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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Islã na China (parte 1 de 2)




Descrição: Um relato de como e quando o Islã entrou na China.
Por Mohammed Khamouch


A “Grande Mesquita de Guangzhou” também é conhecida como Mesquita Huaisheng que significa “Relembre o Sábio” (uma mesquita memorial para o profeta) e também é popularmente chamada a “Mesquita Guangta”, que se traduz como “Mesquita de Torre Luminosa”.  A mesquita Huaisheng fica localizada na estrada Guantgta (Estrada Light Pagoda) que vai em direção ao leste à direita de Renmin Zhonglu.
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Antes do ano 500 EC e, portanto, antes do estabelecimento do Islã, os marinheiros árabes tinham estabelecido relações comerciais com o “Reino Médio” (China).  Navios árabes bravamente saíam de Basra no final do Golfo Arábico e também da cidade de Qays (Siraf) no Golfo Pérsico.  Navegavam o Oceano Índico passando por Sarandip (Sri Lanka) e foram até o Estreito de Málaca, entre Sumatra e a Península Malaia na rota para o Mar da China Meridional.  Estabeleceram entrepostos de comércio nos portos costeiros ao sudeste de Quanzhou e Guangzhou.  Alguns árabes já tinham se estabelecido na China e provavelmente abraçaram o Islã quando a primeira delegação muçulmana chegou, já que suas famílias e amigos na Arábia já tinham abraçado o Islã durante a revelação do profeta (610-632).
Guangzhou é chamada de Khanfu pelos árabes que posteriormente estabeleceram um quarteirão muçulmano que se tornou um centro de comércio.  A posição geográfica superior de Guangzhou deu a ela um papel importante como a mais antiga cidade comercial e porto internacional na China.  Testemunhando uma série de eventos históricos, a China se tornou um lugar significativo na história e uma das regiões que crescem mais rapidamente no mundo, desfrutando de prosperidade sem precedentes.
Enquanto um estado islâmico era fundado pelo profeta Muhammad, que a misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele, a China passava por um período de unificação e defesa.  Os primeiros anais chineses mencionavam árabes muçulmanos e chamavam seu reino de al-Medina (da Arábia).  O Islã em chinês é chamado de “Yisilan Jiao” (que significa “Religião Pura”).  Um oficial chinês uma vez descreveu Meca como sendo o local de nascimento de Buda Ma-hia-wu (ou seja, profeta Muhammad).
Existem várias versões históricas relatando o advento do Islã na China.  Alguns registros alegam que os muçulmanos chegaram primeiro na China em dois grupos vindos da Abissínia (Etiópia).
A Etiópia era a terra para onde alguns dos primeiros muçulmanos fugiram temendo a perseguição da tribo dos coraixitas em Meca.  Entre aquele grupo de refugiados estava uma das filhas do profeta Muhammad, Ruqayya, o marido dela Uthman ibn Affan, Sad Ibn Abi Waqqas e muitos outros Companheiros proeminentes que migraram seguindo o conselho do profeta.   Receberam asilo político do rei abissínio Atsmaha Negus na cidade de Axum (615 EC).
Entretanto, alguns Companheiros nunca retornaram para a Arábia.  Podem ter viajado na esperança de ganhar seu sustento em outro lugar e podem, por fim, ter chegado à China por terra ou mar durante a Dinastia Sui (581-618 EC).  Alguns registros relatam que Sad Ibn Abi Waqqas e três outros Companheiros navegaram para a China em 616 EC da Abissínia (Etiópia) com o apoio do rei da Abissínia.  Sad então retornou para a Arábia, trazendo uma cópia do Alcorão Sagrado para Guangzhou 21 anos depois, o que coincide com o relato de Liu Chih que escreveu “A Vida do Profeta” (12 volumes).
Acredita-se que um dos Companheiros que viveu na China morreu em 635 EC e foi enterrado na parte urbana ocidental de Hami.  Seu túmulo é conhecido como “Geys Mazars” e é reverenciado por muitos na região.  Fica na província autônoma ao noroeste de Xingjian (Sinkiang) e aproximadamente a 400 milhas a oeste da capital desta, Urumqi.  Xingjian tem quatro vezes o tamanho do Japão, compartilha sua fronteira internacional com oito nações diferentes e é o lar do maior grupo indígena dos uigures, que falam turco.   Portanto, além de ser a maior área islamizada da China, Xingjian também tem importância estratégica geograficamente.
O Alcorão afirma em palavras inequívocas que Muhammad foi enviado como misericórdia de Deus para todos os povos (21:107):
“E não te enviamos, senão como misericórdia para a humanidade.”
Essa universalidade do Islã facilitou sua aceitação por povos de todas as raças e nações e é amplamente demonstrada na China, cuja população indígena de variedades étnicas de muçulmanos chineses hoje é maior que a população de muitos países árabes, incluindo a Arábia Saudita.
A história da Mesquita de Huaisheng representa séculos de cultura islâmica que data de meados do século 7 durante a Dinastia T’ang (618-907) - “a era dourada da história chinesa”.  Foi nesse período, dezoito anos depois da morte do profeta, que o Islã - a última das três religiões monoteístas - foi primeiro introduzido na China pelo terceiro califa, Uthman Ibn ‘Affan (644-656 EC/23-35 AH).
Uthman foi um dos primeiros a abraçar o Islã e a memorizar o Alcorão Sagrado.  Possuía uma natureza calma e gentil e se casou com Ruqayyah. Após sua morte, se casou com Umm Kulthum (ambas eram filhas do profeta).  Consequentemente, lhe foi dado o epíteto de ‘Dhu-n-Nurayn’ (aquele com duas luzes).  Uthman foi muito elogiado por salvaguardar os manuscritos do Alcorão contra disputas, ao ordenar sua compilação das memórias dos Companheiros e enviar cópias para os quatro cantos do Império Islâmico.
Uthman enviou uma delegação para a China liderada por Sad Ibn Abi Waqqas (morto em 674 EC/55 AH), que era um tio materno muito amado do profeta e um dos Companheiros mais famosos que se converteu ao Islã com a idade de apenas dezessete anos.  Era um veterano de todas as batalhas e um dos dez a quem é relatado que o profeta garantiu um lugar no paraíso.
Em Medina Sad, usando sua habilidade na arquitetura acrescentou um Iwan (uma entrada em forma de arco usada pelo imperador persa) como área de adoração.  Posteriormente estabeleceu a fundação do que seria a primeira mesquita na China, onde a arquitetura islâmica em seu início forjou uma relação com a arquitetura chinesa.
De acordo com os registros históricos antigos da Dinastia T’ang, um emissário do reino de al-Medina liderado por Sad Ibn Abi Waqqas e sua delegação de Companheiros navegaram como enviados especiais para a China em 650 EC via Oceano Índico e o Mar da China para o famoso porto de Guangzhou. Dali viajaram por terra para Chang’an (hoje Xi’an), através do que ficou posteriormente conhecido como “Rota da Seda”.

Propagação do Islã na África Ocidental (parte 3 de 3): Os Impérios de Kanem-Bornu e da Terra Hausa-Fulani

Descrição: Como o Islã se propagou na região subsaariana da África Ocidental e as grandes civilizações que estabeleceu ali, tirando seus habitantes do paganismo para a adoração do Deus Único.  Parte 3: Breve história dos impérios islâmicos de Kanem-Bornu e Hausa-Fulani.
Por Prof. A. Rahman I. Doi



Islã no Império Kanem-Bornu

Kanem-Bornu no século 13 incluía a região ao redor do lago Chade, se estendendo ao norte até Fezzan.  Kanem hoje forma a parte do norte da República do Chade.  O Islã foi aceito pela primeira vez pelo governante Kanem, Umme-Jilmi, que governou entre 1085-1097 E.C, através de um sábio chamado Muhammad B. Mani que recebeu o crédito de trazer o Islã para Kanem-Bornu.  Umme-Jilmi se tornou um muçulmano devoto.  Partiu para a peregrinação, mas morreu no Egito antes de alcançar Meca.  Al-Bakri também menciona que os refugiados omíadas, que tinham fugido de Bagdá em consequência de planos para liquidar sua dinastia nas mãos dos abássidas, residiam em Kanem [21,22].
Com a introdução do Islã em Kanem, tornou-se o principal foco de influência muçulmana no Sudão central e foram estabelecidas relações com o mundo árabe no Oriente Médio e no Magrebe.   O filho de Umme, Dunama I (1092-1150), também foi em uma peregrinação e foi coroado no Egito, enquanto embarcava em Suez para Meca, durante a terceira jornada de peregrinação.  Durante o reinado de Dunama II (1221-1259), foi estabelecida na Tunísia uma embaixada Kanem por volta de 1257, como mencionado pelo famoso historiador andaluz Ibn Khaldun (falecido em 1406 E.C).  Quase ao mesmo tempo uma universidade e um albergue foram estabelecidos no Cairo, chamados Madrassa Ibn Rashiq.  Por volta do fim do século 13, Kanem se tornou um centro de conhecimento islâmico e professores famosos vieram do Mali para ensinar em Kanem.  Até meados do século 13 Kanem estabeleceu relações diplomáticas com Tuat (no Saara argelino) e com o estado Hafsid da Tunísia a nível de embaixada.  Os sábios e poetas de Kanem podiam escrever em árabe clássico em um nível muito alto.  Temos evidências disso em uma carta escrita pelo escriba-chefe da corte de Kanem datada de 1391 a 1392.
O historiador Ibn Khaldun chama Dunama II como o “rei de Kanem e senhor de Bornu”, porque seu império tinha se expandido até Kano no oeste e Wadai no leste.   Diz-se que Dunama II abriu um talismã (Munni ou Mune) considerado sagrado por seu povo e assim trouxe um período de dificuldades para seu povo.  Por causa de seu entusiasmo pela religião do Islã ele cometeu essa “abominação” (talvez o talismã fosse um símbolo tradicional de (realeza) divina e alienou muitos de seus súditos).
No final do século 14 foi estabelecida uma nova capital do império Kanem em Nigazaragamu, Bornu, por Ali b. Dunama, também chamado de Ali Ghazi, que governou durante o período de 1476 a 1503. Essa capital próspera continuou até 1811. Ali reviveu o Islã.  Era dedicado a aprender seus princípios.  Costumava visitar o imame chefe Umar Masramba para aprender mais sobre o sistema legal islâmico.  Através de seu próprio exemplo persuadiu a nobreza e seus ministros a limitarem o número de esposas a somente quatro.
A islamização de Bornu data da época de Mai Idris Alooma (1570-1602). Passamos a conhecê-lo através de seu cronista, Ahmad bin Fartwa.  No nono ano de seu reinado fez a peregrinação a Meca e construiu um albergue lá para peregrinos de Bornu.  Reviveu as práticas islâmicas e fez com que todos as seguissem.  Também estabeleceu cortes Qadis para introduzir leis islâmicas no lugar do sistema tradicional de lei consuetudinária.  Construiu um grande número de mesquitas de tijolos para substituir as existentes, construídas com junco.
Em 1810, durante o período de Mai Ahmad, as glórias do império de Bornu chegaram ao fim, mas sua importância como centro de aprendizado islâmico continuou.

Islã na terra Hausa-Fulani

Existe uma lenda Hausa muito conhecida referente à origem do estado Hausa, atribuído a Bayajida (Bayazid) que veio de Beg para se estabelecer em Kanem-Bornu.  O governante Mai de Bornu da época (não temos informações sobre o período) deu as boas vindas a Bayajida e concedeu sua filha em casamento a ele, mas ao mesmo tempo o privou de seus numerosos seguidores.  Ele fugiu de Mai com sua esposa e foi para Gaya Mai Kano, pedindo ao ourives de Kano que fizesse uma espada para ele.  A história nos conta que Bayajida ajudou o povo de Kano matando uma cobra sobrenatural que os tinha impedido de tirar água de um poço.  Diz-se que a rainha, chamada Daura, se casou com ele em apreciação por seus serviços ao povo.  Bayajida teve um filho com Daura chamado Bawo.  O próprio Bawo teve sete filhos: Biran, Dcura, Katsina, Zaria, Kano, Rano e Gebir, que se tornaram fundadores dos estados Hausa.  Qualquer que seja o mérito dessa história, ela tenta explicar como a língua e cultura Hausa se propagaram através dos estados do norte da Nigéria.
O Islã veio para a terra dos Hausa no início do século 14.  Diz-se que aproximadamente 40 estudantes Wangarawa trouxeram o Islã durante o reinado de Ali Yaji, que governou Kano durante os anos 1349-1385. Foi construída uma mesquita e um muezzin (que chama para a oração) foi nomeado para fazer o adhan (chamada para a oração) e um juiz nomeado para adotar decisões religiosas.  Durante o reinado de um governante chamado Yaqub (1452-1463), um fulani migrou para Kano e introduziu livros sobre jurisprudência islâmica.  Na época em que Muhammad Rumfa chegou ao poder (1453-1499), o Islã estava firmemente enraizado em Kano.  Em seu reinado os sábios muçulmanos foram para Kano; alguns sábios também vieram de Timbuktu para ensinar e pregar o Islã.
Muhammad Rumfa consultou sábios muçulmanos sobre questões do governo.  Foi ele quem pediu ao famoso teólogo muçulmano Al-Maghilli para escrever um livro sobre governo islâmico durante sua visita a Kano no século 15.  O livro é uma obra-prima celebrada e é chamado A Obrigação dos Príncipes.  Al-Maghilli posteriormente foi para Katsina, que se tornou um local de aprendizado no século 15.  A maioria dos peregrinos de Meca iam para Katsina.  Os sábios da Universidade de Sankore em Timbuktu também visitaram a cidade e trouxeram com eles livros sobre divindade e etimologia.  No século 13 Katsina produziu sábios nativos como Muhammadu Dan Marina e Muhammadu Dan Masina (falecido em 1667), cujos trabalhos está disponíveis até hoje.
A literatura de Shehu ‘Uthman Dan Fodio, seu irmão Abdullahi e seu filho Muhammad Bello fala das práticas sincréticas dos Hausa Fulanis no fim do século 18.  O movimento de ‘Uthman Dan Fodio em 1904 foi introduzido como um movimento para reavivar o Islã e remover práticas sincréticas que Shehu chamou de Bid’at al-Shaytaniyya ou Inovações Diabólicas.
A propagação do Islã na África se deve a muitos fatores históricos, geográficos e psicológicos e também como resultado da distribuição de comunidades muçulmanas, algumas das quais tentamos descrever.  Desde sua primeira aparição na África o Islã continuou a crescer.  Os sábios lá foram africanos desde o momento de sua propagação.  O Islã se tornou uma religião africana e tem influenciado seu povo de diversas maneiras

Propagação do Islã na África Ocidental (parte 2 de 3): Os Impérios de Mali e Songai

Descrição: Como o Islã se propagou na região subsaariana da África Ocidental e as grandes civilizações que estabeleceu ali, tirando seus habitantes do paganismo para a adoração do Deus Único.  Parte 2: História dos impérios de Mali e Songai.
Por Prof. A. Rahman I. Doi



Islã no Império de Mali

A influência do Islã em Mali data do século 15 quando Al-Bakri menciona a conversão de seu governante ao Islã.  Foi um período miserável de seca que chegou ao fim com a oferenda de orações islâmicas e abluções.  O império do Mali surgiu das ruínas do império de Gana.  Existiram dois nomes importantes na história do Islã em Mali: Sundiata (1230-1255) e Mansa Musa (1312-1337).  Sundiata é o fundador do império de Mali, mas era um muçulmano fraco, uma vez que praticava o Islã com práticas sincréticas e era desaprovado pelos sábios.  Mansa Musa, por outro lado, era um muçulmano devoto e é considerado o arquiteto real do império de Mali.  Na época em que Sundiata morreu em 1255, um grande número de antigas dependências de Gana também passou para seu poder.  Depois dele veio Mansa Uli (1255-1270) que fez a peregrinação à Meca.
Mansa (imperador) Musa chegou ao poder em 1312 e sua fama foi além do Sudão, norte da África e se espalhou até a Europa.  Mansa Musa governou de 1312 a 1337 e em 1324-25 fez sua famosa peregrinação à Meca [Hajj].  Quando retornou de sua peregrinação, trouxe um grande número de sábios e arquitetos muçulmanos que construíram cinco mesquitas pela primeira vez com tijolos cozidos.  Assim o Islã recebeu seu maior impulso durante o reinado de Mansa Musa.  Muitos sábios concordam que por causa de seu apego ao Islã Mansa Musa pode introduzir novas idéias para sua administração.  O famoso viajante e estudioso Ibn Batutah chegou ao Mali durante o reinado de Mansa Sulaiman (1341-1360) e faz um excelente relato do governo de Mali e sua prosperidade econômica – de fato, um legado da política de Mansa Musa.  A peregrinação de Mansa Musa projetou a enorme riqueza e potencialidades de Mali, que atraíram mais e mais comerciantes e sábios muçulmanos.  Esses sábios e comerciantes muçulmanos contribuíram para o desenvolvimento cultural e econômico de Mali.  Foi durante seu reinado que foram estabelecidas relações diplomáticas com a Tunísia e o Egito e, assim, Mali começou a aparecer no mapa do mundo. 

Islã no Império de Songai

O Islã começou a se propagar no império de Songai em algum período no século 11, quando a dinastia governante Za ou Dia o aceitou.  Era uma região próspera por causa de seus crescentes negócios com Gao.  Por volta do século 13 ficou sob o domínio do império do Mali, mas se libertou no final do século 14 quando a dinastia recebeu o novo nome de Sunni.  A fronteira de Songai se expandiu e no século 15, sob a liderança de Sunni Ali, que governou entre 1464-1492, as cidades mais importantes do Sudão ocidental ficaram sob o império Songai.  As grandes cidades de aprendizado islâmico como Timbuktu e Jenne ficaram sob seu poder entre 1471-1476.
Sunni Ali era um muçulmano nominal que usou o Islã para seus próprios objetivos.  Até perseguiu sábios muçulmanos e praticou cultos locais e mágica.  Quando o famoso sábio al-Maghilli o chamou de pagão, ele o puniu também.  A crença em cultos e mágica não era, entretanto, algo novo em Songai.  Existiu em outras partes da África ocidental até a época em que os movimentos para reavivar a fé ganharam momento no século 18.  Diz-se que Sunni Ali tentou um ajuste entre o paganismo e o Islã, embora orasse e jejuasse.  Os sábios consideraram simplesmente um escárnio.
O sincretismo de Sunni Ali logo foi desafiado pelas elites e sábios muçulmanos em Timbuktu, que era então um centro de aprendizado e civilização islâmicos.  A famosa família de Agit, os sábios berberes, tinham o posto do ministro da justiça e eram conhecidos por sua oposição destemida aos governantes.  Em sua vida Sunni Ali adotou medidas contra os sábios de Timbuktu (em 1469 e em 1486). Mas com sua morte a situação mudou completamente: o Islã e os sábios muçulmanos triunfaram.  Muhammad Toure (Towri), um comandante militar pediu ao sucessor de Sunni Ali, Sunni Barou, para fazer uma aparição pública com uma confissão aberta de sua fé no Islã.  Quando Barou se recusou, Muhammad Toure o depôs e estabeleceu uma nova dinastia em seu próprio nome, chamada dinastia Askiya.  Sunni Ali pode ser comparado com Sundiata de Mali e Askiya Muhammad Toure com Mansa Musa, um campeão da causa do Islã.
Ao chegar ao poder estabeleceu a lei islâmica e organizou um grande número de muçulmanos para serem treinados como juízes.  Deu seu patronato generoso aos sábios concedendo-lhes grandes pedaços de terra como presente.  Tornou-se um grande amigo do famoso sábio Muhammad Al-Maghilli.  Por causa de seu patronato eminentes sábios muçulmanos foram atraídos para Timbuktu, que se tornou um grande local de aprendizado no século 16.  Timbuktu tem o crédito de estabelecer a primeira universidade islâmica, chamada Universidade Sankore, na África Ocidental. Seu nome é comemorado até hoje na Universidade de Ibadan, na qual uma área de residência de sua equipe foi nomeada como Avenida Sankore.
Como Mansa Musa do Mali, Askia Muhammad Toure fez a peregrinação e assim entrou em contato próximo com sábios e governantes muçulmanos nos países árabes.  Em Meca o rei tratou-o com grande respeito e ele foi coberto com um turbante.  O rei lhe deu uma espada e o título de califa do Sudão ocidental.  Em seu retorno de Meca no ano de 1497, orgulhosamente usava o título de Al-Hajj. 
Askia assumiu um grande interesse no sistema legal islâmico e fez várias perguntas sobre teologia islâmica a seu amigo Muhammad al-Maghilli.  Muhammad al-Maghilli respondeu suas perguntas detalhadamente e Askia as fez circular no império Songai.  Algumas das perguntas eram sobre a estrutura fundamental da fé, como “quem é um verdadeiro muçulmano?” e “quem é um pagão?”.  Quando lemos os trabalhos de Shehu ‘Uthman Dan Fodio, podemos ver alguns de seus argumentos citados sobre a autoridade de Al-Maghilli.  Em outras palavras, as discussões detalhadas de Al-Maghilli sobre essas questões levantadas por Askiya Muhammad desempenharam um grande papel em influenciar Shehu

Propagação do Islã na África Ocidental (parte 1 de 3): O Império de Gana

Descrição: Como o Islã se propagou na região subsaariana da África Ocidental e as grandes civilizações que estabeleceu ali, tirando seus habitantes do paganismo para a adoração do Deus Único.  Parte 1: O Islã alcança a África Ocidental e uma história do Império Islâmico de Gana.
Por Prof. A. Rahman I. Doi


Os geógrafos e historiadores muçulmanos fornecerem excelentes registros de governantes e povos muçulmanos na África.  Entre eles estão Al-Khwarzimi, Ibn Munabbah, Al-Masudi, Al-Bakri, Abul Fida, Yaqut, Ibn Batutah, Ibn Khaldun, Ibn Fadlallah al-’Umari, Mahmud al-Kati, Ibn al Mukhtar e Abd al-Rahman al-Sa’di.  O Islã alcançou a região das savanas no século 8 E.C, data em que a história escrita da África Ocidental começa.  O Islã foi aceito em 850 E.C. pela dinastia Dya’ogo do reino de Tekur.  Foram as primeiras pessoas negras a aceitar o Islã.  O comércio e os negócios abriram o caminho para a introdução de novos elementos de cultura material e tornaram possível o desenvolvimento intelectual que naturalmente se seguiu à introdução e propagação da alfabetização.
Historiadores árabes e estudiosos africanos eminentes têm escrito sobre os impérios de Gana, Mali, Songai e Kanem Bornu.  Documentam rotas de comércio famosas na África - de Sijilmasa a Taghaza, Awdaghast, que levou ao império de Gana e de Sijilmasa a Tuat, Gao e Timbikutu.  Al-Bakri descreve Gana como um país próspero economicamente e muito avançado no século onze.  Também discute a influência do Islã em Mali no século 13 e descreve o governo de Mansa Musa, cuja fama se espalhou para o Sudão, norte da África e até a Europa.

Propagação do Islã na África Ocidental

O Islã alcançou a região das savanas no século 8 E.C., data em que a história escrita da África Ocidental começa. Os historiadores árabe-muçulmanos começam a escrever sobre a África Ocidental no início do século 8. O famoso estudioso Ibn Munabbah escreveu em 738 E.C., seguido por Al-Masudi em 947 E.C. Como o Islã se propagou na região das savanas, era muito natural que os elos comerciais também fossem estabelecidos com o norte da África.  O comércio e os negócios também abriram o caminho para a introdução de novos elementos de cultura material e tornaram possível o desenvolvimento intelectual que naturalmente se seguiu à introdução e propagação da alfabetização, razão pela qual partes do Sudão se tornaram famosas nos séculos seguintes.  No reino de Tekur, situado em ambas as margens do rio Senegal, o Islã foi aceito em 850 E.C., pela dinastia Dya’ogo.  Essa dinastia pertencia às primeiras pessoas negras a aceitarem o Islã.
Foi por essa razão que os historiadores árabe-muçulmanos se referiam a Bilad al-Tekur como “a terra dos muçulmanos negros.” War-jabi, filho de Rabis, foi o primeiro governante de Tekur em cujo reinado o Islã foi firmemente estabelecido em Tekur e o sistema islâmico da Sharia foi implementado.  Isso deu uma lei islâmica uniforme ao povo.  Na época em que Al-Murabitun dos almorávidas começou seu ataque sobre Tekur em 1042 E.C., o Islã tinha causado um impacto profundo nas pessoas daquela região.  Em 1511 Al-Idrisi descreveu Tekur como “seguro, pacífico e tranquilo”.  A capital de Tekur também era chamada de Tekur, que tinha se tinha se tornado centro de comércio.   Os mercadores costumavam trazer lã para vender lá do grande Marrocos e, por sua vez, levavam com eles ouro e contas.
Temos documentos suficientes sobre a história dessa região desde que era conhecida dos historiadores árabes como Bilad al-Sudan, a terra dos negros.  No período medieval, os impérios mais conhecidos que surgiram lá são conhecidos até nossos dias: os impérios de Gana, Mali, Songai e Kanem Bornu.  Historiadores árabes eminentes têm escrito sobre as glórias dessas terras, notáveis entre os quais estão Al-Bakri, Al-Masudi, Ibn Batutah e Ibn Khaldun.  Além desses estudioso, existem estudiosos locais cujos trabalhos chegaram até nós.  Como, por exemplo, Tarikh al-SudanA História do Sudão, de Al-Sadi e Tarikh al-Fattash de Muhammad al-Kati.
Existiam rotas de comércio famosas na África, como a de Sijilmasa a Taghaza, Awdaghast, que levou ao império de Gana e outra de Sijilmasa a Tuat, Gao e Timbikutu.  Existiam outras que conectavam a Nigéria atual com Trípoli via Fez até Bornu e Tunísia com Nigéria via Gadames, Gat e Agades à terra Hausa.  Essas rotas transformaram todos os locais mencionados em centros de comércio famosos.  Esses centros de comércio invariavelmente se tornaram centros de aprendizado e civilização islâmicos.  Novas idéias chegaram através dos mercadores visitantes no ramo de práticas administrativas.  Estudaremos brevemente a expansão do Islã em cada um dos antigos impérios do Sudão ocidental.

O Islã no Antigo Império de Gana

Al-Bakri, o geógrafo muçulmano, nos dá um relato inicial do antigo império Soninke de Gana.  Seu Kitab fi Masalik wal Mamalik (O Livro de Estradas e Reinos) descreve a Gana de 1068 como altamente avançada.  Economicamente era um país próspero.  O rei empregou intérpretes muçulmanos e a maioria de seus ministros e tesoureiros também eram muçulmanos.  Os ministros muçulmanos eram cultos o suficiente para registrar eventos em árabe e se correspondiam, em nome do rei, com outros governantes.  “Como muçulmanos, também pertenciam ao maior corpo político do mundo islâmico e isso permitia estabelecer relações internacionais.”
Al-Bakri retrata o Islã em Gana no século 11:
A cidade de Gana consiste de duas cidades menores sobre uma planície, uma das quais é habitada por muçulmanos e é grande, possuindo 12 mesquitas, uma das quais é a mesquita congregacional para as orações de sexta-feira: cada uma tem seu imame, muezzim e recitadores pagos do Alcorão.  A cidade possui um grande número de juristas, consultores e sábios
   



Muhammad na Bíblia Por Dr. Jamal Badawi

"Aqueles que seguem o Apóstolo, o Profeta iletrado, a quem eles acham  mencionado em sua Tora e no Evangelho..."
(Alcorão 7:157)
1. As Profecias Bíblicas sobre o Advento de Muhammad
    Abraão é amplamente respeitado como o Patriarca do monoteísmo e o pai comum de judeus, cristãos e muçulmanos. Através de seu segundo filho, Isaac, vieram todos os profetas, inclusive os mais proeminentes, como Jacó, José, Moisés, Davi, Salomão e Jesus. Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre todos eles. O advento desses grandes profetas foi um cumprimento parcial das promessas de Deus, de abençoar as nações da terra através dos descendentes de Abrão (Gênesis 12:2.3). Este fato é sinceramente aceito pelos muçulmanos, cuja fé considera a crença e o respeito a todos os profetas um artigo de fé. 

2. As Bênçãos de Ismael e Isaac
    Estaria o primogênito de Abraão (Ismael) e seus descendentes incluídos no pacto e na promessa de Deus? Alguns versículos da Bíblia podem ajudar a esclarecer  um pouco esta questão:
1) Gênesis 12:2-3 fala da promessa de Deus a Abraão e seus descendentes antes que qualquer filho seu nascesse.
2) Gênesis 17:4 reitera a promessa de Deus após o nascimento de Ismael e antes do nascimento de Isaac.
3) Gênesis, cap. 21 Isaac é especialmente abençoado, mas Ismael, a quem Deus prometeu transformar em uma "grande nação", também é especialmente abençoado, principalmente em Gênesis 21:13, 18.
4) De acordo com Deuteronômio 2l:15-17, os direitos e privilégios tradicionais do primogênito não podem ser alterados por causa do "status" de sua mãe (seja uma mulher livre, como Sara, a mãe de Isaac, ou uma escrava, como Hagar, a  mãe de Ismael). Este fato, apenas confirma os princípios humanitários e morais de todas as crenças reveladas.
5) A legitimidade completa de Ismael como filho e "semente" de Abraão, e a legitimidade completa de sua mãe, Hagar, como esposa de Abraão, estão claramente declaradas em Gênesis 21:13 e 16:3.

    Depois de Jesus, como o último profeta e mensageiro israelita, chegou a hora de a promessa de Deus, de abençoar Ismael e seus descendentes, ser cumprida.
Menos de 600 anos anos depois de Jesus, chegou o último mensageiro de Deus, Muhammad, da descendência de Abraão, através de Ismael. As bênçãos de Deus  sobre os dois principais ramos da árvore genealógica de Abraão estavam agora cumpridas. Mas, haverá outras provas que corroborem o fato de que a Bíblia, na verdade, predisse a chegada de Muhammad?

3. Muhammad: O Profeta como Moisés
    Muito tempo depois de Abraão, a promessa de Deus de enviar um tão esperado Mensageiro foi repetida, desta vez nas palavras de Moisés.

Em Deuteronômio 18:18, Moisés assim falou sobre o profeta a ser enviado por Deus:
1) Dentre os familiares dos israelitas, numa clara referência aos seus primos ismaelitas porque Ismael era o outro filho de Abraão, a quem foi prometido, explicitamente, se tornar uma "grande nação".
2) Um profeta como Moisés. Jamais houve dois profetas tão semelhantes entre si como Moisés e Muhammad. Ambos receberam um extenso código legal de vida, ambos enfrentaram seus inimigos e foram vencedores de forma miraculosa, ambos eram aceitos como profetas/autoridades e ambos migraram em razão de conspirações para assassiná-los. As analogias entre Moisés e Jesus deixam passar, não somente essas semelhanças mas, também, outras importantes (por exemplo, o nascimento natural, vida familiar e morte de Moisés e Muhammad, mas não de Jesus, que era respeitado por seus seguidores como o Filho de Deus e não como um mensageiro de Deus, exclusivamente, como Moisés e Muhammad o eram e como os muçulmanos acreditam que Jesus era).

4. O Profeta Esperado tinha que Vir da Arábia
    O Deuteronômio 33:1.2 combina as referências a Moisés, Jesus e Muhammad.
Fala de Deus (isto é, da revelação de Deus) chegando do Sinai, surgindo de Seir (provavelmente a cidade de As'ir, próxima a Jerusalém) e brilhando além de Paran. De acordo com Gênesis 2l:2l, o deserto de Paran era o lugar onde Ismael acampou (isto é, a Arábia, especificamente Macca).
    Na verdade, a versão da Bíblia do Rei James, menciona os peregrinos passando pelo vale de Ba'ca (um outro nome de Macca) nos Salmos 84:4-6.
Isaías 42:1-13, fala do amado de Deus. Seu eleito e mensageiro que trará a lei a ser aguardada nas ilhas e que "não fracassará nem desanimará até que ele tenha fixado o julgamento sobre a terra." O versículo 11, liga aquele mensageiro aguardado aos descendentes de Ke'dar. Quem é Ke'dar? De acordo com o Gênesis 25:13, Ke'dar era o segundo filho de Ismael, o antepassado de Muhammad.
 
5. Estaria a Migração de Muhammad de macca para Medina
      Profetizada na Bíblia?
    Habakkuk 3:3 fala de Deus (ajuda de Deus) vindo de Te'man (um oásis ao norte de Medina, de acordo com o Dicionário da Bíblia deJ. Hasting) e do santo (vindo) de Paran. Aquele santo, que, sob perseguição, migrou de Paran (Macca) para ser recebido entusiasticamente em Medina, não era outro senão o profeta Muhammad.
    Na verdade, o incidente da migração do profeta, e de seus seguidores perseguidos, está descrito com todas as cores em Isaías 21:13-17, assim como profetiza a batalha de Badr, na qual uns poucos fiéis desarmados, milagrosamente derrotaram os poderosos de Ke'dar, que queriam destruir o Islam e intimidar seus próprios companheiros, que se voltavam para o Islam.

6. O Nobre Alcorão foi Profetizado na Bíblia?
    Durante 23 anos, as palavras de Deus (o Alcorão) foram sendo postas na boca de Muhammad. Ele  não foi o autor do Alcorão. O Alcorão foi ditado a ele pelo Anjo Gabriel, que pedia que Muhammad simplesmente repetisse as palavras, conforme ele as ia ouvindo. Estas palavras foram, então, guardadas na memória e escritas por aqueles que as ouviram durante a existência de Muhammad, e sob sua supervisão.
    Seria, então, uma coincidência, que o profeta "como Moisés", da "família " dos israelitas (isto é, dos ismaelitas), fosse também descrito como aquele, em cuja boca Deus poria suas palavras, e que falaria em nome de Deus? (Deuteronômio 18:18) Também teria sido coincidência que o "Paracleto" , cuja chegada Jesus profetizou, fosse descrito como aquele que "não falar´ por ele, mas por aquilo que ele ouvirá, que ele falará ..."? (João 16:13)
    Teria sido uma outra coincidência, que Isaías fizesse a conexão entre o mensageiro, ligado a Ke'dar, e uma nova canção (uma escritura numa nova língua) para ser cantada pelo Senhor? (Isaías 42:10-11). Mais explicitamente,  Isaías profetiza "com lábios balbuciantes, e uma outra língua, falará a seu povo" (Isaías 28:11). Este último versículo, descreve corretamente os "lábios balbuciantes" do Profeta Muhammad, refletindo o estado de tensão e concentração que ele atingiu durante o tempo da revelação. Um outro ponto é que o Alcorão foi revelado em pequenas doses, durante 23 anos. É interessante comparar este fato com Isaías 28:19, que fala a mesma coisa.

6. Aquele Profeta, o Paracleto, Muhammad
    Na época de Jesus (a paz esteja sobre ele), os israelitas ainda esperavam por aquele profeta como Moisés, conforme profetizado em Deuteronômio 18:18. Quando João Batista chegou, foi-lhe perguntado se ele era o Cristo e ele respondeu "não". Então lhe perguntaram se era Elias, e ele lhes disse que "não". Então, numa aparente referência ao Deuteronômio 18:18, lhe perguntaram "Você é aquele Profeta?" e João respondeu que não (João 1:19-21).
    No Evangelho segundo João (capítulos 14, 15, 16), Jesus falou do "Paracleto", ou o consolador, que chegaria depois dele, que seria enviado pelo pai como um outro Paracleto, que ensinaria novas coisas que os contemporâneos de Jesus não podiam entender. Ainda que o Paracleto seja descrito como o espírito da verdade, (cujo significado lembra o famoso título de Muhammad, Al-Amin, o honrado), ele é identificado em um único versículo como o Espírito Santo (João 14:26).
Contudo, tal designação é inconsistente com o perfil daquele Paracleto. Nas palavras do Dicionário da Bíblia (Ed. J. Mackenzie), "Estes itens, deve-se admitir, não são um quadro completamente coerente."
    Na verdade, a história nos fala que muitos dos primeiros cristãos entendiam que o Paracleto era um homem e não um espírito. Isto talvez explicasse porque respondiam àqueles que reivindicavam, sem encontrar o critério estipulado por Jesus, ser ele o esperado "Paracleto".
    O Profeta Muhammad (que a paz esteja sobre ele) foi o Paracleto., o Consolador, o socorredor, o admoestador enviado por Deus após Jesus. Ele testemunhou sobre Jesus, ensinou novas coisas que não poderiam ter sido ensinadas no tempo de Jesus, falou o que ele ouvia (revelação), habita entre os crentes (através de seus ensinamentos preservados). Tais ensinamentos permanecerão para sempre, porque ele foi o último mensageiro de Deus, o único Mensageiro Universal a unir toda a humanidade ao abrigo de Deus e no caminho da verdade PRESERVADA.
    Ele falou sobre muitas coisas que estariam por vir nos mínimos detalhes, sobre o critério dado por Moisés para distinguir entre os falsos e os verdadeiros profetas (Deuteronômio 18:22). Ele reprovou o mundo do pecado, falou sobre a justiça e o julgamento (João 16:8-11).

7. A Mudança da Liderança Religiosa Foi Profetizada?
Após a rejeição do último profeta israelita, Jesus, já era tempo de que a promessa  de Deus, de fazer de Ismael uma grande nação, fosse cumprida (Gênesis 21:19, 18).
Em Mateus 21:19-21, Jesus falou da figueira sem frutos (um símbolo bíblico de herança profética) a ser liberada, após ter sido dada uma última chance de três anos (a duração do ministério de Jesus) para dar frutos. Em um versículo posterior, no mesmo capítulo, Jesus disse: Em verdade, vos digo: o reino de Deus será tomado de vós e entregue a uma nação que produzirá o fruto a partir daí."
(Mateus 21:43). Aquela nação dos descendentes dos ismaelitas (a pedra rejeitada em Mateus 21:42), que venceu todos os super-poderes de seu tempo, conforme profetizado por Jesus: "E quem quer que caia sobre esta pedra se quebrará, mas sobre quem ela cair, pulverizar-se-á." (Mateus 2l:44).

8. Coincidência?
    Será possível que as numerosas profecias aqui citadas estejam, individualmente ou combinadas, no contexto das interpretações erradas? Será o contrário verdade, isto é, que tais versículos raramente estudados se encaixam e, consistente e claramente, apontam para o advento do homem que mudou o curso da história humana, Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele)? Será razoável concluir que todas essas profecias, que aparecem em diferentes livros da Bíblia, e ditas por vários profetas, em épocas diferentes, fossem todas coincidência? Se assim for, eis aqui uma outra estranha "coincidência"!
    Um dos sinais do profeta que chegará de Paran (Macca),éé que ele virá "com 10.000 santos" (Deuteronômio 33:2 KJV). Este era o número de fiéis que acompanharam o Profeta Muhammad a Paran (Macca), em seu retorno vitorioso, sem derramamento de sangue, à sua terra natal, para destruir os símbolos remanescentes da idolatria na Ka'bah.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Os Direitos da criança no Islam

    Para garantir à criança uma série de direitos, o Islã instrui os muçulmanos a observar uma atitude correta mesmo antes do nascimento da criança. Após o nascimento de uma criança, o primeiro procedimento é lhe dar um banho e vesti-la. Depois disso a mensagem da Unicidade de Allah e da profecia de Muhamad (SAWS) deve alcançr a criança através da repetição do "Azaan" ( o chamado para a oração no Islam) em seu ouvido direito. 
    Além disso, existem alguns direitos básicos da criança que são estabelecidos no Islã, que são: 


Al Ta'am - Alimentação: os pais têm o dever de alimentar seus filhos. Durante a gravidez a mãe deve observar cuidadosamente os alimentos e substâncias que ingere ou que possam prejudicar o bebê. Este é um direito do feto. Após o nascimento é obrigatório para a mãe muçulmana amamentar seu bebê até os 2 anos de idade. Além da alimentação em si, laços de afeição entre a mãe e o bebê são fortalecidos. A criança não deve ser privada destes benefícios e apenas nos casos em que a mãe não consegue amamentar o bebê deve-se recorrer a alimentos industrializados ou  amas de leite.
 Neste caso deve-se cuidar para que apenas ingredientes permitidos no Islã estejam contidos nestes alimentos. Segundo um "hadith" do profeta (SAWS):"É pecado suficiente para uma pessoa não cuidar daqueles cuja alimentação é sua responsabilidade". 

Al Himayah - Proteção: é obrigação dos pais proteger seus filhos do perigo e de conceitos e idéias negativas que possam afetar seu caráter ou personalidade, veiculados através de televisão, influência na escola, nas ruas, internet ou outro meio qualquer. A criança deve ser protegida de tudo que possa significar perigo a ela.

Al Tilbaba - Medicação: os pais devem se assegurar de que é dada à criança a medicação correta para protegê-los de doenças e cuidar corretamente de seus filhos quando estes estiverem doentes.

Al Malbas - Vestimenta: a criança tem direito a receber roupas adequadas à sua idade e ao seu sexo e que também sejam adequadas à estação do ano. 

Em casos de pais divorciados o pai deve suprir as necessidades de seus filhos.

Al Nasab - Linhagem: a criança tem direito de saber quem são seus pais e de ser reconhecida, ajudada e protegida por eles.

Al Deen - Religião: ao chegar aos 7 anos de idade, que é chamada no Islam de "idade de Tamiz" ou idade da distinção ou discernimento, a criança muçulmana deve ser ensinada a fazer suas orações e outros ensinamentos básicos da religião. 

Al Isem - Nome: é um direito da criança receber um nome islâmico adequado, preferencialmente até o sétimo dia de vida. A escolha de um bom nome deve ser feita com a "nyia" (intenção) de que a criança seja abençoada com as bênçãos relacionadas ao nome. É proibido escolher nomes vinculados a "shirk" (idolatria), que vinculem o prefixo "Abd", que significa "servo de" a outros nomes que não sejam os nomes e atributos de Allah e também adotar nomes pomposos ou que indiquem uma auto-glorificação

Al Tazweej - Casamento: os pais devem se certificar que seus filhos se casem com pessoas religiosas e portanto não devem recusar ou oferecer obstáculos para o casamento de seus filhos sem razão. O profeta Muhamad (SAWS) disse:"Se um homem religioso vier até você para casar com sua filha deixe-os casar, de outra forma haverá corrupção."
 É direito da criança ser educada dentro da maneira islâmica e que lhe sejam ensinadas boas maneiras. Educação e gentileza são parte da fé e estes conceitos devem ser passados para a criança ao longo de sua educação. E acima de tudo é direito da criança ser tratada com carinho e amor.