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domingo, 1 de maio de 2016

Um Diálogo Entre Cristãos E Muçulmanos - parte 3

Assalamu Aleikum.


    Aqui uma série de posts do Livro "Um Diálogo Entre Cristãos E Muçulmanos", infelizmente não sei o autor, mas assim que souber vou dar-lhe os devidos méritos. Allah sabe mais. O livro é muito bom, então resolvi colocar aqui.






O Julgamento e a Salvação


    Falamos sobre Deus, sobre os humanos e sobre as relações entre eles. O que dizer
sobre o julgamento? Como podemos nós, humanos, de uma perspectiva islâmica,
dominar o "pecado"? O Alcorão ensina que a vida é um teste, que a vida terrena é
temporária.

"Que criou a vida e a morte, para testar quem de vós melhor se comporta, porque
é Poderoso, o Indulgentíssimo.'' (Alcorão Sagrado, surata Al Mulk 67:2).

    O muçulmano acredita que há uma recompensa e uma punição, que existe vida depois
da morte e que a recompensa ou a punição não precisa, necessariamente, esperar
pelo dia do Julgamento, mas começa imediatamente após o enterro. O muçulmano crê
na ressurreição, na prestação de contas e no dia do Julgamento.
Para o muçulmano, exigir a perfeição, a fim de ganhar a salvação, não é prático. Não
só é exigir o impossível como, também, é injusto.

    O Islam ensina uma pessoa a ser humilde e a saber que nós não alcançamos a
salvação por nossa própria conta. A reconciliação do ser humano "pecaminoso" com
Deus é uma contingência de três elementos: o mais importante é a Graça, Misericórdia
e Generosidade de Deus. Depois, são as boas ações e uma crença correta.

    Crença correta e boas ações são requisitos indispensáveis para a Graça e Perdão de
Deus e para nos elevarmos acima de nossos erros. Como podemos nos purificar do
pecado? O Alcorão prescreve:

"E quem cometer uma má ação ou se condenar e, em seguida (arrependido),
implorar o perdão de Deus, sem dúvida achá-Lo-á Indulgente,
Misericordiosíssimo." (Alcorão Sagrado, surata An Nissá 4:110)

Em outra passagem comovente, lemos:
"Porque as boas ações anulam as más" (Alcorão Sagrado, surata Hud 11:114)

    O Islam nos ensina o arrependimento, a interrompermos os caminhos do mal, a sermos
solidários com o que alguém fez e a aconselharmos o caminho de Deus, tanto quanto
seja humanamente possível.

    O muçulmano não crê na necessidade do derramamento de sangue, muito menos do
sangue do inocente, para purificar os pecados. Ele acredita que Deus não está
interessado no sangue ou no sacrifício de ninguém, mas, sim, no arrependimento
sincero. O Alcorão coloca isto muito claramente:

"Mas, Minha Misericórdia se extende a todas as coisas." (Alcorão Sagrado, surata

Al A'raf 7:156).



Os Aspectos Aplicados


    Que o ser humano é o procurador de Deus na terra, seria inconsistente para um
muçulmano separar os vários aspectos da vida, o espiritual e o material, estado e
religião.

    Sabemos bastante sobre os "cinco pilares do Islam", mas, muitas vezes, eles são
apresentados de uma forma superficial, como sendo todo o conjunto do Islam. Eles não
são o conjunto do Islam, da mesma forma que ninguém pode alegar que tem uma casa
funcional composta exclusivamente de cinco pilares de concreto. Serão necessários,
telhado, paredes, janelas, portas e outras coisas.

    Conforme os construtores dizem, os pilares são condições necessárias, mas não o
suficiente. Os cinco pilares do Islam (o testemunho, as cinco preces diárias, o jejum, a
caridade, a peregrinação) são apresentados por muitos escritores como questão de
ritual formal. Mesmo o pilar que é passível de parecer ritualístico, as preces diárias,
nada mais é do que um ato espiritual que envolve muito mais do que simplesmente
prostrar ou levantar.

    Na verdade, são lições políticas e sociais que ensinam o muçulmano. O que pode
parecer como compartimentos separados da vida não existem para o muçulmano. Um
muçulmano não diz "Isto é um negócio e aquilo é moral". Moral, espiritual, econômico,
social e governamental estão interrelacionados, por que tudo, inclusive César, pertence
a Deus e a Deus tão-somente.


As Relações Entre os Muçulmanos e os Não-Muçulmanos


    Concluindo, qual a atitude de um muçulmano em relação a um não muçulmano? Para
começar, e precisamos ser francos sobre isto, o Alcorão nos incumbe de transmitir a
mensagem de Deus, em sua forma final, o Alcorão, a toda a humanidade.

    Não estamos falando aqui de conversão. Não gosto desta palavra. Na verdade, vir para
o Islam, a religião de todos os profetas em sua forma final, não significa abandonar os
profetas anteriores.
   É muito mais um acréscimo do que uma conversão, porque não envolve mudanças de
natureza espiritual. No Alcorão, a natureza humana genuína é uma "natureza
muçulmana", que conhece seu Senhor e deseja se submeter a Ele. O Alcorão afirma
que:

"Não há compulsão na religião" (Alcorão Sagrado, surata Al Bacara 2:256)

    Costumo usar o termo "reversão" para substituir a palavra "conversão", no sentido de
um retorno ao monoteísmo autêntico, dentro do qual todos fomos criados. Assim, o
muçulmano aprende a ser tolerante em relação aos outros. De fato, o Alcorão não só proíbe a compulsão na religião, como, também, proíbe a agressão, embora a defesa
seja permitida:

"Combatei, pela causa de Deus, aqueles que vos combatem, porém não
pratiqueis a agressão, porque Deus não estima os agressores." (Alcorão Sagrado,
surata Al Bacara 2:190).

    Além disso, achamos que, dentro desta regra geral de lidar com não muçulmanos, o
"povo do Livro" é um termo especial que o Alcorão concedeu a judeus e cristãos.

    Por que "povo do Livro"? Porque o muçulmano faz uma nítida distinção entre o
politeísta, ou ateu, e aqueles que seguem os profetas que originalmente receberam
revelações de Deus. Ainda que um muçulmano possa assinalar pontos de diferenças
teológicas, ainda assim acreditamos na origem divina daquelas revelações em suas

formas "originais".

    Como um muçulmano deve tratar o "povo do Livro"? Diz o Alcorão:

"Deus nada vos proíbe, quanto aqueles que não vos combateram pela causa da
religião e não vos expulsaram dos vossos lares, nem que lideis com eles com
gentileza e equidade, porque Deus aprecia os equitativos. Deus vos proíbe tão somente
de entrar em privacidade com aqueles que vos combateram na religião,
vos expulsaram de vossos lares ou que cooperaram na vossa expulsão. Em
verdade, aqueles que entrarem em privacidade com eles serão iníquos." (Alcorão
Sagrado, surata Al Mumtahana 60:8-9)

    No mundo de hoje, todos os crentes em Deus estão encarando perigos comuns:
ateísmo, materialismo, secularismo e decadência moral. Devemos trabalhar juntos.
Deus diz no Alcorão:

"... se Deus quisesse, teria feito de vós uma só nação; porém, fez-vos como sois,
para testar-vos quanto àquilo que vos concedeu. Emulai-vos, pois, na
benevolência, porque todos vós retornareis a Deus, o Qual vos inteirará das
vossas divergências." (Alcorão Sagrado, surata Al Máida 5:48)

Um Diálogo Entre Cristãos E Muçulmanos - parte 2


Assalamu Alaikum.


    Aqui uma série de posts do Livro "Um Diálogo Entre Cristãos E Muçulmanos", infelizmente não sei o autor, mas assim que souber vou dar-lhe os devidos méritos. Allah sabe mais. O livro é muito bom, então resolvi colocar aqui.



A Natureza do Ser Humano



    É você? Quem sou eu? Por que estamos aqui na terra? O Alcorão ensina que nós,
humanos, somos criados de três elementos.
Fomos criados do barro, representando o elemento material ou carnal. Fomos dotados
de inteligência, que foi dada por Deus para ser usada e não para ser posta em uma
estante. A razão pode ser insuficiente, mas, por outro lado, não é a antítese da fé. E,
fomos dotados do espírito com que Deus nos alentou
.
''Que aperfeiçoou tudo o que criou e iniciou a criação do primeiro homem, de
barro. Então, formou-lhe uma prole da essência de sêmen sutil. Depois o
modelou; então, alentou-o com Seu Espírito. Dotou a todos vós da audição, da
visão e das vísceras. Quão pouco Lhe agradeceis!'' (Alcorão Sagrado, surata as-
Sajdah 32:7-9)

''(Recorda-te ó Profeta) de quando teu Senhor disse aos anjos: Vou instituir um
legatário na terra! Perguntaram-Lhe: Estabelecerás nela quem ali fará corrupção,
derramando sangue, enquanto nós celebramos Teus louvores, glorificando-Te?
Disse (o Senhor): Eu sei o que vós ignorais. Ele ensinou a Adão todos os nomes
e depois apresentou-os aos anjos e lhes falou: Nomeai-os para Mim e estiverdes
certos.'' (Alcorão Sagrado, surata al-Bacara 2:30-31)

''Recorda-te de quando o teu Senhor disse aos anjos: Criarei um ser humano de
argila, de barro modelável. E ao tê-lo terminado e alentado com o Meu Espírito.''
(Alcorão Sagrado, surata al-Hijr 15:28-29).

    O muçulmano não vê a existência humana sobre a terra como uma punição por ter
comido do fruto da árvore proibida. Tal acontecimento é respeitado como uma lição
para Adão e Eva, antes de eles virem para a terra.

    O Alcorão ensina que, mesmo antes da criação do primeiro ser humano, já era plano
de Deus estabelecer a vida humana e a civilização sobre a terra. Portanto, o
muçulmano não vê o ser humano como totalmente mau ou totalmente bom, mas sim
como responsável. O Alcorão afirma, em diversos lugares, que Deus criou o homem
para ser Seu "khalifah", Seu administrador ou vice-gerente na terra.

    A responsabilidade básica da espécie humana, nossa responsabilidade, é adorar a
Deus. Adorar, para o muçulmano, não é apenas se comprometer com os rituais formais
da religião, mas é, também, qualquer atividade que esteja de acordo com a vontade de
Deus e que beneficie uma pessoa ou a humanidade inteira. Assim, o muçulmano vê a
terra, seus recursos e ecologia, como um presente de Deus, para os humanos
submeterem e usarem em cumprimento à responsabilidade pela qual nós
responsabilizados.

    Por isso, o Alcorão fala tanto sobre o conhecimento. A primeira palavra revelada do
Alcorão foi "Recite", ou "leia". Já que eles eram sinceros em sua fé e nas injunções
alcorânicas sobre o conhecimento, os muçulmanos estabeleceram uma civilização que
via grandes avanços nas ciências e no humanismo.

    Eles não só preservaram as primeiras heranças culturais como também contribuíram e
prepararam o caminho para o renascimento europeu. Quando os muçulmanos se
tornarem de novo sinceros em sua fé, tal história se repetirá por si mesma.


A Relação Entre Deus e a Humanidade



    Falamos sobre Deus e sobre a humanidade. Agora devemos perguntar qual é sua
relação básica? O Alcorão nos ensina que a raça humana recebeu uma natureza pura,
inata, chamada de "fitrah".

    O conhecimento de Deus e a espiritualidade inata são inerentes à existência humana,
mas essa espiritualidade pode nos trair se não for encaminhada para o direção correta.
É perigoso depender de um simples sentimento humano de que somos guiados pelo
Espírito. Muitos grupos, até cultos, afirmam que são guiados pelo espírito, ou por Deus,
ou pela revelação, embora estes grupos tenham crenças divergentes, e até mesmo
contraditórias. 

    Encontramos pessoas se comportando de formas contraditórias , que afirmam, no
entanto, que cada um está cumprindo a vontade de Deus. "Eu sinto", dizem eles, "que
o espírito me guia e me direciona. "Torna-se imperativo uma fonte de revelação
fidedigna. Através da história, Deus selecionou indivíduos especiais para transmitirem
Sua mensagem, receberem Sua revelação e para servirem de exemplo para a
humanidade.

    Por isso, alguns desses profetas receberam de Deus livros santos ou escrituras, onde
Suas ordens e orientação foram reveladas. Para muitos de vocês, os nomes desses
profetas que são encontrados no Alcorão, soam familiar: Noé, Abraão, Ismael, Isaac,
Jacó, José, Moisés, David, Salomão, João Batista, Jesus e, finalmente, o último
profeta, Muhammad, que a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre eles. Esses profetas
levavam a mesma mensagem básica:

"Jamais enviamos mensageiro algum antes de ti, sem que lhe tivéssemos
revelado que: Não há outra divindade além de Mim. Adora-Me e serve-Me!"
(Alcorão Sagrado, surata Al Anbiyá 21:25).

    Além disso, o Alcorão insiste em chamar todos esse profetas de muçulmanos, porque o
muçulmano é aquele que se submete à vontade de Deus. Seus seguidores são
chamados de muçulmanos também.

    Assim, é um artigo de fé para um muçulmano acreditar em todos esses profetas. De
fato, os muçulmanos sabem que, aquele que aceita alguns profetas e rejeita outros, na
verdade está rejeitando todos. Para um muçulmano, acreditar em Moisés e rejeitar
Jesus ou Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre ele) significa
refutar os verdadeiros ensinamentos de Moisés (que a Paz esteja sobre ele). 

    E acreditar em Jesus, mas não aceitar Moisés ou Muhammad (que a Paz e a
Bênção de Deus esteja sobre ele), é violar o que Moisés, Jesus e Muhammad (que
a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre ele) significaram. Para um muçulmano,
acreditar em Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre ele) e rejeitar
tanto Moisés como Jesus (que a Paz esteja sobre eles) é violar o seu próprio Livro Sagrado. "Aqueles que negam Deus e Seus apóstolos, e (aqueles que) querem separar
Deus de Seus apóstolos, dizendo:

"Acreditamos em alguns mas rejeitamos outros' intentando com isso achar uma
saída, são os verdadeiros incrédulos; porém, preparamos para eles um castigo
ignominioso." (Alcorão Sagrado, surata An Nissá 4:150-151)

    Portanto, o reconhecimento de todos os profetas é um artigo de fé e não uma simples
cortesia social ou uma afirmação diplomática. Espero que, com mentes e corações
abertos e, além disso, um estudo honesto e cuidadoso, seja possível um
reconhecimento mútuo maior.



O Papel Especial do Profeta Muhammad


    Mas, por que os muçulmanos em seu testemunho de fé dizem "Eu testemunho que não
há outra divindade além de Deus e que Muhammad é Seu mensageiro"?
Isto quer dizer que eles, na verdade, rejeitam os outros profetas? De fato, o papel
especial desempenhado por Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus esteja
sobre ele), como a confirmação e o último de todos os profetas, coloca os muçulmano
na posição, através da qual, honrar Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus
esteja sobre ele), implica honrar todos aqueles que vieram antes dele também.
Os muçulmanos sabem que não podem fazer distinções paroquiais ou fanáticas entre
os profetas.

''O Mensageiro crê no que foi revelado por seu Senhor e todos os fiéis crêem em
Deus, em Seus anjos, em Seus Livros e em Seus mensageiros. Nós não fazemos
distinção entre os Seus mensageiros. Disseram: Escutamos e obedecemos. Só
anelamos a Tua indulgência, ó Senhor nosso! A Ti será o retorno!'' (Alcorão
Sagrado, surata al-Bacara 2:285).

    Mas, o Alcorão também diz que Deus favoreceu mais alguns profetas, em talento e
desempenho, do que outros. Todos são irmãos, embora o único profeta com a missão
universal para toda a humanidade seja Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus
esteja sobre ele), que a paz esteja sobre ele.

    O muçulmano acredita que Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre
ele) é um irmão para Jesus, Moisés, Abraão e outros profetas (que a Paz esteja sobre
eles), mas o Alcorão afirma, com todas as letras, que o advento de Muhammad (que
a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre ele) foi predito pelos profetas anteriores a ele,
inclusive Moisés e Jesus (que a paz esteja com eles). Mesmo a Bíblia, em sua forma
atual, profetiza o advento do Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus
esteja sobre ele) .

    Para o muçulmano, o Alcorão contém as palavras de Deus, reveladas direta e
literalmente ao Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre
ele). Muitas pessoas confundem o Alcorão com o "Hadith", ou ditos, do Profeta
Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre ele) o Hadith e Alcorão são
bem distintos. 

    Este último foi ditado a Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre ele), palavra por palavra, pelo Anjo Gabriel e imediatamente memorizada e registrada
por escrito. É importante assinalar que o Alcorão não foi escrito ou composto por
Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre ele). Defender o contrário
seria contradizer o que Alcorão fala sobre si mesmo e sobre Muhammad (que a Paz
e a Bênção de Deus esteja sobre ele); que o profeta não fala por si e sim que transmite
a revelação ditada a ele pelo Anjo Gabriel.


    Sugerir que o Alcorão tomou emprestado ou copiou revelações anteriores, seja a Bíblia
ou qualquer outra escritura, é, para o muçulmano, uma acusação de "plágio profético",
uma contradição. O fato de existirem algumas semelhanças entre o Alcorão e as
escrituras anteriores explica-se pelo fato de que Aquele que falou por intermédio
daqueles primeiros profetas é Aquele que revelou o Alcorão a Muhammad (que a
Paz e a Bênção de Deus esteja sobre ele), ou seja, Deus, o único e verdadeiro Deus.

    Contudo, o Alcorão é o último Livro Sagrado revelado que suplanta as escrituras
anteriores, e o único ainda disponível, cujas palavras e língua são as mesmas
proferidas pelo Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre
ele).

Um Diálogo Entre Cristãos e Muçulmanos

Assalamu Aleikum.


    Aqui uma série de posts do Livro "Um Diálogo Entre Cristãos E Muçulmanos", infelizmente não sei o autor, mas assim que souber vou dar-lhe os devidos méritos. Allah sabe mais.
O livro é muito bom, então resolvi colocar aqui.



    Com bilhões de seguidores, o Islam e o Cristianismo são as principais religiões que
influenciam o pensamento e valores de mais de 40% da população mundial.
Embora existam diferenças teológicas, algumas das quais podem ser significativas, há,
no entanto, outras áreas importantes da crença que são partilhadas por ambas as
comunidades: crença em Deus; crença na revelação, nos profetas, nos Livros
Sagrados de Deus; na vida após a morte e num código moral divinamente inspirado,
que organiza e regula a vida humana durante nossa passagem pela terra em direção à
eternidade.

    Para o muçulmano, um diálogo construtivo não só é permitido como, também, é
recomendável. No Alcorão lemos:

"Dize-lhes: Ó adeptos do Livro (um termo que particularmente se refere a judeus
e cristãos), vinde, para chegarmos a um termo comum, entre nós e vós:
Comprometamo-nos, formalmente, a não adorar senão a Deus, a não Lhe atribuir
parceiros e a não nos tomarmos uns aos outros por senhores, em vez de Deus.
Porém, caso se recusem, dize-lhes: Testemunhai que somos muçulmanos."
(Alcorão Sagrado, surata Al Imran 3:64)

A metodologia desse diálogo também está explicada no Alcorão: 

"Convoca (os humanos) à senda do teu Senhor com sabedoria e uma bela
exortação; dialoga com eles de maneira benevolente." (Alcorão Sagrado, surata An
Nahl 16:125).

    Um requisito indispensável para um diálogo construtivo, é que ambas as comunidades
não se conheçam através de fontes que sejam parciais, críticas ou até hostis; pelo contrário, elas devem formular uma idéia honesta de como a outra fé é vista em suas
próprias escrituras, e como é praticada por aqueles que verdadeiramente estão
comprometidos com ela.

    Esta necessidade é até mais importante no caso do diálogo Muçulmano x Cristão, o
cristão comum ouviu ou leu sobre o Islam, principalmente através de escritores que
tinham motivos coloniais ou missionários que podem ter conferido uma certa
parcialidade em sua interpretação do Islam na mente ocidental.

    Conquanto eu admita que minha própria prática do Islam está longe de ser perfeita,
pelo menos eu falo como alguém que quer pensar por si mesmo, com um muçulmano
praticante e comprometido.

    Agora, gostaria de partilhar com vocês cinco áreas básicas, que são fundamentais para
qualquer entendimento entre cristãos e muçulmanos: o significado do termo "Islam", o
significado do termo "Deus"; a natureza do ser humano; a relação entre o ser humano e
Deus; a questão do acerto de contas, e, finalmente, algumas conclusões pertinentes à
construção da ponte entre muçulmanos e cristãos.



O Significado Do Islam


    Importante assinalar que o termo "Islam" não é derivado de qualquer nome de
pessoa, raça ou localidade em particular. Um muçulmano considera o termo usado por
alguns escritores, "maometismo" ,com sendo uma violação ofensiva do verdadeiro
espírito dos ensinamentos islâmicos.

    O Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre ele), não é
adorado, ou respeitado, por ser o fundador do Islam, ou o autor do Livro Sagrado, o
Alcorão. O termo "Islam" aparece em mais de um lugar no próprio Alcorão. Ele é
derivado da raiz árabe (salam), que tem a conotação de "paz" ou "submissão".

    Na verdade, o próprio significado de "Islam" é a realização da paz, tanto a interna como
a externa, pela submissão de alguém à vontade de Deus. E quando nos submetemos,
estamos falando de consciência, amor e submissão verdadeira à vontade de Allah, de
aceitação de Sua graça e de seguir Seu caminho.

    Neste sentido, o muçulmano respeita o termo Islam, não como uma inovação que
chegou no século VII da era cristã, com o advento do Profeta Muhammad (que a Paz
e a Bênção de Deus esteja sobre ele), mas como a missão básica de todos os profetas
através da história. Aquela missão universal finalmente culminou e se aperfeiçoou no
último desses Profetas, o Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus esteja
sobre ele).



Monoteísmo Islâmico


    O próximo conceito que necessita de ser esclarecido é o termo "Allah", qual o seu
significado? Primeiramente, deve ser enfatizado que o termo "Allah" , em absoluto,
significa um deus tribal, ou árabe, ou até mesmo um deus muçulmano.
O termo "Allah" em árabe quer dizer o Deus Universal Único e Verdadeiro de todos.
Achar que Allah é diferente de Deus, com letra maiúscula, seria o mesmo que dizer,
por exemplo, que a adoração a Deus dos cristãos franceses é diferente porque eles O
chamam de "Dieu".

    Quais são os atributos básicos de Deus? O Alcorão menciona os "mais belos nomes"
(ou atributos) de Deus. Ao invés de enumerá-los todos, vamos examinar uns poucos.
Alguns atributos salientam a transcendência de Deus. O Alcorão, repetidamente, torna
claro que Deus está além de nossa percepção limitada.
"Nada se assemelha a Ele" (Alcorão Sagrado, surata Ach Chura 42:11)
"Os olhares não podem percebê-Lo, não obstante Ele Se aperceber de todos os
olhares."

    Um muçulmano jamais pensa em Deus como possuindo uma imagem em particular,
seja física, humana, material ou qualquer outra. Tais atributos como, "O Perfeitamente
Conhecedor", "O Eterno", "O Onipotente", "O Onipresente", "O Justo" e "O Soberano"
também realçam essa transcendência.

    Mas, isto não quer dizer que, para o muçulmano, Deus seja um simples conceito
filosófico ou uma divindade afastada. Na verdade, juntamente com esta ênfase sobre a
transcendência de Deus, o Alcorão também fala sobre Deus como sendo um Deus
"pessoal", que está perto, facilmente acessível, Amoroso, Perdoador e Misericordioso.
As muitas passagens no Alcorão, e repetidas inúmeras vezes são o "Em nome de
Deus, o Clemente, o Misericordioso ! " O Alcorão nos diz que quando Deus criou o
primeiro ser humano:

"então, alentou-o com o Seu Espírito," (Alcorão Sagrado, surata As-Sajda 32:9)

E que:
"Deus está mais próximo do homem do que sua veia jugular."

Em outra bela e comovente passagem, Deus nos diz :
"Quando meus servos te perguntarem de Mim, dize-lhes que estou próximo e
ouvirei suas preces quando a Mim se dirigirem. Que eles respondam ao Meu
chamado e obedeçam às Minhas ordens e eles serão encaminhados
acertadamente."

    Para o muçulmano, o monoteísmo não significa somente a unidade de Deus, pelo
simples fato de que pode haver muitas pessoas diferentes em uma unidade. O
Monoteísmo no Islam é a Unidade e a Unicidade Absolutas de Deus, o que torna
impossível a noção de outras pessoas partilhando a divindade.

    O oposto ao monoteísmo no Islam é chamado em árabe de "shirk", que significa
associação de Deus com outros. Esta noção inclui, não somente o politeísmo mas,
também, o dualismo (crença na existência de um deus para o bem e a luz, e de outro
para o mau ou a escuridão).

    O conceito de "shirk" também inclui o panteísmo, a idéia de que Deus está em tudo.
Todas as formas de filosofias sobre um deus encarnado estão excluídas do
monoteísmo islâmico, tais como obediência cega a ditadores, a clérigos ou aos
caprichos e desejos de quem quer que seja.

    Todas são consideradas como formas de "associação" com Deus (shirk), seja pela
crença de que tais criaturas de Deus possuem divindade, seja pela crença de que elas
partilham os Atributos Divinos de Deus.

    Deve-se acrescentar que, para o muçulmano, o monoteísmo não é simplesmente um
dogma. O monoteísmo puro e estrito do Islam é muito mais do um pensamento ou uma
crença; é alguma coisa que influencia profundamente toda a perspectiva de vida do

muçulmano.


O Versículo do Trono, Alcorão 2:255

Assalamu Aleikum.



ÁRABE

   



TRANSLITERAÇÃO:

Bissmilláhir-Rahmánir-Rahim

 Alláhu Lá Iláha Illá Hu
  Al Haiyul Qaiyum
  Lá Ta’khuzúhu Sinatun Wa Lá Naum
   Lahú Má Fis-Samáwáti Wa Má Fil Ardh
   Manzal-lazi Yashfa’u Indahú Illá Bi Iznih
   Yá’lamu Má Baina Aidihim Wa Má Khalfahum
   Wa Lá Yuhituna Bishai Im-min Ilmihi
Illá Bi Má Shá’
 Wa Si’a Kurssiy-yuhus Samáwáti Wal Ardh
  Wa Lá Ya’u Duhu Hifzuhuma
   Wa Huwal Aliyul Azim



TRADUÇÃO: 

Em nome de ALLAH, Rico em Clemência,
Abundante em Misericórdia
 ALLAH, não existe outra divindade senão Ele.
 O Vivo, o Firme.
 Nem a sonolência nem o sono O tomam.
 A Ele pertence tudo quanto existe nos Céus e
na Terra.
Quem pode interceder perante Ele, a favor de
alguém, sem a Sua permissão?
Ele sabe o que está na frente deles e o que está
atrás deles.
 Ninguém pode atingir os Seus conhecimentos,
senão o que Ele permitir.
 O Seu Trono engloba os Céus e a Terra.
 E preservar estas duas coisas (os Céus e a
Terra) nunca O fatiga.
 Ele é o Sublime, o Glorioso.

A Ablução

Assalamu Aleikum.


   
    Li a um tempo atras um livros muito bom sobre oração do SHEIKH TALEB HUSSEIN AL-KHAZRAJI, e é exatamente este livro que eu pretendo usar aqui.



A ABLUÇÃO


Recomendações:


É importante que a ablução seja feita nesta seqüência:
1. É recomendável antes da ablução dizer “Bessmelláh Irrahmán Irrahím”,
que significa Em Nome de Deus Clemente e Misericordioso.
2. Lavar as mãos, três vezes de preferência.
3. Faze bochecho.

4. Lavar as narinas.

Recomendações da Ablução: 

Ao olhar a água dizemos:
Bismillah, Wa Billah, Wa Al-Hamdo Lillah Allazi Jaala Al-Maa Tahuran Wa Lam
Yaj-Al-Hu Najisa.
Em nome de Deus, e com Deus e graças a Deus, que fez a água ser pura e não impura
.
No momento de lavar as mãos antes da Ablução dizemos:
Bissmillah, Wa Billah, Allahuma Ej-Al-Ni Minal Ta-Ua-Bin Waj-Al-Ni Minal Motataherin.
Em nome de Deus, e com Deus, oh Deus nosso faça-me dos arrependidos e faça-me do purificados.

No momento do bochecho dizemos:
Allahuma Lakkini Hujjati Yauma Alkak Wat Lik Lisani Bizikrek.
Oh Deus nosso, me ensine como me desculpar no dia que vou te encontrar e deixe a minha
lingua estar sempre em sua recordação.

No momento de aspirar a água pelas narinas:
Allahuma La Tuharem Allaia Rihal Janna Waj-Alni Memman Yaxxummu Rihuha
Wa Rauhaha Wa Tibuha.
Oh Deus nosso, não negue para mim o cheiro do paraiso e deixe-me ser daqueles que sentirão
o seu cheiro e a sua tranqüilidade.

No momento de lavar o rosto:
Allahuma Baied Wajhi Yauma Taswaddu Fihe Al Wojuh Wa La Taswedda Wajhi
Yauma Tabyaddo Fihel Wojuh.
Oh Deus nosso, ilumine o meu rosto no dia que ficarão escuros os rostos, e não deixe escuro o
meu rosto no dia que os rostos ficarão iluminados.

No momento de lavar o braço direito:
Allahuma E’tini Kitabi Fi Yamini Wal-Khol-Do Fil Jinani Bi Yasari Wa Hasebni
Hisaban Yasira.
Oh Deus nosso, dê-me o meu livro com a mão direita e minha permanência eterna no paraíso

e facilita o meu julgamento.

No momento de lavar o braço esquerdo:
Allahuma La Tu’tini Kitabi Bixamali Wa La Min Warae’dahri Wa La Taj-Al-Ha
Maghlulatan Ila Ónoki Wa Auzo Bika Min Mukatta-Atil Niran.
Oh Deus nosso, não me dê o meu livro com a mão esquerda e nem por trás de minhas costas
e não deixe meu braço preso no meu pescoço e me refugio em ti do inferno.

No momento do passar a mão na cabeça:
Allahuma Ghaxxini Birahmatica Wa Barakatika Wa Afwik.
Oh Deus nosso, me cobre com a sua clemência, sua benção e o seu perdão.

No momento de passar a mão nos pés:
Allahuma Sabbitni Alassirat Yauma Tazilo Fihel Akdam Waj-Al Sa’yi Fi Ma Yurdika
Anni, Ya Zal Jalali Wal Ikram.
Oh Deus nosso, deixe-me firme na senda reta, pois chegará o dia em que os pés deslizarão, e
tudo que fizer que seja do seu agrado, oh senhor da majestade e da generosidade.



Itens necessários para fazer a ablução:
1. Que a água da ablução seja pura e limpa.
2. Que seja água corrente.
3. Que a água não seja usurpada.
4. Todas as partes do corpo, onde é feita a ablução, têm que estarem puras
e não ter vestígios na pele, tais como maquiagem, tinta, esmalte, cola etc.
5. Que a água não prejudique.


Tudo o que invalida a Ablução:
1. Urina
2. Fezes
3. Gases
4. Dormir
5. As coisas que fazem perder a consciência, tais como loucura, epilepsia,
desmaio, embriaguez etc.
Se a pessoa já fez a ablução e em seguida ocorrer algum desses itens
acima mencionados, deverá fazer a ablução novamente.





Ablução

Não há necessidade de ditarmos sobre a intenção (Niyeh) na ablução, porém,
devemos estar cientes de que estamos realizando-a com fé e sinceridade.


Como se abluir:



Lavar o rosto de cima para baixo com a mão direita. Começar pelo alto da testa desde a raiz do cabelo até o queixo.
Se a água não for suficiente para lavar todo o rosto, pode pegar novamente,
até que molhe por completo. Entre o polegar e o meio dedo.
Vide as ilustrações 1 e 2.

  



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Lavar o antebraço e a mão direita com a mão esquerda, de cima para
baixo. É importante que a água molhe todo o antebraço e a mão, principalmente
entre os dedos.
Vide Ilustração 3.


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Lavar o antebraço e a mão esquerda com a mão direita, também de
cima para baixo. Verificar também se a água molhou o antebraço, a mão e
entre os dedos.
Vide ilustração 4.


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Com a mesma água da ablução, passa-se a mão direita em cima da
cabeça, até onde termina o cabelo, de trás para frente.
É importante quando passar a mão na cabeça, que o cabelo esteja seco.
Vide ilustração 5.



-------------------------------------------------------------------------------------------
Com a mesma água da ablução, passa-se a mão direita sobre o pé direito,
começando pela ponta dos dedos até o início do tornozelo.
É importante que o pé esteja seco.
Vide ilustração 6.


--------------------------------------------------------------------------------------------
Com a mesma água da ablução, passa-se a mão esquerda sobre o pé
esquerdo, começando pela ponta dos dedos até o início do tornozelo.
É importante que o pé esteja seco.
Vide ilustração 7.







Tutorial de Oração



Assalamu Aleikum.

Aqui uns videos do canal IslamBoy, muito bons que ensinam como praticar as orações da forma correta.


2 Rakkas





3 Rakkas




4 Rakkas




Um Epílogo sobre o livro "A mulher No Islam - Mito E Realidade" Por: Sherif Abdel Azim


    A questão que se apresenta àqueles não-mulçumanos, que leram uma
versão inicial do presente estudo é: As mulheres muçulmanas no mundo de
hoje recebem este nobre tratamento tal como descrito aqui? A resposta,
infelizmente, é: Não. Uma vez que a questão é inevitável em qualquer discussão
referente à condição das mulheres no Islam, temos que elaborar uma resposta
a fim de fornecer aos leitores um quadro completo.
    Devemos esclarecer, primeiro, que as enormes diferenças entre as
sociedades muçulmanas acabam por gerar generalizações muito simplistas.
Há um vasto espectro de posturas em relação à mulher no mundo muçulmano
atual. Estas posturas diferem de uma sociedade para outra e dentro de cada
sociedade individual. Contudo, podemos discernir certos traços gerais. Quase
todas as sociedades muçulmanas, em maior ou menor grau, se desviaram dos
ideais do lslam, com respeito à condição das mulheres. Estes desvios, na maior
parte, direcionaram-se para uma ou duas direções. A primeira é mais
conservadora, restritiva e orientada pelas tradições, enquanto que a segunda é
mais liberal, orientada pelos costumes ocidentais.
    As sociedades que se encaminharam para a primeira direção tratam as
mulheres de acordo com os costumes e tradições herdados de seus ascendentes.
Estas tradições, comummente, privam as mulheres de muitos direitos que lhes
são garantidos pelo Islam. Além disso, as mulheres são tratadas de acordo
com padrões diferentes daqueles aplicados aos homens. Esta discriminação
penetra a vida de qualquer mulher: ela é recebida com menos alegria ao nascer
do que um menino; ela é menos incentivada a ir para a escola; ela pode ser
privada de qualquer participação na herança da sua família; ela está sob contínua
vigilância em relação à sua modéstia, enquanto que os atos de imodéstia dos
seus irmãos são tolerados; ela pode até ser morta por cometer o que os membros
masculinos da sua família comumente se vangloriam de praticar; ela tem pouca
atuação nos assuntos familiares ou nos interesses comunitários; ela pode não
ter o completo controle sobre as suas posses e os seus presentes de casamento;
e, finalmente, como mãe, ela preferiria gerar filhos homens a fim de alcançar
uma elevada posição na sua comunidade.
    Por outro lado, há sociedades muçulmanas (ou certas classes dentro de
algumas sociedades) que foram varridas pela cultura e modo de vida do
Ocidente. Estas sociedades, muitas vezes, imitam, de forma inimaginável, tudo o que receberam do Ocidente e, finalmente, acabam por adotar os piores frutos
da civilização ocidental. Nestas sociedades, a prioridade máxima na vida de
uma típica mulher "moderna" é realçar a sua beleza física. Portanto, o seu
esforço é mais para realizar a sua feminilidade do que preencher sua
humanidade.
    Porque é que as sociedades muçulmanas se desviaram dos ideais do
Islam? Não há uma resposta fácil. Uma explicação penetrante das razões pelas
quais muçulmanos não aderiram aos preceitos alcorânicos em relação às
mulheres está além do objetivo deste estudo. Contudo, deve ser esclarecido
que as sociedades muçulmanas também se desviaram, há muito tempo, dos
preceitos islâmicos concernentes a muitos aspectos das suas vidas. Há uma
grande diferença entre o que os muçulmanos supõem acreditar e o que eles
realmente praticam. Esta diferença não é um fenômeno recente. Tem sido assim
durante séculos e continuará aumentando dia após dia. Esta diferença sempre
crescente tem tido consequências desastrosas no mundo muçulmano e
manifestam-se em quase todos os aspectos da vida: tirania e fragmentação
política, economia, injustiça social, falência científica, estagnação intelectual,
etc. O status não islâmico das mulheres no mundo muçulmano atual é
simplesmente um sintoma de doença mais profunda. Qualquer reforma no
atual status das mulheres muçulmanas não terá sucesso se não for acompanhada
de reformas mais amplas em todo o modo de vida das sociedades islâmicas. O
mundo muçulmano necessita de um renascimento que o aproxime dos ideais
do Islam e não que o afaste deles. Para resumir, a noção, hoje em dia, de que
há um pobre status das mulheres muçulmanas deve-se a uma total
incompreensão. Os problemas dos muçulmanos em geral não são devidos ao
fato destes estarem muito presos ao Islam. Na verdade, eles se originam
exatamente por um longo e profundo afastamento do Islam.
    Deve-se também enfatizar que a proposta deste estudo comparativo não
é, em qualquer hipótese, difamar o judaísmo ou o cristianismo. A posição das
mulheres nas tradições judaico-cristãs pode parecer retrógrada, se comparada
com nossos padrões de final de século XX, contudo, deve ser encarada dentro
do seu próprio contexto histórico. Por outras palavras, qualquer avaliação da
posição das mulheres na tradição judaico-cristã tem que ter em conta as
circunstâncias históricas nas quais essas tradições se desenvolveram. Não pode
haver dúvida de que as opiniões dos rabinos e pastores da Igreja, em relação às
mulheres, foram influenciadas por posturas prevalecentes nas suas respectivas
sociedades.
    A própria Bíblia foi escrita por diversos autores em diversas épocas.
Estes autores não podiam ser imparciais aos valores e modo de vida das pessoas
à volta deles. As leis do adultério no Velho Testamento, por exemplo, eram tão
desfavoráveis às mulheres que elas desafiam qualquer explicação racional por
parte da nossa mentalidade. Contudo, se nós considerarmos o fato de que as
primeiras tribos judias eram obcecadas pela sua homogeneidade genética e
extremamente desejosas de se distinguirem das outras tribos, e que somente a
má conduta sexual das mulheres casadas podia ameaçar essas caras aspirações,
nós podemos entender, mas não necessariamente simpatizarmos com elas, as
razões de tal obcessão. Também, as ranzinzices dos padres da Igreja contra as
mulheres devem ser encaradas dentro do contexto da misoginia da cultura
greco-romana, na qual eles viviam. Não seria correto avaliar o legado judaicocristão,
sem levar em consideração o relevante contexto histórico.
    De fato, a compreensão adequada do contexto histórico também é crucial
para o entendimento do significado das contribuições do Islam para a
história mundial e a civilização humana. A tradição judaico-cristão foi
influenciada e moldada pelo meio ambiente, condições e culturas existentes
na época. No século VII, esta influência distorceu a mensagem divina revelada
a Moisés e Jesus, muito além do reconhecimento. O pobre status das mulheres
no mundo judaico-cristão no séc. VII é apenas um caso em questão. Em razão
disso, havia uma grande necessidade de uma nova mensagem, que levasse a
humanidade de volta para o caminho reto. O Alcorão descreveu a missão do
novo Mensageiro como uma libertação para judeus e cristãos do peso que
havia sobre eles:



"São aqueles que seguem o Mensageiro, o Profeta iletrado, o qual
encontram mencionado em sua Tora e seu Evangelho, o qual lhes
recomenda o bem e lhes proíbe o ilícito, prescreve-lhes todo o bem e vedalhes
o imundo, alivia-os dos seus fardos e livra-os dos grilhões que os
deprimem." (7:157)


    Portanto, o Islam não deve ser visto como uma tradição rival para o
judaísmo e cristianismo. Ele deve ser encarado como uma consumação,
complementação e aperfeiçoamento das mensagens divinas que foram reveladas
anteriormente.
     No final deste estudo, gostaria de oferecer o seguinte conselho à
comunidade muçulmana global. Nega-se a muitas mulheres muçulmanas os
direitos islâmicos básicos. Os erros do passado devem ser corrigidos. Fazer
isto não é um favor, mas sim uma obrigação para todos os muçulmanos. A
comunidade muçulmana mundial deve elaborar um quadro com as instruções
do Alcorão e os ensinamentos do Profeta do Islam. Este quadro deve garantirlhes
todos os direitos doados pelo Criador. Então, todos os meios necessários
têm de ser desenvolvidos, a fim de assegurar a implementação adequada deste
quadro, o qual se faz necessário há muito tempo. Mas, é melhor tarde do que
nunca. Se o mundo muçulmano não garantir os direitos islâmicos plenos às
suas mães, esposas, irmãs, filhas, quem o fará?
    Temos que ter a coragem de confrontar o nosso passado e rejeitar
completamente as tradições e costumes dos nossos ascendentes, sempre que
essas tradições e costumes se contraponham aos preceitos do Islam. O Alcorão
não criticou severamente os árabes pagãos por seguirem cegamente as tradições
dos seus ancestrais? Por outro lado, temos que desenvolver uma atitude crítica
em relação a tudo que recebemos do ocidente ou de qualquer outra cultura. A
interação com e o que se aprende de, são experiências válidas. O Alcorão
sucintamente considerou esta interação como uma das propostas da criação:


"Ó humanos, em verdade, Nós vos criamos de macho e fêmea e vos
dividimos em povos e tribos, para reconhecerdes uns aos outros." (49.13).


    Pode-se dizer, contudo, que a imitação cega dos outros é um sinal certo
de uma completa falta de auto-estima. Estas palavras finais são dedicadas aos
leitores não muçulmanos, judeus, cristãos, ou quaisquer outros. É desorientador
o fato de uma religião, que revolucionou a condição da mulher, estar a ser
taxada e difamada como sendo uma religião que reprime a mulher. Esta
percepção sobre o Islam é um dos mitos mais difundidos no nosso mundo de
hoje. Este mito está sendo perpetuado por uma enxurrada de livros sensacionalistas, 
artigos e imagens na mídia, e filmes de Hollywood. O resultado
inevitável dessas incessantes imagens errôneas tem sido a incompreensão e o
medo de tudo o que se refere ao Islam. Este retrato negativo do Islam na mídia
mundial tem que acabar se quisermos viver num mundo livre de todos os
traços de discriminação, preconceito e equívoco.
    Os não muçulmanos devem perceber a existência de uma imensa
diferença entre a crença e a prática muçulmanas e o simples fato de que as
ações dos muçulmanos não representam necessariamente o Islam. Rotular a
condição da mulher no mundo muçulmano de hoje como "islâmica" está tão
longe da verdade quanto rotular a posição da mulher de hoje, no Ocidente,
como "judaico-cristã". Com isto em mente, muçulmanos e não-muçulmanos
devem começar o processo de comunicação e diálogo, a fim de remover todos
os preconceitos, suspeitas e medos. Um futuro pacífico para a família humana
necessita de tal diálogo.
    O Islam deve ser visto como uma religião que melhorou
consideravelmente a condição da mulher e lhe garantiu muitos direitos que o
mundo moderno só veio a reconhecer neste século. O Islam ainda tem muito a
oferecer à mulher de hoje, dignidade, respeito e proteção em todos os aspectos
e estágios da sua vida, desde o nascimento até à morte, além do reconhecimento,
equilíbrio e meios para a satisfação de todas as suas necessidades espirituais,
intelectuais, físicas e emocionais. Não espanta que muitos daqueles que
escolhem ser muçulmanos em países como a Inglaterra sejam mulheres. Nos
EUA, as mulheres convertem-se ao Islam, numa proporção de 4 para cada
homem (85).
    O Islam tem muito a oferecer ao mundo de hoje, que está em grande
necessidade de um guia e uma liderança moral. O embaixador Herman Eilts,
testemunhando frente ao comitê de Negócios Estrangeiros do Congresso
americano, em junho de 1985, disse que "a comunidade muçulmana de hoje
está perto de um bilhão. Este é um número expressivo. Mas, para mim, é
igualmente expressivo que o Islam hoje seja a religião monoteísta que mais
cresce no mundo. Devemos ter isto em conta. Alguma coisa está certa acerca
do lslam. Ele está atraíndo uma boa quantidade de pessoas". Sim, alguma
coisa está certa acerca do lslam, e está na hora de encontrá-la. Espero que este
estudo seja um passo nesta direção.



85. The Times, 18 de novembro de 1993.