, a fim de gerar descendência para o teu irmão". (Gênesis 38:8).

    O consentimento da viúva para este casamento não era exigido. A viúva
era tratada como parte da propriedade do marido morto e a sua principal função
era assegurar a posteridade para o seu marido. Esta lei bíblica ainda hoje é
praticada em Israel (48). Uma viúva sem filhos em Israel é legada ao irmão do
seu marido. Se o irmão é muito jovem para casar, ela tem que esperar até ele
atingir a idade. Se o cunhado se recusar a casar com ela, então ela fica livre
para se casar com um homem da sua escolha. Não é incomum em Israel que as
viúvas sejam submetidas à chantagem por parte dos seus cunhados a fim de
ganharem a sua liberdade.

    Os árabes pagãos antes do Islam, tinham práticas semelhantes. Uma viúva
era considerada uma parte da propriedade do marido a ser legada aos herdeiros
masculinos e comumente ela era dada em casamento ao filho mais velho do
marido falecido com outra esposa. O Alcorão sarcasticamente atacou e aboliu
este costume degradante:

"Não vos caseis com as mulheres que desposaram os vossos pais -
salvo fato consumado (anteriormente) - porque é uma obscenidade, uma
abominação e um péssimo exemplo.” (4:22).

    As viúvas e as mulheres divorciadas eram tão mal vistas na tradição
bíblica que um sacerdote não podia casar-se com uma viúva, uma divorciada
ou uma prostituta: "A mulher com quem ele (sacerdote) se casar deve ser virgem.
Ele não deve casar-se com uma viúva, uma divorciada ou uma mulher
corrompida pela prostituição, mas somente com uma virgem de seu próprio
povo e assim ele não conspurcará a sua descendência entre o seu povo."
(Levítico 21:13/15)
    Atualmente em Israel, um descendente da casta Cohen (os sacerdotes
dos dias do Templo) não pode casar-se com uma divorciada, uma viúva ou
uma prostituta(49). Na legislação judaica, uma mulher que enviuvou três vezes,
com todos os três maridos morrendo de causa natural, considerada "fatal" e
proibida de casar de novo(50). O Alcorão, por outro lado, não reconhece castas
ou pessoas fatais. Viúvas e divorciadas têm liberdade para se casarem com
quem quer que seja que elas escolham. Não há estigma ligado ao divórcio ou
à viuvez no Alcorão:

"Quando vos divorciardes das mulheres, ao terem elas cumprido o
seu período prefixado, (se quiserdes) tomai-as de volta eqüitativamente,
ou libertai-as eqüitativamente. Não as tomeis de volta com o intuito de
prejudicá-las ou para terdes vantagem indevida, porque quem tal fizer
condenar-se-á. Não zombeis dos versículos de Allah." (2:231).

"Se algum de vós vier a falecer e deixar viúvas, elas deverão aguardar
quatro meses e dez dias. Quando elas tiverem cumprido seu período, não
sereis responsáveis pelo que elas fizerem de suas vidas honestamente"
(2.240)




48. Hazleton, op. cit., págs. 45-46.
49. Ibid., pág. 47.
50. Ibid., pág. 49.

A Mulher no Islam - Parte 10 - DIVÓRCIO

Por: Sherif Abdel Azim



    As três religiões têm diferenças importantes nas suas posições em relação
ao divórcio. O cristianismo abomina o divórcio complemente. O Novo Testamento,
inequivocamente, advoga a indissolubilidade do casamento. Atribui se
a Jesus o ter dito, "Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua
mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério, e
qualquer que casar com a repudiada comete adultério." (Mateus, 5:32).
     Este ideal intransigente é, sem dúvida, irreal. Ele pressupõe um estado de perfeição
moral que as sociedades humanas jamais alcançaram. Quando um casal percebe
que sua vida conjugal não tem mais jeito, negar o divórcio em nada irá ajudá-lo.
Forçar casais, que não se dão bem, a viverem juntos contra as suas vontades
não produz qualquer efeito, além de não ser razoável. Não espanta que o mundo
cristão tenha sido obrigado a sancionar o divórcio.
    O judaísmo, por outro lado, permite o divórcio, mesmo sem qualquer
razão ou causa. O Velho Testamento dá ao marido o direito de se divorciar de
sua esposa, mesmo que ele apenas se antipatize por ela: “Se um homem se
casa com uma mulher que venha a se tornar desagradável a ele, porque ele
descobre alguma coisa indecente sobre ela, ele assina o certificado de divórcio
e o dá para a esposa e a manda embora de sua casa.E se, depois de ela deixar a
sua casa. e se tornar a esposa de um outro homem, e esse segundo marido não
a quiser mais, se ele emitir o certificado de divórcio, e a mandar embora de sua
casa, ou se ele morrer, aquele primeiro marido, que se havia divorciado dela,
não pode mais casar-se com ela.” (Deuteronômio 24:1/4).
    Os versos acima, causaram alguns debates consideráveis entre os exegetas
judeus, por causa da discordância com o significado das palavras "desagradar",
"indecência" e "antipatizar", mencionadas neles. O Talmud registra as suas
diferentes opiniões: "A escola de Shamai entendeu que um homem não deve
divorciar-se da sua esposa, a menos que ela seja culpada de alguma má conduta
sexual, enquanto que a escola de Hillel diz que ele pode divorciar-se, mesmo
que ela simplesmente tenha quebrado um prato. O Rabino Akiba diz que o
homem pode divorciar-se dela simplesmente porque ele encontrou uma mulher
mais bonita do que a sua esposa." (Gittin 90 a-b).
O Novo Testamento segue a opinião dos Shamaitas, enquanto que a lei
judaica tem seguido a opinião dos Hillelitas e a do Rabino Akiba.(33)

    Desde que o ponto de vista dos Hillelitas tem prevalecido, a tradição da
lei judaica, de permitir o divórcio sem uma causa forte, foi quebrada. O Velho
Testamento não só dá ao marido o direito ao divórcio de uma esposa
"desagradável", como considera o divórcio de uma "esposa má" uma obrigação:
"Uma esposa má traz humilhação, olhar abatido e coração ofendido. Mãos
frouxas e joelhos fracos tem o homem cuja mulher falhou em fazê-lo feliz. A
mulher é a origem do pecado e é por causa dela que nós todos vamos morrer".
"Não deixe a água escapar, nem dê liberdade de falar para a mulher má.
Se ela não obedece às ordens que você lhe dá, separe-se dela." (Eclesiasticos
25:25-26).
    O Talmud registrava uma série de atos das esposas, pelos quais os maridos
eram obrigados a divorciar-se delas: "se ela comeu na rua, se ela bebeu
avidamente na rua, se ela amamentou na rua, em cada caso, o Rabino Meir diz
que ela deve deixar o seu marido" (Git. 89a). O Talmud também torna
obrigatório o divórcio de uma mulher estéril (que não gera filhos por um período
de 10 anos): "Nossos rabinos ensinaram: Se um homem tomou uma esposa e
viveu com ela por 10 anos e ela não gerou filhos, ele deve divorciar-se dela
(Yeb.64a).
    As esposas, por outro lado, não podiam iniciar o divórcio de acordo com
a lei judaica. A esposa judia, contudo, poderia reclamar o direito ao divórcio
perante uma corte judia, desde que apresentasse uma forte razão para tal. São
muito poucas as coisas que uma esposa podia apresentar para pedir o divórcio:
um marido com defeitos físicos ou doença de pele, um marido que não
cumprisse suas responsabilidades conjugais, etc. A Corte pode ajudar na
reclamação da esposa, mas não pode dissolver o casamento. Somente o marido
pode fazê-lo. A corte podia açoitar, mandar prender e excomungar o marido
para obrigá-lo a conceder o certificado de divórcio. Contudo, se o marido é
teimoso o suficiente, ele pode recusar-se a garantir o direito de divórcio à sua
esposa e mantê-la amarrada a ele indefinidamente. Pior ainda, ele pode deserdála
sem lhe garantir o divórcio e deixá-la descasada e sem estar divorciada. Ele
pode casar-se com outra mulher, ou mesmo morar com qualquer mulher solteira
fora do lar e ter filhos desta última (estas crianças são consideradas legítimas
pela lei judaica). A esposa deserdada, por outro lado, não pode casar-se com
ninguém, porque ela será considerada adúltera e os filhos de uma futura união
são considerados ilegítimos por 10 gerações. Uma mulher em tal situação é
chamada de "agunah" (mulher presa).(34)

    Nos USA, hoje, há aproximadamente de 1000 a 1500 mulheres judias
que são "agunot", enquanto que em Israel o seu número pode estar acima dos
1600. Os maridos podem extorquir milhares de dólares dessas mulheres presas
em troca de um divórcio de acordo com a lei judaica.(35)
    O Islam ocupa o meio termo entre o cristianismo e o judaísmo, com
relação ao divórcio. O casamento no Islam é uma bênção santificada, que não
deve ser quebrada, exceto por razões relevantes. Os casais são instruídos a
procurar todos os remédios possíveis, sempre que os seus casamentos estiverem
sob ameaça. O divórcio não é para ser usual, exceto quando não há qualquer
outro caminho ou solução. Resumidamente, o Islam reconhece o divórcio,
contudo ele o desencoraja por todos os meios possíveis.
    O Islam reconhece o direito de ambos os parceiros a terminarem as suas
relações matrimoniais. O Islam dá ao marido o direito ao divórcio. Além disso,
o Islam, diferentemente do judaísmo, garante à esposa o direito de dissolver o
casamento através do que é conhecido como "Khul’a".(36) Se o marido dissolve
o casamento, ele não pode retirar qualquer dos presentes de casamento
que ele lhe tenha dado. O Alcorão explicitamente proíbe aos maridos
divorciados de obterem de volta os presentes de casamento, não importando
quanto eles tenham custado.

"Se desejardes trocar de esposa, tendo-a dotado com um quintal,
não lho diminuais em nada. Tomá-lo-íeis de volta, com a falsa imputação
e um delito flagrante?" (4:20).

No caso de ser a esposa a escolher o fim do casamento, ela pode devolver
os presentes ao seu marido. Retornar os presentes de casamento é uma
compensação para o marido que gostaria de manter a esposa, enquanto que ela
escolheu deixá-lo. O Alcorão instruiu os muçulmanos a não tomar de volta os
presentes que eles deram às esposas, exceto no caso de a esposa escolher
dissolver o casamento:

"Está-vos vedado tirar-lhes algo de tudo quanto lhes haveis dotado,
a menos que ambos temam contrariar as leis de Allah. Se temerdes (vós
juízes) que ambos as contrariem, ambos não serão recriminados, se ela
der algo pela sua liberdade. Tais são os limites de Allah; não os ultrapasseis,
pois. Aqueles que os ultrapassarem serão injustos." (2.229).

    Certa vez uma mulher foi ter com o Profeta procurando a dissolução do
seu casamento. Ela disse ao Profeta que não tinha qualquer queixa contra o
marido, com relação ao caráter ou aos modos. Seu único problema era que ela,
honestamente, não gostava dele a ponto de ser capaz de viver com ele por
muito tempo. O Profeta lhe perguntou. "Você devolveria o seu pomar de volta?"
(o presente de casamento que ela havia recebido) e ela disse: "Sim". O Profeta
então orientou o homem a tomar de volta o seu pomar e aceitar a dissolução do
seu casamento (Bukhári).
    Em alguns casos, uma esposa muçulmana pode querer manter seu
casamento, mas acha-se obrigada a pedir o divórcio por causa de alguns motivos
relevantes, tais como: crueldade do marido, deserção sem razão, um marido
que não preenche suas responsabilidades conjugais, etc. Nestes casos, a corte
muçulmana dissolve o casamento(37).
    Em resumo, o Islam tem oferecido à mulher muçulmana alguns direitos
inigualáveis: ela pode terminar o casamento através da "Khul’a" e pedir o
divórcio. Uma esposa muçulmana não pode nunca se tornar prisioneira de um
marido recalcitrante. Foram esses direitos que seduziram as mulheres judias,
que viviam nas primeiras sociedades islâmicas do séc. VII, d.C. a procurarem
obter os certificados de divórcio dos seus maridos judeus nas cortes
muçulmanas. Os rabinos declararam aqueles certificados nulos e inválidos. A
fim de terminar esta prática, os rabinos deram novos direitos e privilégios às
mulheres judias, na expectativa de enfraquecer o encanto das cortes
muçulmanas. Não se oferecia às mulheres judias, que viviam nos países cristãos, qualquer privilégio semelhante onde a lei romana de divorcio, então praticada,
não era mais atraente do que a lei judia.(38)
    Agora focalizemos nossa atenção sobre como o Islam desencoraja o
divorcio. O Profeta do Islam disse aos crentes que: "entre todos os atos lícitos,
o divorcio é o mais odiado por Deus" (Abu Daoud). Um muçulmano não deve
divorciar-se da sua esposa, apenas porque ele não se simpatiza mais com ela.
O Alcorão orienta o muçulmano a ser gentil com as suas esposas, mesmo em
caso de emoções fortes ou sentimentos de desagrado:

"E harmonizai-vos com elas, pois se as menosprezardes, podereis
estar depreciando seres que Allah dotou de muitas virtudes." (4:19).

    O Profeta Mohammad deu uma orientação semelhante: "Um crente não
deve odiar uma crente. Se ele não gosta de alguma coisa, ele poderá se agradar
de outras" (Musslim). O Profeta também enfatizou que os melhores
muçulmanos eram aqueles que eram os melhores para as suas esposas: "Os
crentes que mostram a fé mais perfeita são aqueles que têm o melhor caráter e
o melhor dentre vocês é aquele que é o melhor com as suas esposas" (Tirmizi).

    Contudo, o Islam é uma religião prática e reconhece que há algumas
circunstâncias nas quais o casamento chega à beira do colapso. Em tais casos,
o simples conselho de gentileza ou autocontrole não é a solução viável. Assim,
o que fazer a fim de salvar o casamento nesses casos? O Alcorão oferece alguns
conselhos práticos para os casais cujo parceiro é o injusto. Para o marido, cuja
má conduta da esposa está ameaçando o casamento, o Alcorão dá 4 tipos de
conselho, como detalhado nos versículos seguintes:

"Quanto àquelas de quem constatais rebeldia, admoestai-as (na
primeira vez), abandonai os seus leitos (na segunda vez) e castigai-as (na
terceira vez); porém, se vos obedecerem, não procureis meios (escusos)
contra elas. Sabei que Allah é Excelso, Magnânimo. E se temerdes
desacordo entre ambos (esposo e esposa), apelai para um árbitro da família
dele e outro da dela. Se ambos desejarem reconciliar-se, Allah os
reconciliará, porque é Sapiente, Inteiradíssimo."(4:34/35).

    Os três primeiros devem ser tentados primeiro. Se não funcionar, então
a ajuda das famílias envolvidas deve ser procurada. Deve-se notar que à luz
dos versículos acima, bater numa esposa rebelde é uma medida temporária e
que está colocada em terceiro lugar para os casos de extrema necessidade, na
esperança de que isto possa remediar a esposa injusta. Se isto funcionar, não
se permite ao marido sob qualquer meio, de continuar a molestá-la. Se não
funcionar, não deve usar esta medida por muito tempo e o passo final da
reconciliação, assistida pela família, deve ser explorada.
    O Profeta Mohammad orientou os maridos muçulmanos a não recorrerem
a tais medidas, exceto em casos extremos, tais como atos lascivos cometidos
pela esposa. Mesmo nestes casos, a punição deveria ser branda e, se a esposa
desistisse, o marido não deveria irritá-la. "No caso de elas serem culpadas de
lascívia, vós podeis deixá-las sozinhas em suas camas e infligir-lhes uma
punição branda. Se elas forem obedientes, não procurais motivos de
aborrecimento contra elas." (Tirmizi).
    Além disso, o Profeta do Islam condenou qualquer surra injustificada.
Algumas esposas muçulmanas se queixaram a ele de que os seus maridos lhes
batiam. Ouvindo isso, o Profeta categoricamente estabeleceu: "Aqueles que
fazem isso (bater nas esposas) não são os melhores dentre vós" (Abu Dauod).
Deve ser lembrado também que o Profeta disse, com relação a essa questão:
"Os melhores dentre vós são aqueles que são os melhores com a sua família, e
eu sou o melhor dentre vós para a minha família" (Tirmizi).
O Profeta aconselhou uma muçulmana, de nome Fátima bint Qais, a não
se casar com um determinado homem porque ele era conhecido por bater em
mulheres: "Eu fui ao Profeta e disse: Abul Jahm e Mu'awiya propuseram-me
casamento. O Profeta (a título de conselho) disse: Quanto a Mu'awiya, ele é
muito pobre, e quanto a Abul Jahm, ele está acostumado a bater em mulheres"
(Musslim).
    Deve-se notar que o Talmud sanciona a surra na esposa, como castigo
com fins disciplinares.(39) O marido não fica restrito àqueles casos de lascívia.
Ele pode bater na sua esposa, mesmo que ela se recuse a fazer os seus serviços
domésticos. Além disso, ele não se limita apenas àqueles casos de punição
leve. Ele pode quebrar a teimosia da esposa com chibatadas ou deixando-a
com fome.(40)
Para a esposa, cuja má conduta do marido é causa para o fim do
casamento, o Alcorão oferece o seguinte conselho:

"Se uma mulher notar indiferença ou menosprezo por parte de seu
marido, não haverá mal em se reconciliarem amigavelmente, porque a
concórdia é o melhor" (4:128).

    Neste caso, aconselha-se à mulher a procurar a reconciliação com o seu
marido (com ou sem a assistência familiar). É de se notar que o Alcorão não
aconselha a esposa a valer-se da abstenção do sexo. A razão para este disparate
pode ser para proteger a esposa de uma reação física violenta pelo já raivoso
marido.
    Tal reação física violenta será muito pior, tanto para o marido quanto
para a esposa, além de prejudicar mais ainda o casamento. Alguns exegetas
têm sugerido que a corte pode aplicar aquelas medidas contra o marido em
nome da esposa. Quer dizer, a corte primeiro repreende o marido rebelde e,
então, proíbe-o de deitar-se com ela e, finalmente, executa uma surra
simbólica.(41)
   Em resumo, o Islam oferece aos casais muçulmanos conselhos muito
mais viáveis para salvar-lhes o casamento em caso de problemas e tensão. Se
uma das partes prejudica a relação matrimonial, a outra parte é aconselhada pelo Alcorão a fazer o que for possível e efetivo para salvar esta sagrada bênção.
Se todas as providências falharem, o Islam permite aos casais separarem-se
pacífica e cabalmente.




33. Epstein, op. cit., pág. 196.
34. Swidler, op. cit., págs. 162-163.
35. The Toronto Star, Apr. 8, 1995.
36. Sábiq, op. cit., pp. 318-329. Ver também Muhammad al Ghazali, Qadaya al Mar'a fi al
Taqalid al Rakida wal Wafida (Cairo: Dar al Shorooq, 4ª edição, 1992) págs. 178-180.
37. Ibid.,págs. 313-318.
38. David W. Amram, The Jewish Law of Divorce According to Bible and Talmud ( Philadelphia:
Edward Stern & CO., Inc., 1896) págs. 125-126.
39. Epstein, op. cit., pág. 219.
40. Ibid, págs 156-157.
41. Muhammad Abu Zahra, Usul al Fiqh al Islami (Cairo: al Majlis al A'la li Ri'ayat al
Funun, 1963) p. 66.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

A Mulher no Islam - Parte 9 - PROPRIEDADE DA ESPOSA?

Por: Sherif Abdel Azim



    As três religiões partilham uma fé inabalável na importância do casamento
e da vida familiar. Elas também concordam acerca da liderança do marido
sobre a família. No entanto, diferenças gritantes existem entre as três religiões,
com relação aos limites dessa liderança. A tradição judaico-cristã, diferente do
Islam, virtualmente estende a liderança do marido até o direito de posse sobre
a sua esposa.

    A tradição judaica, com referência ao papel do marido em relação à sua
esposa, origina-se do conceito de que ele a possui como sua escrava (19). Este
conceito foi a razão que norteou o padrão duplo nas leis do adultério e na
capacidade de o marido anular os juramentos da sua esposa. Este conceito foi
também o responsável para se negar à esposa qualquer controle sobre a sua
propriedade ou ganhos. Assim que a mulher judia se casava, ela perdia
completamente qualquer controle sobre sua propriedade e ganhos para o seu
marido. Os rabinos judeus afirmavam que o direito do marido sobre a
propriedade da sua esposa era um corolário da sua posse sobre ela: "Desde
que alguém entre na posse da mulher não deveria entrar na posse da sua
propriedade também?", e "Desde que ele tenha adquirido a mulher, não deve
ele adquirir a sua propriedade também?"(20). Assim, o casamento determinava
que a mulher mais rica ficasse praticamente sem um tostão. O Talmud descreve
a situação financeira da esposa como se segue:


"Como pode uma mulher ter alguma coisa; o que quer que seja dela,
pertence ao seu marido? O que é dele é dele e o que é dela é também dele ...
Seus ganhos, e o que ela possa encontrar nas ruas, também são dele. Os artigos
domésticos, mesmo as migalhas de pão sobre a mesa, são dele. Ter um
convidado em sua casa e alimentá-lo é roubar do seu marido ..." (San. 71a,
Git. 62a.).

    A questão é que a propriedade da mulher judia significava atrair
pretendentes. A família judia fixava para sua filha uma quota representativa
do estado do seu pai, a ser usada como dote em caso de casamento. Era este
dote que tornava as filhas judias um peso inoportuno para seus pais. O pai
tinha que educar sua filha por anos e então prepará-la para o casamento,
 providenciando um grande dote. Assim, a moça na família judia era uma
obrigação e não um direito(21). Esta responsabilidade explica por que o
nascimento de uma filha não era celebrado com alegria nas antigas sociedades
judias (ver a seção "Filhas Vergonhosas"). O dote era o presente de casamento
apresentado ao noivo sob os termos de contrato. O marido agia como o
proprietário do dote, mas não podia vendê-lo. A noiva perdia qualquer controle
sobre o dote no momento do casamento. Além disso, esperava-se dela trabalhar
após o casamento e todos os seus ganhos tinham que ir para o seu marido,
como pagamento pela sua manutenção, a qual era obrigação dele. Ela poderia
ter de volta a sua propriedade somente em duas situações: divórcio ou a morte
do marido. Se ela morresse primeiro, ele herdaria a sua propriedade. No caso
da morte do marido, a esposa poderia retomar a propriedade que possuía antes
do casamento, mas não se habilitava a herdar qualquer cota de propriedade do
marido falecido. Deve-se acrescentar que o noivo também tinha que apresentar
o seu presente de casamento à noiva, contudo, de novo, ele era praticamente o
proprietário deste presente enquanto eles permanecessem casados.(22)

    O cristianismo, até recentemente, seguiu a mesma tradição judaica. No
império cristão romano (após Constantino), tanto as autoridades civis como as
religiosas, exigiam um acordo sobre a propriedade, como condição para o
reconhecimento do casamento. As famílias ofereciam às suas filhas aumento
dos dotes e, como resultado, os homens tendiam a casar-se mais cedo, enquanto
as famílias retardavam o casamento delas até o máximo.(23) Pela lei canônica,
uma esposa habilitava-se à restituição do seu dote se o casamento fosse anulado,
a menos que ela fosse culpada de adultério. Neste caso, ela perdia o seu direito
ao dote, o qual permanecia nas mãos do marido(24). Pelas leis canônica e civil,
uma mulher casada, na Europa cristã e na América, até o final do séc. XIX e
início do séc. XX, perdia os direitos à sua propriedade. Os direitos da mulher
inglesa, por exemplo, foram compilados e publicados em 1632. Estes "direitos"
incluíam: "Aquilo que o marido possui é seu. Aquilo que a esposa tem é do
marido."(25)

    A esposa tão somente perdia a sua propriedade após o casamento, como
perdia sua personalidade também. Nenhum ato jurídico dela tinha valor legal.
O seu marido podia repudiar qualquer compra ou presente feito por ela como
sendo nulo de qualquer valor legal. A pessoa com quem ela tivesse feito contrato
era tomada como um criminoso por ter participado de uma fraude. Além disso,
ela não podia processar, sequer o seu marido, nem ser processada.(26) Uma
mulher casada era praticamente tratada como uma criança aos olhos da lei. A
esposa simplesmente pertencia ao seu marido e, por isso, ela perdia a sua
propriedade, a sua personalidade jurídica e o seu nome de família.(27)

    O Islam, desde o séc. VII d.C. garantiu às mulheres casadas personalidade
independente, conquista essa de que as mulheres ocidentais se viram privadas
até muito recentemente. No Islam, a noiva e sua família não têm obrigação de
presentear o noivo. A moça, numa família muçulmana, não é responsável.
Uma mulher é tão dignificada no Islam que ela não precisa presentear alguém,
a fim de atrair maridos em potencial. É o noivo que precisa presentear a noiva
com um presente de casamento. Este presente é considerado sua propriedade
e, nem o noivo nem a família da noiva têm qualquer direito ou controle sobre
tal presente. Em algumas sociedades muçulmanas de hoje, um presente de
casamento no valor de US$100.000,00 não é incomum.(28) A noiva fica com o
seu presente de casamento, mesmo que mais tarde ela se divorcie. Não é
permitida a participação do marido na propriedade da sua esposa, a não ser
que ela lha ofereça por sua livre e espontânea vontade.(29) O Alcorão estabelece

a sua posição a esse respeito muito claramente:

"Concedei os dotes que pertencem às mulheres e, se for da vontade
delas conceder-vos algo, desfrutai-o com bom proveito." (4:4).


    A propriedade e os ganhos da esposa estão sob seu completo controle e
para seu uso somente, uma vez que a sua manutenção e a das crianças é
responsabilidade do marido.(30) Não importa quão rica seja a esposa, ela não é
obrigada a agir como co-provedora para a família, a menos que,
voluntariamente, escolha fazê-lo. O casal herda entre si. Além disso, uma
mulher casada no Islam conserva a sua personalidade legal independente e o
nome da sua família.(31) Um juiz americano, certa vez, comentando sobre os
direitos das mulheres muçulmanas, disse: "Uma muçulmana pode casar-se 10
vezes, mas a sua individualidade não é absorvida pela de seus vários maridos.
Ela é um planeta solar, com um nome e uma personalidade jurídica própria."(32)




21. Epstein, op. cit., págs. 164-165.
22. Ibid., pp. 112-113. Ver também Priesand, op. cit. ,pág. 15.
23. James A. Brundage, Law, Sex, and Christian Society in Medieval Europe (Chicago: University
of Chicago Press, 1987) pág. 88.
24. Ibid., pág. 480.
25. R. Thompson, Women in Stuart England and America (Londres: Routledge & Kegan

Paul, 1974) pág. 162.
26. Mary Murray, The Law of the Father (Londres: Routledge, 1995) pág. 67.
27. Gage, op. cit., pág. 143.
28. Por exemplo, ver Jeffrey Lang, Struggling to Surrender, (Beltsville, MD: Amana Publications,
1994) pág. 167.
29. Sayid Sábiq, Fiqh al Sunna (Cairo: Darul Fatah lili'lam Al-Arabi, 11ª edição, 1994), vol.

2, págs. 218-229.
30. Abdel-Halim Abu Shuqqa, Tahrir al Mar'a fi Asr al Rissala (Kuwait: Dar al Qalam, 1990)
págs. 109-112.
31. Leila Badawi, "Islam", em Jean Holm e John Bowker, ed., Women in Religion (Londres:
Pinter Publishers, 1994) pág. 102.
32. Amir H. Siddiqi, Studies in Islamic History (Karachi: Jamiyatul Falah Publications, 3ª

edição, 1967) pág. 138-.

A Mulher no Islam - Parte 7 - O ADULTÉRIO

Por: Sherif Abdel Azim


O adultério e a fornicação são considerados pecados em todas as religiões.
A Bíblia decreta a sentença de morte para ambos os adúlteros (Levítico 20:10).
O Islam, igualmente, pune tanto o adúltero como a adúltera (24:2). Contudo, a
definição alcorânica é muito diferente da definição bíblica. O adultério, de
acordo com o Alcorão, é o envolvimento de um homem casado ou uma mulher
casada num caso extraconjugal. A Bíblia considera adultério somente o caso
extraconjugal de uma mulher casada. (Levítico 20:10, Deuteronômio 22:22.
Provérbios 6:20/7:27).
"Quando um homem for achado deitado com mulher que tenha marido,
então ambos morrerão, o homem que se deitou com a mulher, e a mulher;
assim tirarás o mal de Israel." (Deuteronômio 22:22).
"Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo
adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a
adúltera." (Levítico 20:10).
De acordo com a definição bíblica, se um homem casado dorme com
uma mulher solteira, isto não é considerado crime de forma alguma.
O homem casado, que tem relações extraconjugais com mulheres
solteiras, não é um adúltero e as mulheres solteiras envolvidas com ele não
são consideradas adúlteras. O crime de adultério é cometido somente quando
um homem, seja casado ou solteiro, dorme com uma mulher casada. Neste
caso, o homem é considerado adúltero, mesmo que ele não seja casado, e a
mulher é considerada adúltera. Em resumo, o adultério é qualquer ato sexual
ilícito envolvendo uma mulher casada. O caso extraconjugal de um homem
casado não é, per si, um crime na Bíblia. Porque é que este padrão é moral
duplo? De acordo com a Enciclopédia Judia, a esposa era considerada como
posse do seu marido e o adultério constituía a violação do exclusivo direito do
marido sobre ela; a esposa, como posse do marido, não tinha direito sobre
ele(15). Quer dizer, se um homem tivesse uma relação sexual com uma mulher
casada, ele estaria violando a propriedade de outro homem e, assim, deveria
ser punido.
Nos dias atuais em Israel, se um homem casado se entrega a um caso
extraconjugal com um mulher solteira, seus filhos com esta mulher são
considerados legítimos. Mas, se uma mulher casada tem um caso com outro
homem, seja casado ou solteiro, seus filhos com este homem são considerados
ilegítimos, bastardos, e são proibidos de casar com qualquer outro judeu, exceto
com os convertidos e com outros bastardos. Este impedimento cessa após a
10ª geração, quando se presume que a mancha do adultério se enfraqueceu(16).
O Alcorão, por outro lado, nunca considera uma mulher como posse de
qualquer homem. O Alcorão eloquentemente descreve a relação entre os
esposos dizendo:

"Entre os Seus sinais está o de haver-vos criado companheiras da
vossa mesma espécie, para que com elas convivais; e colocou amor e
piedade entre vós. Por certo que nisto há sinais para os sensatos." (30:21).

Este é o conceito alcorânico de casamento: amor, misericórdia e
tranquilidade, não posse e padrões duplos.



15. Jeffrey H. Togay, "Adultery," Encyclopaedia Judaica, Vol. II, col. 313. Também, ver Judith
Plaskow, Standing Again at Sinai: Judaism from a Feminist Perspective (Nova York: Harper
& Row Publishers, 1990) págs. 170-177.
16. Hazleton, op. cit, pág. 41-42.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Conselho Islamico :


A melhor esposa muçulmana, é a mulher que dá prazer a seu marido quando ele olha para ela, e que salva sua honra (para a castidade) quando ele está fora de casa.

sábado, 23 de janeiro de 2016

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

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Hijab

Salam.

O que Deus nos disse no Islã sobre a roupa de mulheres muçulmanas?


     Deus proíbe a mulher muçulmana de mostrar sua pele na frente de homens estranhos. A mulher muçulmana deve cobrir todo o seu corpo, exceto o rosto e as mãos, quando ela está na rua ou se os homens estranhos estiverem em torno dela. Infelizmente a cultura ocidental fez a palavra "liberdade" igual a palavra "nudez".
A pele das mulheres é preciosa, por isso você não pode mostrar a todos. É um grande pecado de fato  mostrar aos homens os seus cabelos, braços, seios, pernas, etc ....


    A mulher que mostra sua pele para estranhos (ou em uma foto no facebook, whatsapp, etc...), ela recebe milhares ou mesmo milhões de pecados, porque ela recebe um pecado por cada olhar de um homem, e ela fica com os pecados de todos os homens que vêem a sua pele, e ela fica em pecado para cada mulher que a vê e imita seu estilo de vestir, você pode imaginar como o assunto é grave?
     Deus protegeu as mulheres dos olhares lascivos dos homens maus por Hijab.


Por favor note, que muitos sites na internet conversa sobre "Moderno Hijab". não há nada chamado "Hijab moderno" no Islã. há apenas hijab islâmico que cumpre as regras, como:


1-que cobre todo o cabelo e pescoço e orelhas
2- que mostra apenas o rosto e as mãos
3- que é longo
4- que é largo e grande, e abrange os detalhes do corpo (que deve cobrir as curvas de mama e cintura)
5- que é opaco
6-calças estão proibidos de ser usado por mulheres, exceto se a mulher usar a calça sob suas largas e longas roupas (vestindo calças de mulher mostra as curvas de área entre as pernas, o que é proibido)
7- que não está tendo algo atraente, como peças brilhantes ou desenhos ou palavras


Agora vamos a alguns receios sobre Hijab de já mulheres muçulmanas convertidas (ou as mulheres que querem se converter ao Islam):


1- Eu amo Hijab islâmico, mas estou com medo de que as pessoas no brasil (ou outro lugar) vão zombar de mim:
(Eu já respondi a essa pergunta, por isso vou postar a mesma resposta novamente)
resposta : "Não me sinto triste e não me sinto envergonhada. você está no caminho certo. eles são as pessoas que devem ter vergonha de difundir a cultura de nudez e falta de timidez. Vou dizer-lhe uma bela história
uma garota de Equador se converteu ao Islã, e ela foi para a sua universidade de ônibus. enquanto ela vai de ônibus, as pessoas perguntam-lhe: por que você cobre a cabeça? Você está doente?
ela responder-lhes: não, eu sou mulher muçulmana
E ela começa a contar-lhes sobre o Islã e responder às suas perguntas, e no final da conversa, ela deu-lhes o endereço da Mesquita se tivessem mais perguntas!
Ela fez de seu hijab uma maneira de pregar o Islã para outras pessoas, que estão realmente precisando saber o Islã, e pode ser que converter também!








https://web.facebook.com/groups/665479126901090/

Buscar boas companhias

Salam.



Descrição: O valor de bons amigos.

Por Aisha Stacey (© 2013 IslamReligion.com)

Publicado em 30 Sep 2013




     O Profeta Muhammad, que Allah o exalte, frequentemente falava a seus companheiros sobre o valor de boa companhia. Enfatizava a necessidade de nos cercarmos de boas pessoas. Pessoas que compartilham dos mesmos valores que nós, são os melhores amigos e companheiros. Diferenças de opinião, interesses e estilos de vida diferentes podem tornar nossas amizades interessantes e, algumas vezes, desafiantes, mas se o sistema de valores principal não for o mesmo a amizade em si provavelmente não tem uma base sólida.

    Para o crente a base sólida deve ser sempre o Islã; a verdade irrefutável de que não há Deus merecedor de adoração exceto Allah e que Muhammad é Seu mensageiro. Cada crente, passado, presente e futuro, está ligado por essa verdade fundamental. O profeta Muhammad falou sobre esse elo em muitas ocasiões.

“A parábola dos crentes em seu amor e misericórdia mútuos é como a de um corpo vivo: se uma parte sente dor, o corpo inteiro sofre, sem dormir e com febre.” [1]

“O crente para outro crente é como uma construção sólida, uma parte apoia a outra.” [2]

    Amizade e companheirismo são importantes no Islã. Um bom amigo aceita nossas falhas, mas ao mesmo tempo nos guia e dá apoio. Um bom amigo acomoda nossas faltas, mas as corrige quando possível. Um bom amigo nos amará e perdoará por Allah.

    É importante escolher seus amigos cuidadosamente. O profeta Muhammad advertiu aos crentes sobre isso também. Disse que uma pessoa seria influenciada por seus amigos e advertiu que todos deviam examinar com cuidado aqueles que considera ser seus amigos.[3]



    O que podemos entender disso é que é fácil ser influenciado pelas pessoas ao nosso redor. É fácil adotar seus maneirismos e qualidades sem ficarmos cientes disso. Se forem boas qualidades então é uma coisa boa, mas e se as pessoas que considera suas amigas o afastarem da lembrança de Allah? Seria um desastre e Allah adverte sobre isso no Alcorão.

“Será o dia em que o iníquo morderá as mãos e dirá: Oxalá tivesse seguido a senda do Mensageiro! Ai de mim! Oxalá não tivesse tomado fulano por amigo. Porque me desviou da Mensagem, depois de ela me ter chegado.” 
(Significados do Alcorão 25:27-29)

    O profeta Muhammad também reiterou esse ponto quando contou a história do ferreiro e do vendedor de perfumes.

    O exemplo de um bom companheiro (amigo) em comparação com um mau amigo é como a que existe entre quem vende almíscar e o ferreiro. Do primeiro você compra almíscar ou desfruta de seu perfume, enquanto que com o ferreiro você se queima ou sente um cheiro ruim.[4]

Quando encontramos bons amigos é importante manter a amizade. Os crentes estão conectados por seu amor a Allah e a Seu mensageiro e isso implica em certas responsabilidades. A pessoa deve estar preparada para ignorar algumas das falhas de seu irmão ou irmã no Islã; deve estar preparado para desculpar qualquer comportamento mau ou incorreto que identifique neles.

    Isso não significa, entretanto, que deva fechar os olhos para o pecado. Não, ao invés disso significa que deve manter os laços de amizade enquanto busca compreender e ajudar os que se desviam. Os crentes não devem nunca embaraçar ou assediar publicamente uns aos outros. Não devem nunca expor as faltas uns dos outros. Gentileza e misericórdia devem ser evidentes em todas as transações.
Quem ocultar (a falta de) um muçulmano, Allah ocultará sua falta no Dia do Juízo.” [5]

    O sábio islâmico, IbnMazin, disse: “O crente procura desculpas para seus irmãos, enquanto o hipócrita procura suas faltas.” E Hamdun al-Qassar disse: “Se um de seus irmãos comete um erro, procure noventa desculpas para ele e, se não o fizer, será o censurável.”

Em suas tradições, o profeta Muhammad disse: “Uma pessoa visitou seu irmão em outra cidade e Allah enviou um anjo para esperá-lo em seu caminho. O anjo disse: “Onde pretende ir?” O homem respondeu: “Pretendo ir até meu irmão nessa cidade.” O anjo disse: “Fez algum favor a ele, o reembolso do que pretende obter?” Disse: “Não, eu o amo por Allah, o Exaltado e Glorioso.” Então o anjo disse: “Sou um mensageiro para você vindo de Allah para informá-lo que Allah ama você tanto quanto você O ama.” [6]
    Os crentes nunca devem invejar uns aos outros, devem estar sempre felizes quando as bênçãos de Allah recaem sobre seus amigos e companheiros. O Profeta, que Allah o exalte, disse:
Nenhum de vocês verdadeiramente crê até que ame para o seu irmão o que ama para si mesmo.[7]

    A oração do muçulmano por seu irmão ausente será respondida. Existe um anjo ao seu lado que toda vez que ele ora por seu irmão diz “amém, e você terá o mesmo”.
     Não fale mal de um muçulmano; não inveje outro muçulmano; não vá contra um muçulmano e o abandone. Ó servos de Allah! Sejam como irmãos uns para os outros. Não é aceitável para um muçulmano desertar seu irmão por mais de três dias.[8]



    Um crente ama todos os outros crentes por Allah. Deseja para eles o que deseja para si mesmo. Um crente é tolerante dos erros ou falhas dos outros e é perdoador. Não há raiva, inveja, ódio ou malícia entre os crentes. Os crentes são gentis, leais e generosos uns com os outros e oram uns pelos outros.
    Soa bom demais para ser verdade, não é? Entretanto, isso é o Islã. É um modo de vida que espera que cada pessoa respeite as outras pessoas. O Islã diz que você é parte de uma comunidade e é seu direito e sua responsabilidade ser a melhor pessoa que puder. Buscar boas companhias e manter bons relacionamentos é uma responsabilidade que cada crente tem consigo mesmo, sua comunidade e Allah. Buscar companheiros que busquem o paraíso na outra vida.

“Sê paciente, juntamente com aqueles que pela manhã e à noite invocam seu Senhor, anelando contemplar Seu Rosto. Não negligencies os crentes, desejando o encanto da vida terrena e não escutes aquele cujo coração permitimos negligenciar o ato de se lembrar de Nós, e que se entregou aos seus próprios desejos, excedendo-se em suas ações.” (Significados do Alcorão 18:28)




Footnotes:
[1]Saheeh Al-Bukhari, SaheehMuslim
[2]Ibid.
[3] At Tirmidhi, Ahmad, Abu Dawood.
[4] Saheeh Al-Bukhari
[5]Abu Dawood.
[6] SaheehMuslim
[7] Saheeh Al-Bukhari
[8] SaheehMuslim